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Ata do Copom: BC reduz juros para 14,75% e reforça cautela diante de incertezas globais

Por Thaís Marinho
Política Monetária
Copom

O Banco Central divulgou nesta terça-feira (24) a ata da mais recente reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano.

O documento indica que, apesar do início do processo de flexibilização monetária, a autoridade mantém um tom cauteloso diante do cenário de inflação ainda acima do centro da meta e do aumento das incertezas no ambiente global.

Inflação segue no radar

Segundo o Banco Central, a inflação permanece acima do centro da meta de 3,0% ao ano, embora dentro da banda de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

O Comitê destacou que a política monetária restritiva adotada nos últimos períodos tem contribuído para o processo de desinflação, ainda em curso.

No cenário de referência, as projeções indicam inflação de 3,9% em 2026 e 3,3% até o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante da política monetária.

Geopolítica entra no foco do Copom

A ata introduz um novo fator de atenção: os desdobramentos do conflito no Oriente Médio.

Segundo o documento, a escalada das tensões internacionais tem impacto direto sobre o preço do petróleo, influenciando a dinâmica inflacionária global e doméstica.

O Comitê destacou que o cenário atual é marcado por forte aumento da incerteza, exigindo uma condução mais cautelosa da política monetária.

Atenção ao cenário internacional

Além da geopolítica, o Copom reforçou que acompanha a trajetória da política monetária nos Estados Unidos.

O Federal Reserve (Fed) tem enfrentado dificuldades para iniciar cortes de juros, diante de uma inflação persistente e do agravamento das tensões internacionais.

Esse cenário, segundo o Banco Central, contribui para elevar a volatilidade global e exige maior cautela por parte de países emergentes.

Cenário doméstico e atividade econômica

No ambiente interno, o Comitê destacou que a atividade econômica apresenta sinais de moderação no crescimento, em linha com o esperado.

A desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) ao final de 2025 reflete, em parte, os efeitos defasados do ciclo prolongado de juros elevados.

O arrefecimento da demanda agregada é visto como elemento necessário para o reequilíbrio entre oferta e demanda e para a convergência da inflação à meta.

Alinhamento entre política fiscal e monetária

A ata também reforça a importância da harmonização entre política fiscal e monetária.

O Comitê reiterou que as políticas econômicas devem ser previsíveis, críveis e anticíclicas, destacando que a coordenação entre as esferas é fundamental para garantir estabilidade macroeconômica.

Com isso, o Banco Central sinaliza que os próximos passos na condução da taxa de juros dependerão da evolução do cenário inflacionário, das condições externas e da consistência da política econômica doméstica.


Fonte: Renan Sousa, Money Times — “Ata do Copom: BC mantém tom cauteloso após reduzir juros”.

Referência: Banco Central do Brasil; ata do Copom; cenário macroeconômico e projeções oficiais de inflação.

Disclaimer: Este material tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimentos. Dados econômicos podem ser revisados e estão sujeitos a alterações.

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