Agosto 2026
O principal índice da bolsa brasileira opera no campo negativo nesta segunda-feira, pressionado pelo anúncio de novas sanções dos Estados Unidos ao Irã e pela disputa eleitoral que segue sem um favorito definido a poucos meses do primeiro turno.
Por volta das 10h30 (horário de Brasília), o Ibovespa recuava cerca de 1%, cotado próximo aos 169,3 mil pontos. O movimento acompanha a cautela global diante da escalada de tensão entre Washington e Teerã, enquanto o dólar avançava frente ao real, refletindo também o comportamento da moeda americana no exterior.
A combinação de fatores externos e internos mantém o investidor atento a diferentes frentes: geopolítica, cenário eleitoral e os próximos indicadores econômicos que devem pautar a semana.
Cenários voláteis reforçam a importância de uma estratégia de portfólio bem definida.
Sanções ao Irã pressionam petróleo e dólar
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, deve se pronunciar ainda hoje para detalhar o novo pacote de sanções direcionado a Teerã e a seus parceiros econômicos, descrito pelo governo americano como o mais rígido já aplicado ao país. A medida eleva o nível de tensão em torno do fornecimento global de petróleo.
A China, uma das maiores compradoras do petróleo iraniano, sinalizou no fim de semana apoio à manutenção do diálogo diplomático entre as partes, o que pode gerar novos pontos de atrito com os Estados Unidos. Já o chanceler iraniano minimizou o impacto das sanções, classificando-as como um sinal de fragilidade da política americana.
O reflexo já aparece nos preços internacionais: os contratos futuros de Brent e WTI para outubro operavam em queda na manhã desta segunda-feira, recuando mais de 1% cada um.
Corrida presidencial segue sem definição clara
Nova pesquisa BTG Pactual/Nexus, divulgada nesta segunda-feira, mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 46% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 45% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A diferença entre os dois caiu de 3 para 1 ponto percentual em relação ao levantamento anterior, mantendo o empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos.
A rejeição ao presidente subiu de 48% para 49% do eleitorado, enquanto a de Flávio Bolsonaro recuou de 50% para 48%. O potencial de voto de Lula permaneceu estável em 50%, ao passo que o do senador cedeu de 48% para 47%.
No fim de semana, o primeiro debate presidencial, promovido pelo Grupo Bandeirantes em parceria com o Estadão, reuniu apenas parte dos candidatos — Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema (Novo) não participaram. Ao longo da semana, a Rede Globo realiza sabatinas individuais com os principais nomes da disputa.
Momentos de indefinição política pedem análise cuidadosa dos impactos sobre os investimentos.
Boletim Focus aponta atividade mais fraca e inflação mais persistente
O relatório Focus, elaborado com base em consultas do Banco Central ao mercado, trouxe revisão para baixo nas projeções de crescimento econômico. A estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 recuou de 1,98% para 1,95%. Para 2027, a previsão ficou estável em 1,50%, enquanto a de 2028 subiu de 1,89% para 1,98%.
Do lado da inflação, a mediana do IPCA para 2026 permaneceu em 5,02%, mas a projeção para 2027 avançou pela segunda semana seguida, passando de 4,24% para 4,25%. A expectativa para a Selic em 2026 seguiu inalterada em 13,75% ao ano.
No câmbio, a estimativa para o dólar em 2026 permaneceu em R$ 5,20, patamar mantido há dez semanas consecutivas. Já para 2027, a mediana subiu de R$ 5,29 para R$ 5,30.
Agenda da semana: inflação, emprego e Jackson Hole
A semana reserva divulgações relevantes para o mercado. Na quarta-feira (26), sai o IPCA-15 de agosto, com expectativa de deflação puxada pela sazonalidade favorável dos alimentos in natura. Na quinta (27) e na sexta-feira (28), são conhecidos os dados de desemprego e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
No exterior, o Simpósio de Política Econômica de Jackson Hole acontece entre quinta e sábado, nos Estados Unidos. Será a estreia de Kevin Warsh no evento à frente do Federal Reserve, embora não haja expectativa de sinalizações mais concretas sobre os próximos passos da política monetária americana.
O conjunto de fatores — geopolítico, eleitoral e macroeconômico — reforça um cenário de múltiplas variáveis em movimento simultâneo, o que tende a manter a volatilidade como pano de fundo para os próximos pregões.
Cenários complexos pedem estratégia clara.
Acompanhar o mercado é o primeiro passo. Ter uma estratégia é o que faz a diferença.
Fonte: Money Times (Anna Scabello); Reuters.
Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.