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Boletim Focus: expectativa para a Selic em 2026 salta de 12,5% para 13% após semanas de estabilidade

Por Thaís Marinho
ECONOMIA • POLÍTICA MONETÁRIA
Abril 2026

Relatório semanal do Banco Central mostra revisão para cima nos juros e na inflação, enquanto projeções de câmbio recuam e crescimento segue estável.

O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (20) pelo Banco Central trouxe uma mudança relevante nas expectativas do mercado: a mediana das projeções para a taxa Selic ao final de 2026 passou de 12,5% para 13%, interrompendo três semanas consecutivas sem alteração. O ajuste sinaliza que os analistas consultados pela autoridade monetária passaram a enxergar menos espaço para cortes de juros nos próximos meses.

O movimento ocorre em um contexto de pressão sobre os preços de commodities energéticas, em especial o petróleo, cujas cotações têm sido pressionadas pelo conflito no Oriente Médio. A escalada nos custos de energia tende a contaminar índices de preços ao consumidor e, consequentemente, dificultar o ciclo de afrouxamento monetário iniciado em março pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

Movimentos na curva de juros impactam diretamente a rentabilidade de diferentes classes de ativos.

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Projeções de juros sobem também para 2027

A revisão não ficou restrita ao curto prazo. Para o encerramento de 2027, a estimativa da Selic subiu de 10,50% para 11%, após 61 semanas consecutivas sem alteração — uma mudança que sugere uma recalibragem mais ampla na percepção dos agentes econômicos sobre o ritmo de queda dos juros.

Vale lembrar que, na reunião de março, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, levando a taxa de 15% para 14,75% ao ano — o primeiro corte em quase dois anos. O colegiado se reúne novamente na próxima semana, e o mercado acompanha com atenção os sinais que serão emitidos no comunicado.

Nas projeções de prazo mais longo, a Selic para 2028 permaneceu em 10% pela 13ª semana seguida, enquanto a estimativa para 2029 teve leve alta, saindo de 9,75% para 9,88%.

Inflação projetada avança nos dois próximos anos

No campo dos preços, a expectativa para o IPCA de 2026 subiu de 4,71% para 4,80%, distanciando-se cada vez mais do centro da meta perseguida pelo Banco Central. Para 2027, a projeção também avançou, passando de 3,91% para 3,99%. A estimativa para 2028 permaneceu estável em 3,60%.

A trajetória ascendente das projeções de inflação reforça o cenário de cautela que tem permeado as decisões de política monetária e pode limitar a velocidade dos próximos cortes na Selic.

Entender o cenário de juros e inflação é o primeiro passo para decisões patrimoniais mais seguras.

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Dólar recua nas projeções e PIB segue praticamente estável

Na contramão da piora nos indicadores de juros e inflação, as expectativas para o câmbio apresentaram melhora. A projeção para o dólar ao fim de 2026 caiu de R$ 5,37 para R$ 5,30, enquanto a estimativa para 2027 recuou de R$ 5,40 para R$ 5,35. Para 2028, o mercado passou a projetar a moeda norte-americana em R$ 5,40, ante R$ 5,46 na semana anterior.

Quanto ao crescimento econômico, as alterações foram marginais. A projeção do PIB para 2026 passou de 1,85% para 1,86%, permanecendo em 1,80% para 2027 e em 2,00% para 2028 e 2029 — um quadro de expansão modesta que se mantém praticamente inalterado há semanas.

Cenários de juros em movimento exigem estratégia clara de alocação.

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Fonte: Exame.

Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.

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