Carteira Recomendada de Ações — Agosto 2026: BTG Pactual reforça câmbio e petróleo em cenário fiscal e eleitoral
Julho encerrou com o Ibovespa em alta, e o investidor estrangeiro voltando, ainda que de forma moderada, a comprar ações brasileiras depois de dois meses de saídas relevantes. O pano de fundo, no entanto, segue tenso: os juros reais de longo prazo do país permanecem próximos da casa dos 8%, patamar que o mercado só havia visto em momentos de forte estresse fiscal e recessão. Some-se a isso um calendário eleitoral que caminha para outubro com um cenário ainda em aberto, e o resultado é um mercado que parece precificar bastante risco nos ativos de renda fixa, mas se mostra mais cauteloso quanto ao câmbio.
Foi nesse contexto que o time de Research do BTG Pactual publicou a atualização mensal da sua carteira recomendada de ações para agosto. O relatório traz mudanças relevantes na composição, com aumento de peso em posições ligadas a dólar e petróleo e a entrada de um novo nome ligado a serviços básicos — mudanças que, segundo os estrategistas, respondem diretamente à forma como diferentes cenários políticos e fiscais podem se desdobrar nos próximos meses. Neste artigo, explicamos a lógica por trás dessas decisões.
10SIM — BTG Pactual Research
Cenário Fiscal · Eleições · Ibovespa
Cenário do mês
Depois de um período de desempenho mais fraco, o Ibovespa fechou julho com alta relevante em reais e em dólares, superando a maioria de seus pares latino-americanos e também o desempenho dos mercados emergentes no período. O movimento foi puxado, em parte, pela volta do investidor estrangeiro às compras líquidas, revertendo dois meses seguidos de saídas expressivas. Ainda assim, o fluxo acumulado no ano segue bem abaixo do pico observado em abril, sinal de que o apetite por ativos brasileiros melhorou, mas não recuperou o fôlego anterior.
O centro das atenções, porém, continua sendo o quadro fiscal. Os juros reais de longo prazo do país seguem próximos de 8%, nível historicamente associado a períodos de forte estresse macroeconômico. Para o time de Research, esse patamar já embute uma dose considerável de risco fiscal nos preços o que não necessariamente se repete no câmbio, visto como um dos ativos que ainda não refletiu integralmente esse cenário mais desafiador.
Prêmio de risco das ações
O prêmio de manter ações frente aos juros reais de longo prazo encerrou julho em torno de 2,3%, abaixo da média histórica de aproximadamente 2,8%. Ou seja: mesmo com o Ibovespa negociando a múltiplos considerados atrativos, o retorno adicional de estar em renda variável, frente à renda fixa, segue mais apertado do que o normal.
Valuation: barato, mas nem tanto frente aos juros
Em termos de valuation, o Ibovespa segue sendo negociado a múltiplos de lucro considerados descontados frente à sua própria média histórica um desvio-padrão abaixo do nível de referência quando se exclui o setor de petróleo e mineração. O problema, segundo os estrategistas, é que esse desconto perde parte do apelo quando comparado a um custo de oportunidade tão elevado quanto o atual, com os juros reais de longo prazo próximos das máximas da última década. Na visão do time, ações e juros de longo prazo já precificam boa parte do risco fiscal do país; o câmbio, não.
Este é um material exclusivo. Preencha o formulário para falar com nossa equipe, abrir sua conta BTG Pactual via Kaza Capital e ter acesso imediato a essa carteira e outros relatórios premium.
Distribuição por segmento
A carteira de agosto está distribuída em oito segmentos, com maior concentração em serviços básicos e infraestrutura, parcela que, somada às posições financeiras e de construção civil, responde por 60% do total. Do outro lado, posições ligadas a câmbio e petróleo somam 35%, funcionando como uma espécie de proteção caso o cenário fiscal e eleitoral evolua de forma menos favorável.
Serviços Básicos
25%
Geração de energia e saneamento, ativos de longa duração vistos como proteção em um cenário de juros ainda elevados, mas com potencial de queda.
Petróleo & Gás
15%
Petroleira estatal com dividend yield elevado e exposição a câmbio e preço do barril, funcionando como hedge em cenário fiscal mais adverso.
Bancos
15%
Maior banco privado do país, tratado pelo Research como a tese de qualidade do setor, com balanço sólido e postura conservadora de risco.
Bens de Capital
10%
Principal fabricante de aeronaves do país, com demanda resiliente e exposição relevante ao dólar via receitas de exportação.
Metais & Mineração
10%
Siderúrgica com parcela relevante do resultado dolarizada, funcionando como proteção cambial em meio à incerteza eleitoral.
Transporte
10%
Concessionária de infraestrutura em reorganização de portfólio, com potencial de destravar valor via novos aditivos contratuais.
Imobiliário
10%
Construtora voltada à habitação de baixa renda, beneficiada por mudanças recentes nas condições de programas habitacionais populares.
Tecnologia
5%
Empresa de software de gestão negociando a múltiplos historicamente descontados após forte correção no setor global de tecnologia.
O que mudou de mês a mês
Saída de duas posições defensivas. O Research retirou da carteira uma pagadora de dividendos do setor de bebidas e uma operadora de shoppings, ambas classificadas como posições mais defensivas e menos sensíveis ao câmbio. A decisão abriu espaço para reforçar exposições consideradas mais estratégicas diante do atual momento fiscal e eleitoral.
Entrada de uma siderúrgica com proteção cambial. Em contrapartida, entrou uma companhia do setor de metais com parcela relevante do resultado atrelada ao mercado americano. A lógica: em um cenário de maior instabilidade política doméstica, a exposição dolarizada tende a funcionar como hedge natural para a carteira.
Reforço em serviços básicos. O time também ampliou a exposição ao segmento de serviços básicos com a inclusão de uma companhia de saneamento recém-privatizada, que está em processo de renegociação de contratos de concessão — movimento que, segundo o Research, deve destravar valor adicional nos próximos anos.
Aumento de peso na petroleira estatal. A posição em petróleo passou de 10% para 15% da carteira. A mudança amplia a exposição a preços do barril, câmbio e dividendos — o Research estima um dividend yield próximo de dois dígitos para a companhia no cenário atual de preços.
Redução de peso em tecnologia. Já a posição em software foi reduzida de 10% para 5%, após uma forte correção no setor global ao longo do ano — ainda que o Research mantenha visão construtiva sobre a capacidade de execução da companhia no médio prazo.
O fator eleitoral na equação
Boa parte da lógica por trás dos ajustes de agosto está diretamente ligada ao calendário eleitoral. Pesquisas recentes mostram o atual presidente à frente em todos os cenários simulados de primeiro e segundo turno, com vantagem que se ampliou nos últimos meses — mas a corrida segue em aberto, com uma fatia relevante de eleitores ainda indecisos. Para o Research, os preços dos ativos devem reagir de forma bastante diferente a depender do caminho que a política fiscal tomar a partir de um eventual novo mandato: um afrouxamento da pressão fiscal favoreceria sobretudo os ativos domésticos de maior duration, enquanto a manutenção do atual ritmo de gastos tende a beneficiar posições em câmbio e commodities.
Números que chamam atenção
A carteira recomendada subiu 1,1% em julho, desempenho abaixo do Ibovespa (+3,5%) no mês, mas acumula alta de 609,5% desde outubro de 2009, quando o modelo atual passou a ser gerido pelo time de Research — contra 189,3% do Ibovespa no mesmo período.
Leitura estratégica
O movimento do 10SIM em agosto ilustra um princípio importante de construção de carteira: diante de um cenário com múltiplos desfechos possíveis — no caso, dois caminhos fiscais bastante distintos dependendo do resultado das eleições —, faz sentido estruturar a alocação para performar razoavelmente bem em ambos, em vez de apostar todas as fichas em um único cenário. É por isso que a carteira aumentou, ao mesmo tempo, sua exposição a ativos de longa duração (que se beneficiam de uma eventual melhora fiscal) e a posições cambiais e de petróleo (que oferecem proteção caso o cenário se deteriore).
Essa lógica de hedge natural — em vez de tentar acertar o resultado da eleição — é o tipo de raciocínio que separa uma gestão profissional de alocação de uma simples aposta direcional. A carteira completa, com os nomes, pesos e teses individuais de cada um dos dez ativos selecionados pelo BTG Pactual Research para agosto, está disponível para quem tem conta BTG Pactual via Kaza Capital.
Acesse a carteira completa com os 10 ativos recomendados
Este é um material exclusivo do BTG Pactual Research.
Fale com nossa equipe, abra sua conta BTG Pactual via Kaza Capital e tenha acesso imediato a essa carteira e outros relatórios premium.
Ou, se preferir, preencha o formulário e nossa equipe entrará em contato.
Fonte: Carteira Recomendada de Ações (10SIM), BTG Pactual Equity Research, 03 de agosto de 2026. Dados: Economatica, Bloomberg, EPFR, B3, Genial/Quaest e BTG Pactual.
Este conteúdo foi elaborado pela Kaza Capital com base no relatório público do BTG Pactual e tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não constitui oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. As opiniões e projeções aqui mencionadas são do time de Research do BTG Pactual e podem mudar sem aviso prévio. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros. Investimentos envolvem riscos, incluindo possibilidade de perda do capital investido. Antes de tomar qualquer decisão de investimento, consulte um assessor credenciado.
A Kaza Capital atua como escritório de assessoria de investimentos vinculado ao BTG Pactual.