Agosto foi um mês de nervosismo para a bolsa brasileira. Com a eleição presidencial se aproximando e ainda sem um favorito claro, investidores estrangeiros retiraram parte relevante de seus recursos do mercado local nas primeiras semanas do mês — o maior movimento de saída mensal do ano. O Ibovespa, ainda assim, conseguiu encerrar o período praticamente estável em reais, sustentado por uma reversão de fluxo nos últimos dias de agosto, mas ficou atrás de boa parte de seus pares latino-americanos e do mercado americano quando medido em dólares.
Nesse contexto, o time de Research do BTG Pactual publicou a atualização mensal da carteira recomendada de ações para setembro. As mudanças foram pontuais, mas carregam uma leitura clara sobre como os estrategistas do banco estão se posicionando diante de um cenário eleitoral ainda indefinido e de uma situação fiscal que segue no centro das atenções. Neste artigo, explicamos o raciocínio por trás dos ajustes e o contexto que sustenta a estratégia atual.
10SIM — BTG Pactual Research
Eleições · Juros · Câmbio
Cenário do mês
O pano de fundo de agosto foi dominado pela proximidade da eleição presidencial. Segundo o relatório do BTG Pactual para setembro, os investidores estrangeiros retiraram um volume expressivo de recursos da bolsa brasileira até meados do mês, refletindo cautela diante da situação fiscal do país e de uma corrida eleitoral que, segundo as pesquisas mais recentes, segue praticamente indefinida no segundo turno. Ainda assim, nos últimos dias de agosto essa tendência começou a se inverter, com entradas líquidas que ajudaram o principal índice da bolsa a encerrar o mês próximo da estabilidade em reais.
Os juros de longo prazo tiveram um leve alívio no mês, mas os estrategistas do BTG Pactual avaliam que o nível ainda precifica um risco fiscal considerável. A visão do banco é a de que o mercado já embute a expectativa de reeleição do atual governo e de poucos avanços na agenda fiscal em um eventual novo mandato — o que mantém os juros reais em patamar elevado na comparação histórica.
Fluxo estrangeiro em compasso de espera
Agosto registrou a maior saída mensal de estrangeiros da bolsa brasileira em 2026, mas o movimento perdeu força na reta final do mês, com uma reversão parcial que sinaliza cautela — não necessariamente pessimismo — diante do desfecho eleitoral.
Valuation: um desconto que já aparece nos números
De acordo com a análise do Research do BTG Pactual, as ações brasileiras seguem sendo negociadas em níveis considerados atrativos frente à própria história. Excluindo as duas maiores companhias do índice, o múltiplo de preço sobre lucro projetado está um desvio-padrão abaixo da média histórica, e o prêmio oferecido pelas ações em relação aos juros reais de longo prazo do país está muito próximo da média de longo prazo — um sinal, na leitura dos estrategistas, de que o mercado ainda não precifica um cenário de melhora fiscal, o que abre espaço para valorização caso esse cenário se concretize.
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Distribuição por segmento
Com os ajustes de setembro, a carteira ficou estruturada em cinco grandes blocos, refletindo a leitura dos estrategistas de que juros de longo prazo e câmbio são, hoje, as duas variáveis com maior potencial de retorno independentemente do desfecho fiscal e eleitoral do país.
Serviços Básicos e Infraestrutura
50%
Ações de fluxo de caixa de longa duração — energia, saneamento e concessões — que devem se beneficiar diretamente de uma eventual queda dos juros de longo prazo.
Financeiro
10%
Posição em um grande banco privado, com peso reduzido neste mês diante de um ambiente de crédito potencialmente mais desafiador em 2027.
Teses de Câmbio
20%
Exportadoras com receita dolarizada, que funcionam como proteção diante de um cenário fiscal mais desafiador e de um real potencialmente mais fraco.
Petróleo, Câmbio e Dividendos
15%
Maior posição individual da carteira, em uma companhia com forte geração de caixa e política de dividendos consistente, também funcionando como proteção cambial.
Dividendos e Construção de Baixa Renda
5%
Exposição reduzida, mas mantida, a uma construtora voltada a programas habitacionais de baixa renda, favorecida por condições de crédito mais acessíveis.
O que mudou de agosto para setembro
Os estrategistas do BTG Pactual ajustaram a composição da carteira com duas movimentações principais para setembro.
Troca no segmento de saneamento. Uma companhia de água e esgoto de Minas Gerais deu lugar a uma companhia de saneamento paulista, negociando a uma taxa interna de retorno real de 10,5%. Na avaliação do time de Research, a nova posição oferece uma relação risco-retorno mais atrativa dentro do mesmo segmento, mantendo o peso da carteira em Serviços Básicos.
Entrada no setor de Saúde e redução em duas posições. Uma fabricante de software, que vinha performando bem desde sua inclusão meses atrás, deu lugar a uma rede hospitalar de alta qualidade e fluxo de caixa de longa duração, com alavancagem moderada e negociando a um múltiplo de lucro consideravelmente abaixo de sua média histórica — o que os estrategistas leem como um ponto de entrada atrativo após a recente correção das ações domésticas. Paralelamente, o peso do banco privado foi reduzido de 15% para 10%, e o da construtora de baixa renda, de 10% para 5%, redistribuindo risco dentro da carteira sem alterar sua filosofia central.
O pano de fundo eleitoral
Segundo o relatório do BTG Pactual para setembro, as pesquisas mais recentes mostram uma disputa de segundo turno praticamente empatada, com uma diferença de apenas alguns pontos percentuais entre os dois principais candidatos — um cenário que os estrategistas classificam como indefinido. Ao mesmo tempo, chamou atenção o desempenho acima do esperado de um candidato de fora do establishment político no primeiro turno, o que reforça a percepção de que o resultado final ainda é incerto.
Por que isso importa para a carteira
É justamente essa indefinição que sustenta a lógica de manter a carteira dividida entre ativos que se beneficiam de uma melhora fiscal (juros de longo prazo mais baixos) e ativos que protegem contra um cenário de deterioração (câmbio). Nenhuma das duas apostas depende de acertar o resultado da eleição — e essa é, segundo o BTG Pactual, a principal vantagem da estratégia atual.
Leitura estratégica
O movimento do BTG Pactual em setembro ilustra um princípio importante para quem acompanha carteiras recomendadas: nem toda mudança de composição representa uma mudança de visão. Das duas trocas realizadas no mês, uma buscou simplesmente uma relação risco-retorno mais favorável dentro do mesmo segmento, enquanto a outra aproveitou uma correção pontual de preço para entrar em um ativo de qualidade a um múltiplo mais descontado. A estrutura macro da carteira — o equilíbrio entre juros de longo prazo e câmbio — permaneceu intacta.
Essa é, na prática, a diferença entre gestão tática e gestão estratégica: ajustar posições pontuais sem perder de vista a tese central que sustenta a carteira como um todo. Em um cenário eleitoral ainda indefinido, manter convicção na estrutura, mesmo fazendo pequenos ajustes táticos, tende a ser mais eficaz do que tentar antecipar o resultado das urnas. A carteira completa, com os dez ativos recomendados e o detalhamento de cada posição, está disponível para quem quiser aprofundar essa análise junto à Kaza Capital.
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Fonte: Carteira Recomendada de Ações (10SIM), BTG Pactual Equity Research, 01 de setembro de 2026. Dados: BTG Pactual, Economatica, Bloomberg, B3, EPFR, Banco Central do Brasil.
Este conteúdo foi elaborado pela Kaza Capital com base no relatório público do BTG Pactual e tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não constitui oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. As opiniões e projeções aqui mencionadas são do time de Research do BTG Pactual e podem mudar sem aviso prévio. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros. Investimentos envolvem riscos, incluindo possibilidade de perda do capital investido. Antes de tomar qualquer decisão de investimento, consulte um assessor credenciado.
A Kaza Capital atua como escritório de assessoria de investimentos vinculado ao BTG Pactual.