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Ibovespa recua com tensões no Oriente Médio e mercado de olho nas decisões de juros da próxima semana

Por Thaís Marinho

MERCADOS • AÇÕES
Abril 2026

Bolsa brasileira encerra semana encurtada em queda de 2%, pressionada por incertezas geopolíticas, déficit externo acima do previsto e cautela antes das reuniões de política monetária.

O principal índice acionário do país registrou desvalorização de 0,20% na manhã desta sexta-feira (24), operando na faixa dos 190.993 pontos. No acumulado da semana, o Ibovespa perdeu cerca de 2%, refletindo um ambiente de aversão a risco alimentado por múltiplos fatores simultâneos.

No câmbio, o dólar à vista apresentava leve apreciação frente ao real, cotado a R$ 5,0086, com alta de 0,06%. O movimento contrariou a tendência global da moeda americana, já que o índice DXY — que mede o dólar contra uma cesta de divisas fortes — recuava 0,13%, aos 98.639 pontos.

Semanas de volatilidade exigem acompanhamento atento e visão estratégica de portfólio.

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Governo propõe mecanismo para aliviar preço dos combustíveis

O Executivo enviou ao Congresso um projeto de lei complementar que cria um instrumento para converter receitas extraordinárias geradas pela valorização do petróleo em reduções tributárias sobre combustíveis. Na prática, a proposta prevê cortes em PIS, Cofins e Cide que beneficiariam diesel, gasolina, etanol e biodiesel.

Segundo os ministros da Fazenda, Dario Durigan, e do Planejamento, Bruno Moretti, a base de cálculo para a arrecadação extra incluiria royalties, dividendos, Imposto de Renda e CSLL incidentes sobre a cadeia petrolífera e sobre as vendas da Pré-Sal Petróleo S/A (PPSA). Os eventuais cortes teriam vigência mínima de dois meses, com reavaliação periódica vinculada à duração do conflito no Irã.

Contas externas acendem sinal de atenção

Os dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira mostraram um déficit em transações correntes de US$ 6,036 bilhões em março — resultado significativamente acima da projeção de mercado, que apontava saldo negativo de US$ 5,489 bilhões, segundo pesquisa da Reuters. No mesmo mês de 2025, o rombo havia sido de US$ 2,930 bilhões.

No acumulado de 12 meses, o déficit já equivale a 2,71% do PIB. Paralelamente, o fluxo de investimentos diretos no país ficou aquém das expectativas, reforçando a necessidade de monitoramento da dinâmica externa.

Consumidor mais confiante, mas com ressalvas

Na contramão dos indicadores externos, a percepção do consumidor brasileiro melhorou em abril. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da FGV subiu 1 ponto, alcançando 89,1 — o maior patamar desde dezembro de 2025.

De acordo com Anna Carolina Gouveia, economista do FGV IBRE, o avanço reflete sobretudo uma avaliação mais favorável da situação financeira entre famílias de renda mais baixa, com ganhos mensais de até R$ 2.100.

Indicadores divergentes pedem leitura integrada do cenário antes de qualquer decisão patrimonial.

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BC testa mercado cambial com dois leilões simultâneos

O Banco Central realizou na manhã desta sexta-feira duas operações simultâneas no mercado de câmbio: uma oferta de venda à vista de US$ 1 bilhão e outra de swap cambial reverso com capacidade de até 20 mil contratos. Nenhuma das duas recebeu propostas aceitas pela autoridade monetária.

Na prática, a venda à vista retiraria dólares das reservas internacionais para injetar no mercado, enquanto o swap reverso equivaleria a uma compra de dólares no mercado futuro. A ausência de negócios nos dois leilões sugere que os preços ofertados não atenderam às condições buscadas pelo BC.

Oriente Médio: cessar-fogo parcial, mas sem avanço amplo

No front geopolítico, Líbano e Israel estenderam o cessar-fogo por mais três semanas após negociações mediadas em Washington, segundo o presidente Donald Trump. O Hezbollah, no entanto, não participou das tratativas e classificou o acordo como vazio diante do que chamou de ações hostis contínuas por parte de Israel.

O impasse nas conversas entre Estados Unidos e Irã permanece como principal fator de pressão sobre os mercados de energia. O barril do Brent era negociado a US$ 105,47, com leve alta de 0,39%, enquanto o WTI recuava 0,25%, a US$ 95,64.

Com o petróleo sustentado acima dos US$ 100 e as decisões de política monetária no horizonte imediato da próxima semana, os investidores devem manter postura cautelosa nos próximos pregões.

Cenários complexos pedem estratégia clara.

Conte com assessoria especializada para navegar momentos de incerteza com segurança.

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Fonte: Money Times; Reuters.

Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.

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