Agosto 2026
A bolsa brasileira estende a sequência positiva nesta quarta-feira, impulsionada por um dado de inflação mais fraco que o esperado. No radar externo, resultados da Nvidia e o rumo dos preços do petróleo também concentram a atenção dos investidores.
O Ibovespa segue em trajetória de alta pela sexta sessão seguida nesta quarta-feira (26), reagindo a um número de inflação considerado favorável pelo mercado. Por volta de 10h23, o índice avançava 0,86%, aos 176.080,39 pontos, enquanto o dólar operava em leve valorização frente ao real, refletindo o movimento da moeda americana também no exterior.
O pano de fundo do dia combina notícias domésticas e internacionais: de um lado, um dado de preços que reforça a percepção de acomodação inflacionária no Brasil; de outro, sinais mistos vindos dos Estados Unidos e do mercado de energia, que ajudam a compor o humor dos investidores ao longo do pregão.
Movimentos de mercado exigem acompanhamento contínuo.
Prévia da inflação surpreende e traz primeira deflação do ano
O IPCA-15, prévia oficial da inflação apurada pelo IBGE, recuou 0,40% em agosto — a primeira leitura negativa do índice em 2026. No acumulado de 12 meses, a alta ficou em 4,24%, número dentro do intervalo de tolerância definido pelo Banco Central, cuja meta central é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
O resultado veio abaixo do que o mercado projetava: a mediana da pesquisa Projeções Broadcast apontava queda de 0,30% no mês e alta de 4,34% em 12 meses. Um dos fatores que explicam a deflação foi a entrada do bônus de Itaipu na conta de energia elétrica residencial, o que levou o grupo de Habitação a cair 1,41% na leitura do mês.
Cenário externo mistura inflação nos EUA e recuo do petróleo
Nos Estados Unidos, o índice de inflação PCE — referência acompanhada de perto pelo Federal Reserve — subiu 0,2% em julho e acumula alta de 3,7% no ano, patamar acima da meta de 2% perseguida pelo banco central americano. O núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, também avançou 0,2% no mês e soma 3,3% em 12 meses. Os números vieram levemente acima do esperado por analistas consultados pela FactSet, o que tem dividido as apostas do mercado sobre uma possível redução de juros pelo Fed entre outubro e novembro.
Já no mercado de energia, os preços do petróleo recuavam nesta quarta, na esteira de notícias sobre negociações envolvendo Irã e Omã a respeito do Estreito de Ormuz. Uma fonte iraniana informou à Reuters que um entendimento entre os países ainda está em construção, após a agência russa RIA Novosti noticiar na véspera um possível cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã — informação que já havia derrubado os preços em até 5% no pregão eletrônico de terça-feira. Por volta de 10h20, o Brent para outubro caía 2,90%, a US$ 87,91 o barril, enquanto o WTI recuava 3,11%, a US$ 82,37 o barril.
Entender o cenário é o primeiro passo para decisões mais seguras.
Resultado da Nvidia concentra atenções do mercado global
Fora do radar doméstico, os investidores também acompanham a divulgação dos resultados da Nvidia referentes ao segundo trimestre de 2026, prevista para depois do fechamento dos mercados desta quarta-feira. Segundo analistas, um dos pontos de maior interesse não é apenas a receita da companhia, mas uma possível exposição de cerca de US$ 200 bilhões em créditos fora do balanço.
O tema se conecta a um debate mais amplo sobre o ritmo de investimentos em inteligência artificial por parte das empresas de tecnologia. Em relatório, analistas do UBS BB avaliam que os gastos do setor devem seguir em ritmo forte: “Nosso cenário-base continua sendo de que os gastos com IA permanecerão robustos”, escreveram, ao elevar a projeção de investimentos globais em capital voltados à IA para US$ 1,2 trilhão em 2027, ante cerca de US$ 900 bilhões estimados para 2026.
O conjunto de informações — inflação doméstica mais amena, sinais mistos nos Estados Unidos, petróleo em queda e expectativa em torno da Nvidia — compõe um dia de mercado marcado por múltiplas variáveis simultâneas, reforçando a importância de acompanhar o cenário de forma integrada.
Cenários complexos pedem estratégia clara.
Acompanhe o mercado com quem pensa em portfólio, não apenas em notícia.
Fonte: Money Times; IBGE; Reuters; UBS BB.
Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.