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Melhores Ações para Abril de 2026: carteira recomendada do BTG Pactual

Por Thaís Marinho

Carteira Recomendada
Abril de 2026

O mês de março trouxe um teste importante para os mercados globais. Enquanto o S&P 500 recuou 5% e o índice de mercados emergentes caiu 9%, as ações brasileiras se mantiveram praticamente estáveis em dólar — com o Ibovespa recuando apenas 0,7% em reais. O desempenho relativo do Brasil em um ambiente de extrema volatilidade chamou atenção e reforçou uma tendência que vem ganhando corpo desde o início do ano: o fluxo estrangeiro direcionado ao país.

É nesse contexto que o time de Equity Research do BTG Pactual publicou a atualização mensal da carteira 10SIM para abril de 2026. A estratégia geral foi mantida, mas com ajustes táticos relevantes em setores como petróleo e gás, construção civil e bens de capital. A lógica por trás de cada movimento revela como os analistas estão lendo o cenário atual — e o que isso pode significar para quem investe com visão de médio e longo prazo.

Carteira 10SIM — BTG Pactual Equity Research

10 ações para abril
Publicada em 01 de abril de 2026

Estratégia • Setores • Fluxo Estrangeiro

O que aconteceu em março — e por que importa

O conflito no Oriente Médio trouxe volatilidade acentuada aos mercados globais ao longo de março. As chamadas Mag7 (as sete maiores empresas de tecnologia dos EUA) recuaram 5%, e os mercados emergentes como um todo caíram 2,6%. A América Latina, no entanto, teve um desempenho significativamente melhor — e o Brasil, em particular, se destacou.

O dado mais revelador está no fluxo de capital: investidores estrangeiros injetaram R$ 9 bilhões líquidos em ações brasileiras somente em março, elevando o total acumulado no ano para R$ 51 bilhões. Esse movimento não é pontual. Segundo dados da EPFR compilados pelo BTG Pactual, a alocação de fundos globais para o Brasil atingiu 0,73% em fevereiro — o maior nível desde março de 2017. A sobre alocação dos fundos de mercados emergentes (GEM) em ações brasileiras se manteve entre 200 e 220 pontos-base.

Para contextualizar: no acumulado do ano, as ações brasileiras subiram 23% em dólar, superando com folga o S&P 500 (queda de 5%), todos os pares latino-americanos e os mercados emergentes em geral. Esse é o tipo de dado que explica por que mesmo em ambiente de aversão ao risco, o dinheiro continuou entrando no Brasil.

Fluxo estrangeiro em 2026

Enquanto os fundos de ações locais continuaram registrando resgates (R$ 1 bilhão em março e R$ 6,6 bilhões no ano), os investidores estrangeiros seguiram na direção oposta. A rotação para fora dos EUA, caso se mantenha, pode continuar beneficiando o mercado brasileiro.

Valuation: um desconto que chama atenção

A leve correção em março, combinada com revisões positivas de lucros após a temporada de resultados do 4T25, tornou o valuation do Ibovespa mais interessante. Excluindo Petrobras e Vale, o índice opera a 10,5x o P/L projetado para os próximos 12 meses — um desconto de 13% em relação à média histórica de 11,9x. Quando se incluem essas duas empresas, o múltiplo cai para 9,1x, representando um desconto de 15% frente à média de 10,5x.

O prêmio para manter ações (earnings yield menos juros de longo prazo) também melhorou, subindo de 1,6% no fim de fevereiro para 2,0% — embora ainda abaixo da média histórica de 3,1%. Com as taxas reais de longo prazo ainda em 7,6%, esse prêmio só avançaria de forma mais relevante se houvesse uma compressão nos juros, possivelmente impulsionada por menor percepção de risco político ou fiscal.

Para investidores estrangeiros, que enfrentam custos de capital mais baixos, o Brasil se mostra atraente nestes níveis. Para investidores locais, o cenário é mais complexo: títulos públicos de longo prazo ainda oferecem retornos reais elevados, criando concorrência direta com a renda variável. É uma equação que exige posicionamento estratégico — não decisões impulsivas.

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A lógica setorial da carteira de abril

O time de estrategistas do BTG Pactual manteve a estrutura central da carteira, mas fez movimentos táticos que refletem a leitura atual do mercado. A distribuição setorial para abril ficou assim:

Setor Financeiro

20%

Bancos tradicionais e fintechs — resiliência de lucros em cenário volátil, com valuations atrativos após correção recente.

Geração de Energia

20%

Exposição a preços de energia mais altos e maior necessidade de energia firme, com potencial de dividendos crescentes.

Fluxo de Caixa de Longa Duração

25%

Empresas de transportes e infraestrutura com receitas previsíveis — beneficiárias diretas do ciclo de corte de juros.

Petróleo & Gás

15%

Peso aumentado de 10% para 15%. A troca de uma produtora privada por uma estatal de grande porte reflete busca por proteção em cenário de queda do petróleo.

Setor Imobiliário

10%

Mantido em 10%, mas com mudança na composição: entrada de construtora de baixa renda (MCMV) no lugar de uma adquirente de pagamentos.

Exposição Cambial

10%

Aumentada de 5% para 10%, com inclusão de fabricante de aeronaves negociando com desconto de 40% em relação aos pares globais.

O que mudou de março para abril — e por quê

Houve quatro alterações na composição da carteira. A leitura dessas mudanças é tão importante quanto a composição final, porque revela como os analistas estão calibrando risco e retorno diante do cenário atual.

Petróleo e Gás — troca de produtora privada por estatal: A exposição ao setor foi aumentada de 10% para 15%. A lógica é direta: ambas as empresas se beneficiam de preços elevados do petróleo, mas a estatal oferece mais proteção caso o conflito no Oriente Médio arrefeça e os preços recuem. Segundo os analistas, mesmo com o barril a US$ 80 e sem reajuste nos combustíveis domésticos, a empresa geraria um fluxo de caixa livre (FCF yield) de 9% e pagaria dividendos equivalentes a 8% do valor de mercado.

Bens de capital — retorno de fabricante de aeronaves: Uma das principais fabricantes de aeronaves do mundo retornou à carteira, substituindo uma produtora de ouro. O papel caiu 17% somente em março, abrindo uma assimetria importante: a empresa negocia a 9x EV/EBITDA para 2026, com desconto de 40% em relação aos pares — contra 25% antes da queda. A carteira de pedidos de US$ 32 bilhões limita o risco de receita no curto prazo.

Construção civil de baixa renda — entrada via programa MCMV: Uma construtora focada no segmento de habitação popular foi incluída com 5%, substituindo uma empresa de meios de pagamento. O momento do programa Minha Casa Minha Vida segue forte, com ajustes recentes em tetos de preço, faixas de renda e taxas de juros. Os analistas projetam crescimento de cerca de 35% no lucro por ação em 2026 para a empresa incluída, com dividend yield de 8%.

Shopping centers — redução de peso: A operadora de shopping centers foi mantida na carteira, mas com peso reduzido de 10% para 5%. O ativo segue trazendo defensividade e exposição a queda de juros, e a empresa anunciou um guidance de dividendos que implica yield de 12% para 2026.

Temporada de resultados do 4T25: o que os números mostram

A temporada de resultados do quarto trimestre de 2025 trouxe números que, em linhas gerais, ficaram acima das projeções dos analistas. Excluindo Petrobras e Vale, a receita e o EBITDA superaram as estimativas do BTG Pactual em 4,4% e 2,0%, respectivamente. O lucro líquido ficou abaixo do esperado, mas o desvio se concentrou em um caso específico (prejuízo pontual de uma petroquímica), e não reflete uma tendência ampla.

O ponto de atenção, porém, está na desaceleração do crescimento. A receita das empresas domésticas cresceu 6% na comparação anual no 4T25 — contra 17% no trimestre anterior. As taxas de juros em patamares elevados começaram a afetar a atividade econômica de forma mais visível, especialmente no consumo.

Ainda assim, o relatório do BTG Pactual destaca fatores que podem reverter essa tendência ao longo de 2026: a isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil (válida desde janeiro), a possibilidade de cortes na Selic ao longo do ano (projeção do BTG de 250 pontos-base) e medidas governamentais de estímulo, como gás de cozinha gratuito para famílias de baixa renda e pagamentos a alunos do ensino médio público.

Resultados 4T25 — Empresas domésticas

Receita: +6,2% a/a | EBITDA: +6,8% a/a | Lucro líquido: +5,4% a/a. O crescimento desacelerou em relação aos trimestres anteriores, mas os resultados ainda ficaram ligeiramente acima das projeções dos analistas do BTG Pactual.

Eleições 2026: uma variável cada vez mais presente

O cenário eleitoral é uma variável que já começa a influenciar a dinâmica do mercado. Segundo o relatório, a disputa presidencial se encaminha para ser acirrada: as pesquisas mais recentes mostram empate técnico entre os dois principais candidatos nas simulações de segundo turno, algo que mudou significativamente desde dezembro, quando a diferença era de cerca de 8 pontos percentuais.

Para o investidor, o relevante é entender que o resultado eleitoral pode impactar diretamente a percepção de risco fiscal, o nível das taxas de juros longas e, por consequência, o valuation das ações brasileiras. Empresas estatais, por exemplo, tendem a refletir mais intensamente as expectativas em torno de governança e política de precificação.

O BTG Pactual destaca que o ímpeto dos candidatos depende dos temas em destaque no momento — e que essa é uma variável dinâmica que deve seguir influenciando o mercado ao longo de todo o segundo semestre.

Leitura estratégica: o que esses movimentos dizem sobre o momento

Quando se analisa o conjunto de decisões da carteira 10SIM para abril, alguns princípios ficam claros. Primeiro, a prioridade é ter ativos com geração de caixa robusta e visível — seja via dividendos, seja via fluxo de caixa livre. Segundo, a busca por proteção contra cenários adversos: a troca no setor de petróleo e gás não é uma aposta direcional no preço do barril, mas sim uma calibragem de risco. Terceiro, o aproveitamento de assimetrias geradas pela volatilidade — como no caso da fabricante de aeronaves, cuja queda de 17% em março abriu um desconto raro em relação aos pares.

Esses são princípios que qualquer investidor pode usar para avaliar seu próprio portfólio, independentemente de seguir ou não uma carteira recomendada. O raciocínio importa mais do que a lista de nomes. Entender por que uma decisão foi tomada é o que permite tomar boas decisões no futuro.

A carteira completa, com os 10 ativos, pesos, múltiplos detalhados e teses individuais está disponível no relatório original do BTG Pactual Equity Research. Clientes Kaza Capital com conta BTG têm acesso integral a este e outros materiais de Research.

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Fonte: BTG Pactual Equity Research — Carteira Recomendada de Ações (10SIM), 01/04/2026. Dados: Economatica, Bloomberg, B3, EPFR, Anbima.

Este conteúdo foi elaborado pela Kaza Capital com base no relatório público do BTG Pactual Equity Research e tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não constitui oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. As opiniões e projeções aqui mencionadas são do time de Research do BTG Pactual e podem mudar sem aviso prévio. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros. Investimentos envolvem riscos, incluindo possibilidade de perda do capital investido. Antes de tomar qualquer decisão de investimento, consulte um assessor credenciado.

A Kaza Capital atua como escritório de assessoria de investimentos vinculado ao BTG Pactual.

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