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Melhores Ações para Junho de 2026: carteira recomendada do BTG Pactual

Por Thaís Marinho

 

 

Carteira Recomendada
Junho de 2026

Carteira Recomendada de Ações — Junho 2026: Qualidade e Defensividade no Foco do BTG Pactual

Maio foi um mês difícil para as ações brasileiras. O Ibovespa encerrou o período com queda superior a 7% em reais e acumulou uma retração de cerca de 13% desde seu pico em meados de abril. O movimento foi amplificado por uma combinação de fatores internos e externos: a inflação acima da meta limitou as apostas em cortes de juros mais expressivos pelo Banco Central; o cenário político ganhou novas camadas de incerteza às vésperas das eleições presidenciais de outubro; e, no exterior, o forte rali das ações de tecnologia nos Estados Unidos, Coreia do Sul e Taiwan redirecionou o fluxo de capital estrangeiro para longe dos mercados emergentes. Resultado: investidores estrangeiros retiraram cerca de R$ 27 bilhões da bolsa brasileira desde meados de abril.

Ainda assim, o time de Research do BTG Pactual enxerga nas recentes quedas uma janela de entrada — e não um motivo para abandono. Com essa perspectiva, a carteira 10SIM foi atualizada para junho de 2026 com foco em adicionar nomes de qualidade e perfil defensivo, aproveitando valuations que voltaram a patamares historicamente atrativos. O artigo a seguir explica a lógica dos movimentos, a distribuição setorial e o racional estratégico por trás das escolhas.

Carteira 10SIM — BTG Pactual Equity Research

10 ações para Junho
Publicada em 01 de junho de 2026

Ações · Ibovespa · Valuation · Eleições · Energia

Cenário do mês: múltiplos pressionados, mas atraentes

O Ibovespa perdeu cerca de 13% em reais desde seu pico de abril, operando agora a um P/L projetado de 12 meses de 9,4 vezes (excluindo as grandes empresas de commodities) e de apenas 8,1 vezes quando as incluímos. Esses patamares representam aproximadamente um desvio padrão abaixo da média histórica do índice — um nível que, historicamente, sinalizou janelas relevantes de entrada para investidores de longo prazo.

Três vetores concentraram as pressões de venda em maio. O primeiro foi a reaceleração inflacionária doméstica: com o IPCA projetado em torno de 5% para 2026 e acima do teto da meta, o mercado reviu drasticamente as apostas no ciclo de cortes do Banco Central — o consenso migrou de 300 pontos-base para aproximadamente 175 pontos-base de afrouxamento no ano, enquanto a curva de juros precifica algo ainda mais conservador. O segundo vetor foi o cenário político: o quadro eleitoral ficou mais complexo com novos desenvolvimentos na campanha presidencial, elevando as incertezas sobre disciplina fiscal no próximo mandato. O terceiro foi externo: ações de tecnologia registraram forte valorização em maio nos EUA e em mercados asiáticos, atraindo fluxos de capital que saíram de emergentes.

Fluxo Estrangeiro — Alerta de Saída

Investidores estrangeiros retiraram R$ 14 bilhões das ações brasileiras apenas em maio, somando R$ 27 bilhões desde meados de abril. No acumulado do ano, o fluxo negativo chegou a R$ 42 bilhões. Apesar disso, a alocação de fundos globais no Brasil segue em patamar historicamente elevado — 0,75% — o que sugere que o movimento ainda não configura uma saída estrutural.

O prêmio de risco das ações brasileiras — medido pela diferença entre o lucro/preço do mercado e as taxas de juros reais de longo prazo — voltou à sua média histórica de 3,1%, mesmo em um cenário de juros longos em patamar extremamente elevado. Segundo o Research do BTG Pactual, isso é notável: mesmo com o custo do dinheiro nas alturas, o mercado está precificando as ações como se fossem adequadamente remuneradas pelo risco. Quando comparado a pares emergentes, o Brasil negocia com desconto expressivo frente a índices de países como China, México e Índia.

Temporada de resultados do 1T26: leitura mista

Com a temporada de balanços do primeiro trimestre de 2026 encerrada, o BTG Pactual fez um balanço detalhado. No agregado, excluindo as grandes empresas de commodities, os resultados ficaram levemente acima das estimativas: receitas superaram as projeções em 1%, o EBITDA em 0,3% e o lucro líquido em 1,6%. O resultado parece sólido à primeira vista, mas a leitura mais granular revela nuances relevantes.

As empresas voltadas ao mercado doméstico apresentaram crescimento de receita, mas margens e lucros ficaram abaixo do esperado — reflexo direto das altas taxas de juros que pesam sobre o custo financeiro das companhias mais alavancadas e do ambiente de crédito mais restrito. Por outro lado, os setores de commodities — especialmente petróleo e gás e serviços de utilidade pública — foram destaque positivo, com crescimento expressivo de EBITDA e lucro líquido em relação ao mesmo período do ano anterior.

1T26 em Números — Panorama Consolidado

Excluindo commodities: receita +8,9% e EBITDA +13,8% em relação ao 1T25, com aceleração em relação ao 4T25. Lucro líquido das empresas domésticas praticamente estável (-0,4% a/a), pressionado por taxas de juros elevadas. Setores de destaque positivo: petróleo e gás (+102,6% no lucro líquido a/a) e serviços básicos (+19,7% na receita). Varejo e alimentos e bebidas foram os pontos de maior pressão no período.

O setor bancário merece atenção: a maioria das grandes instituições privadas conseguiu crescer lucros na comparação anual, mas abaixo das expectativas. O banco público de maior exposição ao agronegócio revisou para baixo seu guidance de lucro em aproximadamente 17%, pressionado por custos de crédito elevados na carteira rural e crescimento da inadimplência no crédito ao consumidor.

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Distribuição por setor — Junho 2026

A 10SIM de junho mantém 10 posições com alocações que variam de 5% a 15%. A estratégia reforça a diversificação entre setores defensivos e cíclicos de qualidade, com aumento expressivo da exposição a serviços básicos e redução em petróleo e transportes para acomodar os novos ingressos.

Serviços Básicos

30%

Maior alocação da carteira. Três empresas do setor elétrico com perfil defensivo, proteção contra inflação e fluxo de caixa de longa duração. Inclui geradoras e distribuidora de energia.

Transportes

20%

Duas empresas com geração de caixa de longa duração: uma líder em locação de veículos e uma operadora de rodovias concedidas. Ambas negociam com TIRs reais atrativas acima de 10%.

Bancos

15%

Uma única posição concentrada no maior banco privado do país, escolhido pela solidez do balanço e pela gestão proativa do risco de crédito em um ambiente mais desafiador.

Bens de Capital

10%

Uma fabricante de aeronaves com carteira de pedidos robusta e aceleração esperada de resultados no segundo semestre. Valuation com desconto em relação ao histórico.

Petróleo e Gás

10%

Exposição reduzida em relação ao mês anterior. A estatal integrada de petróleo permanece na carteira, mas com peso menor dado o avanço das negociações de paz no Oriente Médio.

Telecom e Tecnologia

10%

Uma empresa de software de gestão empresarial, líder em seu segmento no Brasil, que voltou a patamares de valuation historicamente associados a pontos de entrada interessantes.

Construção Civil

5%

Uma construtora voltada ao segmento de habitação popular com crescimento expressivo de lucros esperado em 2026, forte geração de caixa e dividend yield atrativo.

O que mudou de maio para junho

O BTG Pactual realizou três movimentos principais nesta atualização, todos orientados pelo mesmo princípio: aproveitar a correção recente para aumentar a qualidade e a defensividade da carteira.

Saída da fintech de crédito digital / Entrada do maior banco privado do país (15%)
O Research do BTG Pactual optou por trocar a posição em fintech de crédito digital pela âncora tradicional do setor bancário privado, com peso de 15%. A lógica é direta: em um ambiente de crédito mais restritivo, com juros elevados e inadimplência sob pressão, o banco incumbente oferece balanço sólido, redução proativa da exposição ao risco e qualidade de ativos comprovada. A ação sofreu correção nos últimos 30 dias por razões macroeconômicas e de sentimento, o que o deixou em valuation mais atrativo — configurando um ponto de entrada oportuno segundo a análise do BTG Pactual.

Saída da operadora de shopping centers / Entrada da distribuidora de energia (10%)
A operadora de shoppings foi substituída por uma distribuidora de energia elétrica com perfil defensivo e duration superior a 10 anos. A tese é clara: proteção total contra inflação, baixa sensibilidade a desaceleração econômica e uma TIR real implícita relevantemente acima das taxas longas do Brasil — um spread de risco que o Research do BTG Pactual considera assimétrico. Com essa inclusão, o setor de serviços básicos passou a concentrar 30% da carteira.

Redução da posição em petróleo (de 15% para 10%) e em locação de veículos (de 15% para 10%)
As reduções serviram para abrir espaço para as novas entradas e reequilibrar o risco. No caso do petróleo, o avanço das negociações de cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã reduziu a necessidade de manutenção de uma posição de hedge geopolítico no tamanho anterior. No caso da locação de veículos, a companhia segue na carteira com convicção — os fundamentos continuam sólidos — mas a alocação foi ajustada para acomodar os movimentos de forma equilibrada.

Contexto Eleitoral — Outubro 2026 no Radar

O cenário político ganhou nova configuração em maio após revelações que afetaram a campanha presidencial da oposição. Pesquisas recentes mostram vantagem do presidente incumbente no segundo turno, com margens que variam de 4 a 7 pontos percentuais dependendo do instituto. Para o mercado financeiro, a maior probabilidade de reeleição do governo atual é associada, por alguns analistas, a menor rigor fiscal e taxas de juros longas potencialmente mais altas por um período maior — o que ajuda a explicar parte do movimento recente da curva de juros e da bolsa.

Leitura estratégica

Há uma tensão clássica neste tipo de momento: o cenário macro piora, o mercado cai, o fluxo estrangeiro sai — e o investidor hesita. É exatamente nessa hesitação que residem, historicamente, as melhores janelas de entrada em bolsa.

Os estrategistas do BTG Pactual não estão ignorando os riscos reais: inflação resistente, incerteza política pré-eleitoral, custo do capital elevado, semana de trabalho mais curta impactando setores de mão de obra intensiva. O que o Research faz, no entanto, é colocar esses riscos em perspectiva frente ao preço que o mercado já colocou neles. Com o Ibovespa negociando a múltiplos um desvio padrão abaixo da média, com o prêmio de risco das ações de volta à média histórica e com o Brasil ainda sendo um dos poucos países com trajetória definida de queda de juros no curto prazo — mesmo que mais lenta —, a relação entre risco e retorno segue sendo avaliada como favorável.

A composição da carteira de junho reflete essa leitura com precisão. A concentração em serviços básicos com fluxo de caixa longo, proteção inflacionária e baixa ciclicidade é a resposta técnica ao ambiente. O banco privado de qualidade retorna como âncora para o setor financeiro. As posições em petróleo e commodities são mantidas, mas calibradas. E os setores com fundamentos preservados — software, aeronaves, construção popular — seguem no portfólio com convicção, mesmo sem protagonismo de curto prazo.

A carteira completa, com os 10 ativos recomendados para junho de 2026, está disponível para clientes da Kaza Capital com conta aberta no BTG Pactual.

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Fonte: Carteira Recomendada de Ações (10SIM) — BTG Pactual Equity Research, 01 de junho de 2026. Dados: Economática, Bloomberg, B3, Anbima, EPFR e Banco Central do Brasil.

Este conteúdo foi elaborado pela Kaza Capital com base no relatório público do BTG Pactual e tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não constitui oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. As opiniões e projeções aqui mencionadas são do time de Research do BTG Pactual e podem mudar sem aviso prévio. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros. Investimentos envolvem riscos, incluindo possibilidade de perda do capital investido. Antes de tomar qualquer decisão de investimento, consulte um assessor credenciado.

A Kaza Capital atua como escritório de assessoria de investimentos vinculado ao BTG Pactual.

 

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