Conteúdo

BTG Projeta Bolsa em Queda Após Reeleição de Lula; Veja As Empresas Citadas No Relatório

Por Alexsander Santos
ANÁLISE DE MERCADO · RELATÓRIO BTGKaza Capital · 26 de outubro de 2026

Após a reeleição de Lula, o BTG Pactual divulgou uma leitura de mercado que prevê pressão sobre a Bolsa, o câmbio e os juros de longo prazo. O banco também destacou empresas exportadoras e negócios com balanços mais robustos. O que os números significam, e o que eles não significam, para o investidor?

Nota editorial: esta reportagem apresenta e contextualiza estimativas e avaliações de analistas do BTG Pactual, conforme repercutidas em Brazil Journal e EXAME em 26/10/2026. Não representa projeção própria, recomendação de compra ou carteira indicada pela Kaza Capital.
O risco para o investidor não seria apenas uma Bolsa mais barata em reais, mas uma combinação de ações em queda, câmbio pressionado e juros reais mais altos.
Para o BTG, a dimensão e a persistência desses movimentos dependeriam, sobretudo, de como evoluirão as expectativas fiscais e monetárias. As hipóteses descrevem um cenário condicional, não um destino inevitável para os mercados.
IBOVESPA EM REAIS
-17%
Queda projetada pelo BTG para o índice, em comparação com a referência pré-eleição.
PATAMAR DE REFERÊNCIA
170 mil
Nível aproximado apontado pelos analistas para o cenário de pressão sobre a Bolsa.
CÂMBIO
10%–15%
Faixa de desvalorização potencial do real considerada no relatório.
IBOVESPA EM DÓLAR
~30%
Perda potencial ao combinar a queda das ações com o efeito cambial.
JURO REAL LONGO
Acima de 8%
Risco apontado pelo banco na ausência de uma resposta fiscal considerada crível.
Fonte das projeções: equipe de estratégia de ações do BTG Pactual, conforme reportagens do Brazil Journal e da EXAME, publicadas em 26/10/2026.

1. O que o BTG realmente projetou?

O relatório do BTG Pactual analisou a reprecificação dos ativos brasileiros após a definição do segundo turno. A estimativa mais citada é uma queda de aproximadamente 17% do Ibovespa, para a região dos 170 mil pontos, a partir da referência em torno de 205 mil pontos no último pregão anterior à eleição.

Essa projeção não é a mesma coisa que uma queda de 30% na Bolsa brasileira. O número próximo de 30% se refere a uma perda potencial expressa em dólares, combinando recuo do índice em reais e desvalorização cambial. No cenário do banco, o real poderia perder entre 10% e 15% de valor.

A terceira parte do quadro diz respeito às taxas de juros reais de longo prazo, que estavam próximas de 6,7% na referência mencionada pela reportagem e poderiam ultrapassar 8% se o mercado não encontrasse sinais suficientes de previsibilidade fiscal. Isso não deve ser confundido com uma Selic de 8%: trata-se de uma taxa real longa, com outra natureza e outra função na precificação dos ativos.

A separação que evita manchetes enganosas
−17% é o cenário em reais para o Ibovespa; cerca de −30% inclui o efeito de conversão para dólares; mais de 8% é uma hipótese para a taxa de juros real de longo prazo. Nenhum desses três números deve ser descrito como movimento já integralmente ocorrido.

2. Por que uma queda de 17% na Bolsa pode se transformar em quase 30% em dólar?

O investidor estrangeiro mede o resultado de um ativo brasileiro em sua moeda de referência. Quando a Bolsa cai e o real se enfraquece ao mesmo tempo, as duas forças reduzem o valor em dólares do investimento.

A lógica é multiplicativa, não uma simples soma de percentuais. Como exemplo ilustrativo, se o preço de uma carteira recuasse 17% em reais e o dólar ficasse 15% mais caro em reais, cada R$ 100 de valor original se transformaria em R$ 83 e, depois da conversão cambial, equivaleria a aproximadamente 72% do valor inicial em dólares, uma perda próxima de 28%. O relatório arredonda o risco combinado para a ordem de 30%.

Essa dimensão cambial ajuda a explicar a divergência possível entre o desempenho que um investidor observa em sua corretora brasileira e a rentabilidade percebida por gestores globais que avaliam o Brasil em dólares. Ela também reforça por que o fluxo estrangeiro pode responder simultaneamente ao câmbio, ao juro e à Bolsa.

3. Juros reais acima de 8%: o efeito que vai além da renda fixa

O debate sobre juros reais longos é central no relatório porque essas taxas entram na conta de avaliação de ativos. Quando o investidor exige um retorno real maior para carregar risco soberano de longo prazo, torna-se necessário justificar com ainda mais rigor o preço pago por ações, imóveis e projetos que só gerarão caixa no futuro.

Isso afeta especialmente empresas com lucros esperados muito à frente, modelos de negócio intensivos em capital e estruturas endividadas que precisam rolar passivos. A sensibilidade, porém, não é igual: empresas com caixa, receitas resilientes e financiamento mais previsível podem sentir o choque de maneira diferente de companhias muito alavancadas.

O BTG também relacionou uma eventual piora das expectativas de juros e inflação ao espaço para o Banco Central reduzir a Selic. É uma cadeia de transmissão econômica possível, não a afirmação de que a taxa básica já tenha seguido determinado percurso.

Outro dado da avaliação
Segundo o Brazil Journal, o Ibovespa sem Petrobras e Vale negociava a cerca de 10,9 vezes o lucro estimado para os 12 meses seguintes, aproximadamente 8,4% abaixo de sua média histórica. Um desconto na comparação histórica não assegura valorização futura: o próprio múltiplo pode continuar mudando quando juros e projeções de lucro são revisados.

4. A comparação com 2018 e 2022: o que o histórico mostra

O BTG examinou duas eleições anteriores para compreender a sensibilidade do mercado ao contexto econômico. Nos 12 meses seguintes à eleição presidencial de 2018, o Ibovespa valorizou 26,2% em reais. No intervalo equivalente após a eleição de 2022, registrou queda de 1,8%.

Os dados também mostram uma diferença na amplitude da valorização das ações: após um mês, 66,7% dos papéis observados pelo banco tinham retorno positivo no episódio de 2018, contra 27,5% em 2022. A participação de ações com resultado positivo também diferiu no horizonte de 12 meses.

12 meses após eleição de 2018
+26,2%
Ibovespa em reais
12 meses após eleição de 2022
−1,8%
Ibovespa em reais
Gráfico histórico · Ibovespa pós-eleições

Gráfico comparando a trajetória do Ibovespa nos 250 pregões seguintes às eleições de 2018 e 2022: valores finais de base 100 de 126,2 e 98,2

Fonte: BTG Pactual. Reprodução editorial do gráfico enviado para a reportagem. Resultados históricos não representam previsão para 2026.

Em 2018, parte importante do comportamento do mercado foi acompanhada pela queda dos juros reais nos meses seguintes. No episódio de 2022, a trajetória das expectativas monetárias pressionou setores mais dependentes de atividade e financiamento domésticos. A correlação histórica é informativa, mas dois episódios não permitem deduzir qual será o comportamento das ações em uma terceira eleição.

5. Empresas mencionadas pelo BTG: o que une os grupos destacados

O banco citou três conjuntos de empresas cujas características poderiam oferecer maior resistência ao cenário que seus analistas descreveram. Essas são menções feitas pelo BTG em seu relatório, não uma recomendação da Kaza Capital. O racional de cada grupo é distinto.

Receita externa e exposição ao dólar

Gerdau, Suzano, Vale, PRIO, SLC Agrícola, 3Tentos, São Martinho, WEG e Embraer aparecem na leitura setorial do BTG. Exposição cambial e mercados globais não significam imunidade a quedas.

Receitas resilientes e balanço

Caixa Seguridade, Porto Seguro e Ambev são citadas pelos analistas em razão de características defensivas, liquidez, geração de caixa e/ou menor endividamento.

Grandes capitalizações

Petrobras e Itaú são destaques adicionais do BTG, por motivos diferentes: exposição da Petrobras a petróleo e câmbio; escala e posição competitiva do Itaú no setor bancário.

A diferença entre citar uma companhia por características do seu negócio e afirmar que suas ações necessariamente subirão é crucial. Uma empresa pode ser operacionalmente resiliente e, mesmo assim, sofrer queda em Bolsa quando muda a taxa exigida pelo investidor ou quando o preço de entrada é elevado.

6. A tabela completa de ações citadas no relatório

A tabela reproduz as 14 companhias destacadas na cobertura da EXAME com as variações dos 30 dias e do ano, além de estimativas de preço/lucro e dívida líquida/Ebitda para 2026. Os percentuais históricos devem ser lidos com data de corte: não constituem previsão de desempenho futuro.

Empresa Setor 30 dias No ano P/L 2026* Dív. líq./Ebitda 2026*
3Tentos Agronegócio 38,9% -13,3% 9,6x 2,6x
PRIO Petróleo e gás 21,3% 78,2% 9,1x -1,1x
Petrobras Petróleo e gás 18,3% 102,5% 4,8x 0,8x
São Martinho Agronegócio 14,8% 41,2% 22,4x 2,0x
Itaú Unibanco Bancos 14,0% 25,8% 10,9x n.a.
Ambev Alimentos e bebidas 9,0% 21,2% 15,6x -0,5x
Porto Seguro Seguros 8,4% 12,0% 9,0x n.a.
Caixa Seguridade Seguros 6,5% 36,5% 13,8x n.a.
Gerdau Siderurgia -0,1% 26,6% 8,5x 0,5x
SLC Agrícola Agronegócio -0,7% 22,6% 21,6x 3,6x
Suzano Papel e celulose -9,3% -16,3% 5,2x 2,7x
Embraer Bens de capital -10,0% 0,3% 22,8x -0,2x
Vale Mineração -13,4% -11,6% 4,8x 1,0x
WEG Bens de capital -16,5% -11,3% 28,0x -0,3x
*P/L e dívida líquida/Ebitda baseados em estimativas para 2026; 30 dias e ano representam variações já observadas no recorte divulgado. “n.a.” significa não aplicável. Fonte dos dados: BTG Pactual, conforme tabela divulgada pela EXAME em 26/10/2026. A lista é atribuída aos analistas do banco e não constitui seleção da Kaza Capital.
Versão gráfica da tabela

Tabela gráfica com as 14 ações destacadas pelo BTG, variações em 30 dias e no ano, P/L e dívida líquida sobre Ebitda estimados para 2026

Fonte: BTG Pactual, conforme informações divulgadas pela EXAME em 26/10/2026. Material reproduzido para contextualização jornalística, sem recomendação por parte da Kaza Capital.

É possível perceber diferenças importantes dentro da mesma seleção. PRIO, Ambev, WEG e Embraer aparecem com dívida líquida negativa, enquanto 3Tentos, Suzano e SLC Agrícola apresentam métricas de alavancagem positivas mais elevadas. A relação entre dívida e lucro operacional é apenas uma dimensão do risco e precisa ser analisada junto com vencimentos, juros, geração de caixa e características de cada setor.

7. Nem toda exportadora protege a carteira da mesma maneira

A moeda norte-americana mais forte tende a favorecer empresas que faturam em dólares e têm parte relevante dos custos em reais. Mas essa relação não é automática. Em mineração, o preço do minério pode cair ao mesmo tempo que o dólar sobe; no petróleo, preço internacional, volume produzido e decisões de investimento importam; na indústria, hedge e custos de componentes importados alteram a exposição líquida.

O investidor que observa apenas a classificação “exportadora” pode deixar passar os aspectos que realmente explicam o resultado: mercado comprador, custo de produção, endividamento, estrutura cambial, ciclo de investimento e governança. O relatório fornece uma fotografia de preferência relativa dos analistas do BTG, não uma proteção contratual contra perdas.

8. Qual é o papel da diversificação diante desse cenário?

Períodos de forte volatilidade demonstram o risco de construir uma carteira dependente de um único cenário econômico. Quando câmbio, juros e ações reagem juntos, investimentos aparentemente diferentes podem compartilhar a mesma fonte de risco: exposição excessiva à economia doméstica, concentração em um setor ou vencimentos muito longos.

Diversificação não é simplesmente possuir muitas ações ou alternar entre empresas citadas em um relatório. É analisar como ativos, moedas, liquidez e horizontes se relacionam. Uma carteira equilibrada pode combinar fontes distintas de retorno e preservar recursos de curto prazo em instrumentos compatíveis com as necessidades do investidor.

Isso tampouco significa eliminar risco ou obter proteção garantida. Diversificação reduz algumas concentrações, mas não impede perdas simultâneas. O objetivo é diminuir a dependência de acertar uma única hipótese sobre juros, câmbio, commodities ou economia.

O relatório do BTG é um diagnóstico de riscos. Não um atalho para copiar uma carteira.

A contribuição mais útil do estudo é mostrar como três variáveis, juros reais, câmbio e percepção de risco, podem reprecificar simultaneamente ativos de setores diferentes. Em um ambiente assim, acompanhar apenas a cotação de uma ação pode esconder o verdadeiro grau de exposição do patrimônio.

Exposição cambial não é proteção perfeita. Uma exportadora pode se beneficiar da alta do dólar em parte de sua receita, mas também enfrenta variações de commodities, hedge, custos em dólar, demanda externa e decisões próprias de investimento.
Caixa e endividamento não substituem valuation. Empresas pouco alavancadas podem ter mais flexibilidade financeira, mas o preço pago pelas ações, a capacidade de gerar lucro e a governança continuam relevantes.
Juro real alto altera preços de ativos. Fluxos de caixa mais distantes tendem a sofrer mais quando a taxa usada para descontá-los aumenta. Isso não implica que toda empresa de crescimento vá cair, mas ajuda a entender a sensibilidade a juros.
Diversificar não é reproduzir uma lista. Combinar moedas, prazos, liquidez e fontes independentes de risco pode importar mais do que concentrar a carteira em vários papéis de um mesmo setor.

9. Como a Kaza Capital pode ajudar o investidor

A Kaza Capital pode ajudar o investidor a organizar a leitura do ambiente financeiro a partir do seu contexto patrimonial. Isso inclui entender a sensibilidade da carteira a variações de juros e câmbio, identificar concentrações excessivas, avaliar a compatibilidade entre liquidez e objetivos e discutir como diferentes classes de ativos se encaixam em um planejamento de médio e longo prazo.

O papel desse acompanhamento não é adivinhar a cotação de amanhã nem apresentar como certeza uma projeção de mercado. Trata-se de oferecer método, informação e acompanhamento para que decisões não sejam tomadas apenas pela pressão de uma manchete. Qualquer indicação efetiva de investimento depende de avaliação individualizada do perfil e das circunstâncias do cliente.

A lista de empresas discutida nesta reportagem é atribuída exclusivamente ao BTG Pactual. Sua divulgação não deve ser interpretada como uma orientação individual da Kaza para adquirir, vender ou manter os papéis mencionados.

Conclusão: entre a previsão do banco e a decisão de cada investidor

O estudo divulgado em 26 de outubro recolocou em discussão três elementos capazes de afetar profundamente a precificação dos ativos brasileiros: uma queda potencial da Bolsa, o câmbio e as taxas reais de longo prazo. Seus números são projeções de analistas e estarão sujeitos a mudanças conforme surgirem novos dados econômicos e decisões de política fiscal e monetária.

A comparação histórica do BTG e sua seleção de empresas ajudam a entender onde os analistas identificam riscos e características de maior resistência relativa. Mas a conclusão prática mais ampla é que o planejamento patrimonial deve sobreviver à incerteza, e não depender da confirmação de uma única previsão.

Kaza Capital | BTG Pactual

Sua carteira está diversificada para enfrentar a volatilidade?

Entenda como diferentes cenários de juros e câmbio afetam seu patrimônio, identifique concentrações de risco e avalie sua estratégia de investimentos com acompanhamento especializado.

Conversar com a Kaza Capital

Fontes e transparência editorial
Brazil Journal — BTG projeta queda de 30% do Ibovespa em dólar e juro real em 8% (26/10/2026)
EXAME — Ações citadas pelo BTG para o cenário pós-eleitoral (26/10/2026)
Valor Econômico — Cobertura do mesmo relatório (26/10/2026)
Gráfico histórico e tabela: materiais fornecidos para esta reportagem; dados atribuídos ao BTG Pactual. O relatório de pesquisa original não foi fornecido integralmente à redação. A matéria se baseia nas informações disponibilizadas pelas publicações citadas e nos quadros encaminhados.
Aviso importante: Conteúdo informativo e jornalístico. As projeções, cenários e ações mencionadas são atribuídos aos analistas do BTG Pactual e não constituem previsão própria nem recomendação de investimento da Kaza Capital. Não há garantia de realização dos cenários ou de desempenho dos papéis citados. Investimentos envolvem riscos, inclusive perda de capital. Avaliações individuais dependem do perfil e dos objetivos do investidor.
Não perca tempo

Entre em contato agora mesmo

Fale com um especialista

    Também podem te interessar

    Leia outras postagens

    Lula é Reeleito: Dólar Dispara, Ibovespa Futuro Cai e o Mercado Enfrenta Forte Volatilidade

    Americanas Sai da Recuperação Judicial e AMER3 Dispara 15,6%: O Que Realmente Mudou Para o Investidor?

    Prudential Anuncia Venda à CNP Assurances por US$ 4 bilhões: o que muda para os clientes?