Abril 2026
Conflito entre Estados Unidos e Irã completa mais de um mês, com reflexos sobre o preço do petróleo, rotas aéreas globais e a popularidade do presidente americano.
Em pronunciamento televisionado na noite desta quarta-feira (1º), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que a campanha militar contra o Irã está próxima de atingir seus objetivos estratégicos. Segundo ele, o conflito deve se estender por mais duas a três semanas até a conclusão das operações.
Durante o discurso, Trump afirmou que as forças americanas já neutralizaram boa parte da estrutura militar iraniana, incluindo a marinha e a força aérea do país, além de reduzirem significativamente a capacidade de lançamento de drones e mísseis. O presidente classificou a escala dos danos infligidos como sem precedentes na história militar recente.
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Impasse diplomático e o Estreito de Ormuz
Mais cedo, Trump havia declarado, por meio da plataforma Truth Social, que o Irã teria solicitado um cessar-fogo. A condição americana para considerar qualquer trégua, segundo o presidente, é a reabertura do Estreito de Ormuz à navegação internacional.
O governo iraniano, no entanto, rejeitou a versão americana. Ismael Baqai, porta-voz da chancelaria do Irã, classificou as alegações de Trump como “falsas e sem fundamento”. Já o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, publicou carta aberta dirigida ao povo americano, na qual chamou os ataques à infraestrutura elétrica do país de “crime de guerra”.
Um conflito que se arrasta além do previsto
Iniciada em 28 de fevereiro, a ofensiva conjunta de Israel e Estados Unidos contra o Irã já ultrapassa a marca de um mês — bem além do que Washington esperava inicialmente. A expectativa de um desfecho rápido, nos moldes do que ocorreu na Venezuela em janeiro, não se confirmou.
Apesar da morte do líder supremo Ali Khamenei e de outras autoridades do regime, o aparato militar iraniano manteve capacidade de realizar ataques contra países vizinhos, como Emirados Árabes Unidos e Qatar. Além disso, o bloqueio do Estreito de Ormuz — passagem por onde circula cerca de 20% da produção global de petróleo — empurrou a cotação do barril para acima de US$ 100, partindo de um patamar anterior próximo de US$ 60.
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Pressão interna sobre a Casa Branca
No cenário doméstico, os números não favorecem o presidente americano. Levantamento do Pew Research Center indica que 61% dos americanos desaprovam a condução do conflito, contra 37% que aprovam. A taxa de aprovação geral de Trump recuou para 40%, o patamar mais baixo desde o início do mandato.
O preço dos combustíveis é outro fator de desgaste. Nos últimos dias, o valor médio do galão nos EUA superou US$ 4, o maior em quatro anos, pressionando a inflação e gerando críticas à decisão de investir recursos em uma operação militar no exterior. As eleições de meio de mandato, previstas para novembro, adicionam urgência ao quadro: os republicanos podem perder o controle do Congresso, onde detêm maioria apertada.
Christopher Borick, diretor do Instituto de Opinião Pública do Muhlenberg College, na Pensilvânia, avaliou que o conflito se soma às preocupações já existentes sobre custo de vida e imigração, dificultando a posição do governo junto aos eleitores independentes.
Efeitos sobre rotas globais e infraestrutura no Golfo
No Oriente Médio, os impactos do conflito atingiram áreas até então consideradas seguras. Explosões danificaram hotéis de luxo e instalações turísticas em Dubai, incluindo a região de Palm Jumeirah. O aeroporto de Dubai, o maior do mundo em tráfego internacional, e o porto de Jebel Ali — que, juntos, respondem por cerca de 60% das receitas do emirado — também foram alvos de ataques.
Voos com destino a aeroportos importantes na região foram suspensos, configurando a maior interrupção do setor aéreo internacional desde a pandemia. Os desdobramentos reforçam a dimensão econômica do conflito, que vai muito além das fronteiras iranianas.
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Fonte: Exame; AFP.
Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.