Abril 2026
BTG Pactual ajusta sua recomendação de ativos internacionais para navegar um ambiente de incerteza, optando por nomes mais resilientes e menos sensíveis aos movimentos de mercado.
O instituto de pesquisa do BTG Pactual apresentou, para abril, uma carteira reformulada de certificados de depósito de empresas estrangeiras. Esses títulos, conhecidos como BDRs, permitem que investidores brasileiros acessem a exposição de companhias internacionais sem necessidade de operar diretamente em bolsas do exterior.
As mudanças refletem uma leitura mais cautelosa do cenário global. Com tensões persistentes no Oriente Médio, inflação ainda elevada em diversos países e um mercado incerto quanto aos próximos passos de política monetária, o banco optou por uma postura mais defensiva. A estratégia envolve tanto retiradas quanto reforços em posições específicas, sempre buscando equilibrar risco e oportunidade.
Cenários voláteis exigem uma leitura estratégica dos movimentos internacionais. Acompanhe análises aprofundadas sobre mercados globais.
Empresas defensivas ganham protagonismo
A entrada de Johnson & Johnson e Coca-Cola representa a aposta mais clara do BTG em proteção patrimonial. A farmacêutica americana traz um portfólio de medicamentos consolidado e uma base de receitas previsível, características que costumam gerar retornos estáveis mesmo em momentos de incerteza macroeconômica. A produtora de bebidas, por sua vez, beneficia-se de uma demanda praticamente inelástica — pessoas consomem refrigerantes e sucos independentemente do ciclo econômico.
Essa mudança de tom sugere que os gestores do banco enxergam maior risco nos próximos meses. Setores cíclicos, que se beneficiam de crescimento econômico acelerado, cedem espaço para nomes com históricos de resiliência. O portfólio mantém exposição a tecnologia de ponta, mas inclui agora camadas de proteção que não existiam antes.
Inteligência Artificial e financeiro ganham destaque tático
Enquanto empresas defensivas fortalecem a base do portfólio, o BTG aproveitou correções pontuais para aumentar as apostas em TSMC e Bank of America, ambas elevadas de 6% para 7% de peso relativo.
A fabricante de semicondutores taiwanesa continua em evidência graças à demanda crescente por chips avançados voltados para aplicações de inteligência artificial. O relatório destaca que, apesar da volatilidade de março, os números operacionais da companhia seguem sólidos, sugerindo que a queda foi mais uma questão de ciclo de mercado do que deterioração de fundamentos.
Já o Bank of America recebe aumento de exposição em razão de dois fatores: sua avaliação presente oferece espaço para apreciação, e a instituição bancária se posiciona para se beneficiar de um cenário onde a curva de juros americana se torne mais inclinada — ou seja, onde a diferença entre juros de curto e longo prazo aumente, gerando maiores margens de intermediação.
Entender a lógica por trás das movimentações de portfólio ajuda na construção de uma estratégia de investimentos mais sólida e alinhada com seus objetivos.
Saídas justificadas por mudança de cenário
O banco removeu Broadcom e Royal Caribbean Cruises da carteira. A empresa de semicondutores enfrenta aumento da competição no segmento de IA, reduzindo sua atratividade relativa. Já a operadora de cruzeiros padece com a exposição a viagens internacionais em um ambiente de instabilidade geopolítica — conflitos tendem a desestimular turismo de luxo.
Essas exclusões refletem uma reavaliação de perfil de risco, em linha com a estratégia geral de redução de ativos cíclicos ou sensíveis a ciclos macroeconômicos.
Confira a carteira recomendada
Abaixo, a composição completa da carteira sugerida pelo BTG Pactual para abril, com os respectivos pesos relativos:
| Empresa | Código BDR | Participação (%) |
|---|---|---|
| Nvidia | NVDC34 | 13 |
| Apple | AAPL34 | 9 |
| Alphabet | GOGL34 | 8 |
| Microsoft | MSFT34 | 9 |
| Amazon | AMZO34 | 8 |
| TSMC | TSMC34 | 7 |
| Meta Platforms | M1TA34 | 8 |
| Walmart | WALM34 | 4 |
| Johnson & Johnson | JNJB34 | 4 |
| Micron | MUTC34 | 3 |
| Bank of America | BOAC34 | 7 |
| Coca-Cola | COCA34 | 4 |
| Raytheon | RYTT34 | 4 |
| Goldman Sachs | GSGI34 | 6 |
| Newmont | N1EM34 | 6 |
A carteira mantém a diversificação como princípio. Gigantes da tecnologia continuam em foco — Nvidia, Microsoft, Apple e Amazon ocupam espaços de destaque. Mas a adição de Johnson & Johnson, Coca-Cola e o reforço em Bank of America sinalizam que o BTG enxerga valor em reduzir a concentração em ativos de maior volatilidade. Walmart, embora menor que antes, segue como expressão de consumo defensivo.
Commodities e energia também possuem espaço, através de Newmont e Raytheon, mantendo a exposição a ciclos alternativos que não dependem exclusivamente de cenários de crescimento forte.
Essa composição reflete um momento de transição: não é uma carteira agressiva de crescimento, nem puramente defensiva. É um equilíbrio pensado para lidar com a realidade presente — onde crescimento é possível mas incerto, e onde proteção patrimonial ganha relevância.
Decisões sobre ativos internacionais exigem leitura clara do cenário global.
Construa uma estratégia de investimentos que reflita sua visão de longo prazo, mesmo em ambientes de incerteza.
Fonte: BTG Pactual; Money Times.
Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.