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Ações de Hermès e Kering Desabam Após Balanços e Arrastam Setor de Luxo na Europa

Por Thaís Marinho
Mercados • Internacional
Abril 2026

Resultados trimestrais abaixo das expectativas de Hermès e Kering derrubaram papéis do setor de luxo nas bolsas europeias, com reflexos em LVMH, Burberry e Moncler.

O segmento de luxo europeu abriu a sessão desta terça-feira sob forte pressão vendedora. Os balanços do primeiro trimestre de Hermès e Kering — controladora da Gucci — decepcionaram o mercado e desencadearam um movimento de aversão generalizada aos papéis do setor no índice Stoxx 600.

As ações da Hermès recuaram 14%, enquanto os papéis da Kering perderam 10% de valor. A leitura predominante entre analistas, segundo a CNBC, é de que o segmento permanece vulnerável a choques geopolíticos e à perda de fôlego no consumo de alta renda em mercados estratégicos.

Mudanças em setores globais impactam diferentes classes de ativos no portfólio.

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Hermès cresce, mas fica aquém das projeções

A grife francesa reportou faturamento de 4,1 bilhões de euros (cerca de US$ 4,8 bilhões) entre janeiro e março. O número representa uma expansão de 5,6% na comparação anual — um ritmo sólido para a maioria das empresas, mas insuficiente diante dos 7,1% esperados pelo consenso de mercado.

O descompasso veio principalmente de pontos de venda em aeroportos e no Oriente Médio, regiões onde o fluxo de turistas de alto poder aquisitivo desacelerou diante das tensões geopolíticas envolvendo o Irã. Além disso, analistas apontam que a perda de tração da economia chinesa — historicamente um dos pilares do consumo de artigos de luxo — adicionou uma camada extra de preocupação à queda dos papéis.

Kering enfrenta cenário mais adverso com retração da Gucci

O quadro da Kering se mostrou ainda mais delicado. A companhia registrou receita de 3,57 bilhões de euros no trimestre, uma contração de 6% frente ao mesmo intervalo do ano anterior. A principal fonte de pressão segue sendo a Gucci, cuja receita orgânica encolheu 8%, sinalizando que a marca ainda não conseguiu reverter o ciclo de dificuldades.

A operação no Oriente Médio também pesou no resultado: a receita de varejo na região caiu 11%, segundo dados detalhados pela própria companhia. Atualmente, a Kering mantém 79 lojas na área, que responde por cerca de 5% do faturamento total do grupo.

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Contágio atinge Burberry, LVMH e Moncler

A onda negativa não se limitou às duas companhias. Nomes como Burberry, Christian Dior, LVMH e Moncler também registraram quedas moderadas ao longo do pregão, indicando que o mercado passou a revisar suas expectativas para o segmento como um todo.

A própria LVMH, controladora da Louis Vuitton, já havia reconhecido impactos diretos do conflito no Oriente Médio sobre seus números, estimando que a instabilidade na região reduziu em aproximadamente um ponto percentual o crescimento orgânico do trimestre, conforme apuração da CNBC. Ainda assim, analistas ouvidos pelo canal ponderam que mercados como Estados Unidos e China seguem demonstrando algum grau de resiliência no consumo de produtos premium.

Kering prepara plano de reestruturação com foco na Gucci

Diante do desempenho aquém do esperado, o CEO da Kering, Luca de Meo, deve apresentar na quinta-feira (16), durante o Capital Markets Day do grupo, um plano amplo de reestruturação. O executivo afirmou que “a Gucci continua sendo nossa principal prioridade” e que uma revisão abrangente está em curso, envolvendo estratégia de clientes, rede de distribuição e, sobretudo, a oferta de produtos.

Para especialistas, os resultados recentes funcionam como um ajuste de expectativas para o setor. A combinação entre instabilidade geopolítica, desaceleração do consumo chinês e dificuldades operacionais em marcas-chave sugere que a volatilidade nos papéis de luxo deve persistir no curto prazo.

Movimentos globais exigem visão estratégica de portfólio.

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Fonte: Exame; CNBC.

Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.

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