Carteira Recomendada de Small Caps — Julho 2026: duas trocas em busca de mais margem de segurança
Junho foi um mês particularmente difícil para as empresas de menor capitalização na bolsa brasileira. Enquanto o Ibovespa terminou o mês com uma queda moderada, o índice de small caps recuou de forma bem mais acentuada, penalizado pela maior sensibilidade desse grupo de empresas ao cenário de juros domésticos ainda elevados e à cautela dos investidores em relação a negócios mais expostos ao mercado interno.
Foi nesse contexto que o time de Research do BTG Pactual publicou a atualização mensal da carteira recomendada de small caps para julho. A carteira, composta por dez ativos com valor de mercado individual de até aproximadamente R$ 15 bilhões, passou por duas trocas pontuais no mês. Neste artigo, explicamos a lógica por trás da seleção e das mudanças — sem entrar nos ativos específicos, reservados para quem tiver acesso ao relatório completo.
Small Caps · Crescimento · Alocação Setorial
Cenário do mês: small caps sofrem mais do que o mercado
O pano de fundo macroeconômico em junho seguiu desafiador para o mercado acionário brasileiro como um todo: inflação ainda acima da meta, pouco espaço para o Banco Central acelerar o corte de juros, e uma postura fiscal mais expansionista às vésperas das eleições presidenciais de outubro, pressionando as taxas de juros de longo prazo. Esse ambiente costuma penalizar de forma desproporcional as empresas de menor capitalização, que em geral têm maior exposição ao mercado doméstico, menor liquidez e maior sensibilidade ao custo de capital do que as companhias mais líquidas do Ibovespa.
Foi exatamente esse padrão que se confirmou em junho: o índice de small caps caiu bem mais do que o índice geral da bolsa, ampliando a diferença de performance acumulada no ano entre os dois grupos de ativos.
A diferença de performance se ampliou no ano
Desde 31 de dezembro de 2025, o índice de small caps acumula queda de 4,6%, enquanto o Ibovespa sobe 6,8% no mesmo período — uma diferença de mais de 11 pontos percentuais entre os dois grupos de ativos.
Valuation: múltiplos ainda descontados em diversos setores
Apesar do cenário mais desafiador, o time de Research segue enxergando oportunidades pontuais de valuation dentro do universo de small caps. Diversos ativos da carteira negociam a múltiplos de lucro projetado para 2026 abaixo de 10 vezes — patamar considerado atrativo pelo BTG Pactual diante das taxas de crescimento de lucro projetadas para os próximos anos, que em alguns casos superam 30% ao ano. Essa combinação de crescimento elevado com múltiplos comprimidos é justamente o que sustenta boa parte da tese de seleção da carteira: encontrar negócios de qualidade sendo negociados com desconto relevante em relação ao seu potencial de geração de valor no médio prazo.
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Distribuição por setor
A carteira de julho manteve uma concentração relevante em serviços básicos, mas ganhou diversificação com a entrada de um novo setor — bens de capital — em substituição a uma das posições do setor bancário. A composição setorial ficou assim:
Serviços Básicos
30%
Maior fatia da carteira, reunindo uma companhia de saneamento recém-privatizada em processo de reestruturação regulatória, uma concessionária de saneamento negociando com forte desconto sobre sua base de ativos regulatória e uma empresa de gestão de resíduos com histórico consistente de alocação de capital.
Varejo
20%
Uma rede de academias com plataformas digitais em expansão e uma rede farmacêutica em processo de reestruturação financeira, ambas negociando a múltiplos considerados atrativos frente ao potencial de crescimento de lucro projetado.
Imobiliário
10%
Uma construtora voltada à habitação de baixa renda, beneficiada pelas recentes mudanças no principal programa habitacional do país, que ampliaram a acessibilidade dos compradores da faixa de renda mais baixa.
Agronegócio
10%
Uma companhia de insumos agrícolas e originação de grãos, sustentada por margens em recuperação e um histórico consistente de crescimento rentável, mesmo após um trimestre de resultados mais pressionado.
Financeiro
10%
Uma fintech digital de grande escala, com balanço patrimonial sólido e carteira de crédito altamente colateralizada, negociando a um múltiplo considerado descontado frente ao crescimento de lucro projetado (nova entrada).
Bens de Capital
10%
Uma fabricante de ônibus e carrocerias entra na carteira, sustentada por um contrato relevante de fornecimento a um programa público de transporte escolar e por perspectiva de melhora sequencial de volumes e margens ao longo do segundo semestre (nova entrada).
Vale destacar que a carteira não possui exposição a tecnologia isoladamente — o único representante do setor está classificado sob a ótica de crescimento de dois dígitos combinado a forte geração de caixa, uma combinação que o time de Research considera rara no segmento de tecnologia brasileiro.
O que mudou de junho para julho
Saída de uma instituição financeira de menor porte. O time do BTG Pactual retirou da carteira uma instituição financeira de menor porte, que tinha 10% de peso no setor bancário. A saída abriu espaço para uma nova abordagem de exposição ao setor financeiro dentro da carteira de small caps.
Entrada de uma fintech digital de grande escala. Em seu lugar, entrou uma fintech digital que acumulava queda expressiva no ano após uma forte correção registrada depois da divulgação de resultados do primeiro trimestre. Desde então, porém, a convicção do time de Research na tese aumentou, sustentada por eventos institucionais recentes e por reuniões com a administração da companhia. A leitura é de que o mercado passou a precificar o ativo mais como uma fintech de alta volatilidade do que pelos seus fundamentos — que incluem um balanço patrimonial sólido, uma carteira de crédito altamente colateralizada e uma sensibilidade menor ao cenário de juros do que no passado.
Saída de uma varejista especializada. A carteira também deixou de contar com uma varejista especializada, que tinha 10% de peso no setor de varejo.
Entrada de uma fabricante de bens de capital. Em seu lugar, entrou uma fabricante de ônibus e carrocerias, adicionando um novo setor à carteira. Embora o primeiro trimestre tenha sido considerado fraco pelo time de Research — refletindo desaceleração de exportações e sazonalidade típica do período —, a expectativa é de melhora relevante no momento de resultados ao longo do segundo e terceiro trimestres, sustentada por um contrato de fornecimento de longo prazo a um programa público de transporte escolar.
Desempenho da carteira
Junho, ano e histórico
Em junho, a carteira de small caps caiu 1,9% — um desempenho inferior ao do Ibovespa (-1,0%), mas superior ao do próprio índice de small caps, que recuou 3,3% no período. No acumulado do ano, a carteira sobe 0,5%, contra alta de 6,8% do Ibovespa e queda de 4,6% do índice de small caps. Olhando para o histórico completo desde julho de 2010, quando a estratégia foi lançada, o retorno acumulado supera 5.900%, contra 182,3% do Ibovespa e 93,5% do índice de small caps no mesmo período — uma diferença expressiva a favor da seleção ativa do BTG Pactual frente aos índices de referência.
Olhando para a performance individual dos ativos em junho, os melhores desempenhos vieram justamente de dois nomes ligados a setores considerados mais defensivos dentro do universo de small caps — saneamento e construção de baixa renda —, enquanto os piores desempenhos do mês ficaram concentrados exatamente nos dois ativos que deixaram a carteira neste mês, reforçando a lógica por trás da decisão de reposicionamento.
Leitura estratégica
O mês de julho ilustra um ponto importante sobre investir em empresas de menor capitalização: a volatilidade elevada, que costuma afastar parte dos investidores, é também a origem de boa parte das oportunidades de valuation que o segmento oferece. A troca de uma instituição financeira por uma fintech digital que sofreu forte correção no ano é um exemplo claro disso — o próprio time de Research reconhece que o mercado, em determinado momento, passou a precificar o ativo mais pela volatilidade do que pelos fundamentos, criando uma margem de segurança que a equipe decidiu capturar.
Esse tipo de decisão exige um horizonte de investimento mais longo e tolerância a oscilações de curto prazo — características inerentes ao universo de small caps, mas que, segundo o histórico da própria estratégia desde 2010, têm sido recompensadas de forma consistente ao longo do tempo. A composição completa da carteira, com todos os 10 ativos e seus respectivos pesos e indicadores, está disponível para quem tiver acesso ao relatório completo via Kaza Capital.
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Fonte: Carteira Recomendada de Ações — Small Caps, BTG Pactual Equity Research, 01 de julho de 2026. Dados: Economatica e BTG Pactual.
Este conteúdo foi elaborado pela Kaza Capital com base no relatório público do BTG Pactual e tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não constitui oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. As opiniões e projeções aqui mencionadas são do time de Research do BTG Pactual e podem mudar sem aviso prévio. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros. Investimentos envolvem riscos, incluindo possibilidade de perda do capital investido. Antes de tomar qualquer decisão de investimento, consulte um assessor credenciado.
A Kaza Capital atua como escritório de assessoria de investimentos vinculado ao BTG Pactual.