Agosto foi um mês de nervosismo para os ativos ligados a dividendos na bolsa brasileira. A proximidade do ciclo eleitoral elevou os resgates de investidores estrangeiros em nomes de maior peso no Ibovespa, enquanto o mercado seguiu precificando um cenário de juros altos por mais tempo e um ciclo de crédito potencialmente mais desafiador para 2027. Nesse contexto, o índice de dividendos (IDIV) recuou 1,7% no mês, praticamente em linha com o desempenho mais defensivo do Ibovespa, que caiu 0,3%.
Foi dentro desse pano de fundo que o time de Research do BTG Pactual publicou a atualização mensal da carteira de Dividendos para setembro. Além de reafirmar a maior parte das posições, o relatório trouxe uma mudança pontual dentro do setor de saneamento básico — movimento que carrega uma lógica interessante sobre como a equipe de estratégia do banco está lendo o ano eleitoral e o potencial de destravamento de valor em estatais do setor. Neste artigo, explicamos o raciocínio por trás dessas escolhas, sem entrar nos nomes específicos dos ativos, que ficam reservados ao relatório completo.
Dividendos · Renda Variável · Longo Prazo
Cenário do mês
O debate central para carteiras de dividendos em 2026 continua girando em torno de uma pergunta simples: o dividend yield médio das empresas listadas ainda compensa frente aos juros reais elevados praticados no Brasil? Com a Selic mantida em patamar restritivo e a curva de juros ainda precificando cautela do Banco Central, o prêmio de risco exigido para renda variável segue alto — o que faz da seletividade setorial um fator ainda mais decisivo do que em ciclos de juros mais baixos.
Nesse ambiente, o time de Research do BTG Pactual optou por manter a espinha dorsal da carteira concentrada em setores com fluxo de caixa previsível e política de distribuição consolidada — bancos, energia elétrica, saneamento e petróleo —, ao mesmo tempo em que aproveitou a correção recente de algumas ações para reforçar posições específicas dentro desses segmentos.
Destaque do mês
Desde o início da série histórica, em novembro de 2019, a Carteira Recomendada de Dividendos do BTG Pactual acumula rentabilidade de 154,1%, contra 103,3% do IDIV e 64,8% do Ibovespa no mesmo período — uma diferença que reforça o valor da seleção ativa dentro do universo de pagadoras de proventos.
Valuation e rendimento
Em agosto, a carteira apresentou performance de -1,0%, superando tanto o IDIV (-1,7%) quanto ficando próxima do Ibovespa (-0,3%), que se beneficiou de um mix setorial diferente. O resultado reflete o comportamento heterogêneo dentro da própria carteira: enquanto algumas posições ligadas a commodities e construção civil tiveram desempenho de dois dígitos positivos no mês, nomes mais expostos ao fluxo estrangeiro e à sensibilidade a juros sofreram quedas relevantes, evidenciando como o cenário eleitoral tem penalizado especificamente ativos de maior liquidez e peso em índices.
Do ponto de vista de rendimento agregado, a carteira segue entregando um dividend yield projetado consistentemente acima da média histórica do Ibovespa, com destaque para posições em que a equipe de Research identifica descontos relevantes frente a pares internacionais ou frente ao próprio histórico de negociação do ativo — um sinal, segundo o relatório, de que o mercado ainda não precificou integralmente o potencial de destravamento de valor em alguns desses nomes.
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Distribuição por segmento
A carteira de setembro segue concentrada em setores regulados e de alta previsibilidade de caixa, com o bloco de serviços básicos — que reúne saneamento, energia elétrica e distribuição de gás — representando a maior fatia da alocação. Veja como a carteira está distribuída:
Serviços Básicos
40%
Distribuidoras de água, energia elétrica e gás natural, com fluxo de caixa previsível e potencial de ganhos de eficiência.
Bancos
20%
As duas maiores instituições financeiras privadas do país, com qualidade de ativos e valuation ainda descontado.
Petróleo & Gás
10%
Produtora integrada com forte capacidade de geração de caixa e disciplina na alocação de capital.
Mineração & Siderurgia
10%
Mineradora global negociando com desconto relevante frente aos pares internacionais.
Construção Civil
10%
Incorporadora voltada à habitação popular, beneficiada por mudanças recentes em programas habitacionais.
Telecom & Tech
5%
Operadora com geração de caixa resiliente mesmo em ambiente competitivo mais desafiador.
Shoppings
5%
Operadora de shopping centers com receita previsível e estratégia focada em retorno ao acionista.
O que mudou de agosto para setembro
Reposicionamento dentro do saneamento básico: a principal mudança do mês ocorreu dentro do próprio setor de serviços básicos. Uma estatal de saneamento que vinha com desempenho consistentemente abaixo da carteira — tendo sido o pior destaque negativo do mês anterior — deu lugar a duas outras companhias do mesmo segmento. A lógica por trás da troca está diretamente ligada ao calendário eleitoral: com eleições estaduais previstas para este ano, o time de Research do BTG Pactual enxerga uma janela de oportunidade em companhias estatais de saneamento que podem se beneficiar de decisões políticas favoráveis à privatização ou à reestruturação de ineficiências operacionais, além de nomes que já avançaram nesse processo e seguem entregando crescimento contratado de resultados, dividendos crescentes e ganhos de eficiência pós-privatização.
O restante da carteira permaneceu estável, o que sinaliza convicção da equipe de estratégia nas teses de bancos, petróleo, mineração e energia elétrica que já vinham sendo sustentadas nos meses anteriores — todas apoiadas em fundamentos de geração de caixa consistente, mesmo diante de um ambiente macro mais desafiador.
Contexto adicional: eleições, juros e temporada de resultados
Três fatores que pesaram na leitura de setembro
A incerteza eleitoral elevou os resgates de investidores estrangeiros em ativos de maior peso no índice ao longo de agosto. Ao mesmo tempo, a temporada de resultados do segundo trimestre reforçou teses de fortalecimento de balanço no setor financeiro, enquanto companhias de energia e saneamento seguiram avançando em agendas de eficiência operacional e revisões tarifárias mais favoráveis do que o mercado projetava.
Esses três elementos — política, resultados corporativos e regulação — ajudam a explicar por que a equipe de Research optou por manter a espinha dorsal defensiva da carteira, ao mesmo tempo em que buscou destravar valor pontual em companhias estatais que negociam, segundo o relatório, “como se nenhuma melhora jamais fosse ocorrer”.
Leitura estratégica
O movimento de setembro reforça um princípio importante para quem constrói uma carteira de dividendos com visão de longo prazo: o rendimento distribuído hoje é apenas parte da equação. A outra parte é entender se o modelo de negócio da empresa sustenta esse fluxo de caixa ao longo do tempo — e se existem gatilhos, como mudanças regulatórias ou de governança, capazes de destravar valor adicional além do próprio dividendo.
A troca dentro do setor de saneamento ilustra bem esse raciocínio: não se trata de abandonar o segmento, mas de refinar a seleção dentro dele, buscando as companhias mais bem posicionadas para capturar o próximo ciclo de eficiência ou de transição de controle acionário. É esse tipo de análise — que vai além do yield nominal e olha para a sustentabilidade da distribuição — que separa uma carteira de dividendos bem construída de uma simples lista de ações com yield alto no momento presente. A carteira completa, com os 13 ativos recomendados e seus respectivos pesos, está disponível para quem deseja aprofundar essa análise junto à Kaza Capital.
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Fonte: Carteira Recomendada de Dividendos, BTG Pactual Equity Research, 01 de setembro de 2026. Dados: BTG Pactual e Economática.
Este conteúdo foi elaborado pela Kaza Capital com base no relatório público do BTG Pactual e tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não constitui oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. As opiniões e projeções aqui mencionadas são do time de Research do BTG Pactual e podem mudar sem aviso prévio. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros. Investimentos envolvem riscos, incluindo possibilidade de perda do capital investido. Antes de tomar qualquer decisão de investimento, consulte um assessor credenciado.
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