Carteira Recomendada de Fundos Imobiliários — Setembro 2026: ajustes no segmento de recebíveis e shoppings
Agosto foi um mês de transição para os fundos imobiliários. Enquanto o cenário internacional seguiu marcado pela incerteza sobre os próximos passos do Federal Reserve — com dados de emprego mais fracos nos Estados Unidos aliviando parte da pressão sobre juros, mas indicadores de inflação como o PCE mantendo o mercado em alerta —, o Brasil consolidou um movimento importante: o Copom reduziu a Selic para 14,00% e sinalizou espaço para a continuidade do ciclo de cortes. Esse tipo de sinalização tende a ser especialmente relevante para uma classe de ativo sensível à curva de juros, como é o caso dos fundos imobiliários.
Nesse contexto, o time de Research do BTG Pactual publicou a atualização mensal da carteira recomendada de fundos imobiliários referente a setembro de 2026, com ajustes pontuais na composição. As mudanças refletem tanto uma reavaliação de risco em uma das posições quanto um reforço estratégico em segmentos considerados bem posicionados para o momento atual do ciclo econômico. A seguir, explicamos a lógica por trás de cada decisão — sem revelar os fundos específicos, que fazem parte do material exclusivo disponibilizado pela Kaza Capital.
FIIs · Recebíveis · Renda Mensal
Cenário do mês
O mês de agosto reforçou a percepção de desaceleração da atividade econômica doméstica, ao mesmo tempo em que a inflação mostrou sinais mais claros de descompressão. A composição do IPCA de julho foi beneficiada por recuos em alimentos e vestuário, além de uma deflação em serviços intensivos em mão de obra — um conjunto de fatores que, somado a indicadores como IBC-Br e Caged, sustentou a decisão do Copom de reduzir a Selic. Do lado externo, o mercado segue dividido entre o alívio trazido por um mercado de trabalho americano mais fraco e o desconforto persistente com a inflação nos Estados Unidos, o que tende a manter a volatilidade elevada até a próxima decisão do Federal Reserve.
Nesse ambiente, o IFIX registrou queda no período, e a carteira recomendada do BTG Pactual acompanhou o movimento, ainda que com uma perda relativamente menor — evidência de que a seleção ativa de fundos tem contribuído para atenuar parte da volatilidade do mercado secundário. Vale destacar que o fiscal segue como um dos principais pontos de atenção para o fechamento da curva de juros longa, com o déficit primário e a dívida pública pressionando as taxas mais longas, mesmo com a desinflação favorecendo os vértices curtos.
Selic em queda, ciclo de cortes segue aberto
O Copom reduziu a Selic para 14,00% e indicou espaço para a continuidade do ciclo de cortes — um cenário historicamente favorável para ativos de maior duration e sensibilidade a juros, como os fundos imobiliários, especialmente aqueles ligados ao segmento de recebíveis.
Rendimento e atratividade relativa
A carteira recomendada segue com um dividend yield anualizado agregado de 11,8%, equivalente a cerca de 91% do CDI líquido — ou aproximadamente 107% quando ajustado ao CDI gross-up, considerando a isenção de imposto de renda sobre os rendimentos distribuídos a pessoas físicas. O patrimônio da carteira negocia, em média, com um leve desconto em relação ao valor patrimonial dos fundos que a compõem, o que reforça a leitura de que parte do mercado ainda não precificou integralmente a melhora do cenário de juros no curto prazo. Historicamente, esse tipo de descasamento entre valor de mercado e valor patrimonial tende a se reduzir à medida que o ciclo de cortes de juros avança e o apetite por ativos de renda se normaliza.
Desempenho no mês
A carteira recuou 0,95% em agosto, uma queda menor do que a registrada pelo IFIX no mesmo período, reforçando a resiliência relativa da seleção do BTG Pactual mesmo em um mês de correção do mercado secundário.
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Distribuição por segmento
A carteira mantém uma concentração relevante em fundos de recebíveis imobiliários, seguida por exposição a galpões logísticos, shopping centers e lajes corporativas. Essa distribuição reflete a leitura do BTG Pactual sobre onde estão as melhores relações de risco e retorno dentro do universo de FIIs no momento atual do ciclo de juros.
Recebíveis
47,0%
Maior peso da carteira, concentrado em fundos com carteiras de crédito pulverizadas, boa liquidez e capacidade de estruturação própria — características valorizadas em um cenário de juros ainda elevados, mas em trajetória de queda.
Galpões Logísticos
25,0%
Segunda maior alocação, apoiada em portfólios com boa diversificação regional, contratos de longo prazo e exposição a setores como e-commerce e distribuição.
Shopping Centers
11,5%
Exposição a portfólios de shoppings maduros, com potencial de geração de ganhos adicionais por meio da venda seletiva de ativos e reciclagem de portfólio.
Lajes Corporativas
9,5%
Posição voltada a ativos de escritórios em regiões consideradas resilientes, com leitura de um cenário de médio prazo favorável à recuperação do segmento.
Renda Urbana
7,0%
Menor fatia da carteira, associada a um portfólio diversificado de imóveis com exposição ao varejo, contratos atípicos e contrapartes de perfil consolidado no setor.
O que mudou de mês a mês
Saída de posição no segmento de recebíveis. Um dos fundos de recebíveis da carteira foi desmontado diante do provável movimento de incorporação por outro veículo do mesmo segmento — situação que tende a alterar a dinâmica de negociação e o perfil de risco da tese original. Apesar de reconhecer a qualidade da carteira de crédito do fundo, o BTG Pactual optou por remover a posição neste momento, priorizando previsibilidade em um cenário já marcado por volatilidade macroeconômica.
Reforço em dois fundos de recebíveis. A alocação em dois fundos do segmento de recebíveis foi ampliada. A lógica considera a relevância desses veículos dentro do mercado de crédito imobiliário, sua elevada liquidez e a capacidade de estruturação própria das gestoras responsáveis — fator que permite maior controle sobre as garantias negociadas e condições mais atrativas de carrego para os cotistas.
Aumento de exposição a shopping centers. A posição em um fundo de shopping centers foi ampliada, com base em um portfólio de ativos maduros, boa diversificação regional e potencial de reciclagem de imóveis ao longo do tempo — características que, segundo o Research do BTG Pactual, reforçam a atratividade da tese no contexto atual.
Redução pontual em shopping centers. Em contrapartida, houve uma redução moderada em outro fundo do mesmo segmento, com o objetivo específico de rebalancear a carteira após os movimentos anteriores — e não como resultado de uma mudança na avaliação sobre a qualidade do ativo.
A Superquarta de setembro e o cenário eleitoral
Um ponto de atenção para as próximas semanas é a chamada “Superquarta” de setembro, quando Federal Reserve e Copom devem anunciar suas decisões de juros na mesma data. O resultado combinado tende a ser determinante para avaliar o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos e o espaço remanescente para flexibilização adicional da política monetária doméstica — variável central para o desempenho de ativos de maior sensibilidade a juros, como os fundos imobiliários.
Fator adicional a acompanhar
O início oficial da campanha eleitoral já começa a influenciar o prêmio de risco doméstico e os fluxos de investidores estrangeiros — um vetor de volatilidade que tende a se somar às discussões sobre política monetária nos próximos meses.
Do ponto de vista estratégico, os ajustes feitos na carteira de setembro têm uma lógica comum: reduzir exposição a situações de maior incerteza específica — como a possível incorporação de um fundo — e reforçar posições em segmentos com fundamentos sólidos e maior previsibilidade de geração de caixa. É uma diferença importante em relação a uma abordagem baseada apenas em perseguir o maior yield disponível no mercado secundário: aqui, o critério central é a qualidade e a resiliência da tese ao longo do ciclo, não apenas o retorno pontual de curto prazo.
Rebalancear uma carteira de fundos imobiliários não significa reagir a cada oscilação do IFIX, mas sim revisar continuamente se a composição de segmentos, gestoras e teses de investimento ainda faz sentido diante do cenário macroeconômico vigente. É esse tipo de raciocínio — e não apenas os nomes dos fundos selecionados — que sustenta a consistência de uma carteira recomendada ao longo do tempo. A carteira completa, com os 16 fundos, seus respectivos pesos e a tese detalhada de cada posição, está disponível para quem quiser aprofundar essa análise através da Kaza Capital.
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Fonte: Carteira Recomendada Fundos Imobiliários (FII), BTG Pactual Research, setembro de 2026. Dados: Gestoras, Economatica e BTG Pactual.
Este conteúdo foi elaborado pela Kaza Capital com base no relatório público do BTG Pactual e tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não constitui oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. As opiniões e projeções aqui mencionadas são do time de Research do BTG Pactual e podem mudar sem aviso prévio. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros. Investimentos envolvem riscos, incluindo possibilidade de perda do capital investido. Antes de tomar qualquer decisão de investimento, consulte um assessor credenciado.
A Kaza Capital atua como escritório de assessoria de investimentos vinculado ao BTG Pactual.