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Copom decide Selic nesta quarta com inflação pressionada e atividade econômica mista

Por Thaís Marinho
Economia • Política Monetária
Abril 2026

Banco Central reúne indicadores de inflação, atividade e emprego para calibrar novo corte na taxa básica de juros em meio a pressões externas.

O Banco Central encerra nesta quarta-feira (29) mais uma reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), com o mercado amplamente posicionado para uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, que passaria dos atuais 14,75% para 14,50%. A decisão será tomada após análise de um conjunto de dados econômicos publicados desde o último encontro do comitê, em um cenário doméstico marcado por sinais contraditórios e um ambiente externo ainda turbulento, com a guerra no Oriente Médio sustentando a cotação do petróleo em patamares elevados.

Os números recentes de inflação, nível de atividade, setor de serviços e mercado de trabalho compõem o painel que os diretores do BC terão diante de si para definir o ritmo adequado do ciclo de afrouxamento monetário.

Movimentos na taxa de juros impactam diferentes classes de ativos no portfólio.

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Inflação surpreende e acende sinal de alerta

O IPCA de março registrou variação de 0,88%, acima do que o mercado projetava, devolvendo preocupações sobre a trajetória dos preços no curto prazo. A pressão veio de três frentes simultâneas: combustíveis, alimentos e serviços.

O grupo de transportes foi o principal responsável pela surpresa, com a gasolina subindo 4,47% e o óleo diesel avançando 13,90% no mês, reflexo direto das tensões geopolíticas que mantêm o barril de petróleo em patamares elevados. Ao mesmo tempo, os serviços — componente historicamente mais difícil de desacelerar por estar ligado à demanda interna — também vieram acima do esperado. Itens como refeições fora de casa, transporte por aplicativo e atividades de lazer pressionaram o núcleo da inflação, sinalizando que a dinâmica subjacente dos preços segue resistente.

A média dos núcleos inflacionários surpreendeu para cima, reforçando a percepção de que a desinflação não será linear. O IPCA-15 de abril, divulgado nesta terça-feira (28), adiciona mais uma camada de informação ao diagnóstico do BC.

Atividade econômica cresce, mas sem consenso sobre fôlego

O IBC-Br, indicador do Banco Central que funciona como prévia do PIB, avançou 0,6% em fevereiro na comparação mensal, em linha com as estimativas. Contudo, no confronto com o mesmo período de 2025, houve recuo de 0,3%, o que gerou divergência entre analistas sobre a solidez da retomada.

A leitura setorial mostra que a indústria puxou o resultado positivo, com o crescimento concentrado em segmentos voltados ao mercado interno, sustentado pela resiliência do emprego e pela renda real mais elevada. Por outro lado, já surgem indícios de perda de dinamismo na demanda das empresas e em parte do setor de serviços, o que coloca dúvidas sobre a continuidade desse ritmo nos próximos meses.

Acompanhar a política monetária faz parte do planejamento patrimonial.

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Serviços batem recorde, mas ficam abaixo das projeções

O volume de serviços no país cresceu 0,1% em fevereiro frente a janeiro, alcançando o maior patamar da série histórica do IBGE. O avanço, porém, ficou bem aquém da expectativa de 0,5% apurada pela Reuters. Na comparação anual, o crescimento foi de 0,5%, contra projeção de 1,7%.

O dado reforça que a demanda doméstica se mantém firme, mas com sinais de moderação no ritmo de expansão — um quadro que tende a pesar na avaliação do Copom sobre o grau de aquecimento da economia.

Mercado de trabalho segue aquecido, com desemprego em 5,8%

A taxa de desocupação ficou em 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro de 2026, segundo o IBGE. O número representa alta em relação ao trimestre de setembro a novembro de 2025 (5,2%), mas queda de 1 ponto percentual frente ao mesmo intervalo de 2025 (6,8%). A população desocupada totalizou 6,2 milhões de pessoas, enquanto o contingente de ocupados somou 102,1 milhões — com leve recuo de 0,8% no trimestre, mas avanço de 1,5% na base anual.

O conjunto de indicadores apresenta ao Copom um cenário de atividade que desacelera em alguns setores, inflação que resiste em componentes estruturais e um mercado de trabalho que segue apertado. A combinação justifica, na visão predominante do mercado, a manutenção do ciclo de cortes, porém em ritmo mais cauteloso do que o observado em fases anteriores do afrouxamento.

Informação é o primeiro passo. Estratégia é o próximo.

Entenda como as decisões de juros afetam seu patrimônio com quem acompanha o mercado de perto.

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Fonte: Money Times; IBGE; Reuters.

Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.

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