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Ouro em Desconto: Por Que Analistas Veem Potencial de Recuperação no Metal Precioso

Por Thaís Marinho
Mercados • Commodities
Junho 2026

Após desvalorização de aproximadamente um quarto de seu valor desde o pico histórico de janeiro, analistas identificam uma oportunidade tática no mercado de ouro, recomendando exposição a mineradoras da região latino-americana.

O ouro experimentou uma das correções mais significativas de sua história recente. Partindo de uma máxima histórica de US$ 5.595 por onça no primeiro mês do ano, o ativo perdeu cerca de 25% de seu valor até atingir patamares mínimos no início deste mês. Apesar da volatilidade, instituições financeiras começam a identificar sinais de que o pior da desvalorização pode ter ficado para trás.

A trajetória descendente do metal foi impulsionada por fatores conjunturais, não por mudanças estruturais nos fundamentos que sustentam seu valor. Dados econômicos mais robustos que o esperado nos EUA remodelaram as expectativas de política monetária. O mercado de trabalho norte-americano surpreendeu com um desempenho superior às previsões, enquanto a inflação permanece acima das metas estabelecidas pelas autoridades monetárias.

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Por Que o Ouro Caiu: Os Fatores por Trás da Correção

O principal gatilho da desvalorização foi a reconfiguração das expectativas de taxas de juros nos mercados americanos. Um dado de emprego surpreendentemente forte em início de junho provocou o maior declínio diário do metal em mais de três meses. Simultaneamente, indicadores inflacionários mantêm-se elevados: o índice de preços ao consumidor atingiu 4,2% ao ano em maio — o maior patamar desde abril de 2023.

Esse ambiente criou um cenário aparentemente desfavorável ao ouro, que historicamente se beneficia de expectativas de queda de juros e inflação controlada. Além dos dados econômicos, pressões técnicas aceleraram o movimento descendente. Vendas automáticas disparadas por computadores e a redução do prêmio de risco geopolítico — após o entendimento entre EUA e Irã — contribuíram para amplificar a queda.

Os Fundamentos Continuam Sólidos: Por Que Agora é Hora de Olhar

Apesar da queda expressiva, analistas ressaltam que os pilares que sustentam o valor do ouro permanecem intactos. A correção, na verdade, melhorou a posição técnica do ativo, com investidores tendo reduzido suas posições ao longo da desvalorização. Essa limpeza de excessos de posições abre espaço para uma recuperação quando as condições de mercado se reversão.

Um dos argumentos mais robustos para otimismo com o metal é o comportamento dos bancos centrais. No primeiro trimestre de 2026, as autoridades monetárias de nações emergentes acumularam 244 toneladas de ouro — acima da média histórica de 157 toneladas por trimestre nos últimos 15 anos. A China completou seu décimo oitavo mês seguido de acumulação, inclusive acelerando compras durante o período de correção. Polônia e Cazaquistão também mantêm fluxos consistentes de entrada.

Outro indicador relevante diz respeito à alocação global. Os mercados emergentes destinam apenas entre 5% e 10% de suas reservas de câmbio para ouro, enquanto a média internacional situa-se em 28%. Esse desequilíbrio sugere um longo período de acumulação estrutural pela frente, um fator que sustenta a tese de preços elevados no longo prazo.

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Três Mineradoras para Capturar a Retomada do Metal

Para aqueles que desejam se expor à potencial recuperação do ouro, uma alternativa está em mineradoras da região latino-americana que acumularam perdas significativas desde seus picos recentes. Essas companhias negociam atualmente com descontos expressivos em comparação com seus pares globais, oferecendo um custo de entrada mais atrativo.

Aris Mining (ARIS): A companhia apresenta o desconto mais expressivo do grupo analisado, com queda de aproximadamente 23% desde seu pico. O papel negocia a apenas 0,4 vez o valor patrimonial, representando um desconto de 40% frente à média de seus concorrentes latino-americanos. Analistas identificam um potencial de valorização de 113% com base em preço-alvo de US$ 37 por ação. A produtora possui projetos em estágio avançado de desenvolvimento, como Toroparu e Soto Norte, que ainda não foram incorporados às precificações de mercado.

Aura Minerals (AUGO): Entre as três, essa foi a que sofreu a maior desvalorização, acumulando recuo de aproximadamente 39% desde seu ápice recente. Negocia a 0,6 vezes o patrimônio líquido e a múltiplo de 4,5 vezes o fluxo operacional para 2026. Analistas destacam a eficiência operacional da empresa e um pipeline de crescimento bem estruturado, com operações em desenvolvimento como Borborema, Serra Grande e Era Dourada que podem impulsionar resultados futuros.

Buenaventura (BVN): Com retração de cerca de 21%, essa mineradora oferece exposição a dois metais preciosos simultaneamente — ouro e prata — em um ambiente onde ambos negociam em patamares historicamente elevados. A companhia está no processo de ativação de sua mina San Gabriel, que deverá adicionar aproximadamente 50 mil onças anuais em 2026 e superar 120 mil onças em 2027. Além disso, mantém participação de quase 20% em uma produtora de cobre de baixo custo, geradora de receitas estáveis e fluxos regulares de dividendos aos acionistas.

A Transformação Estrutural: Demanda de Investimento em Evidência

Uma das mudanças mais significativas no mercado de ouro dos últimos anos refere-se à composição de sua demanda. Historicamente dominado pela procura de joalharia, o mercado passou por uma transformação. No primeiro trimestre de 2026, a demanda associada a investimento representou 45% do total — impulsionada por preocupações geopolíticas, receios de desvalorização cambial e estratégias de diversificação de reservas em relação ao dólar americano.

A procura por joalharia, que era o principal motor do mercado, encolheu para apenas 28% da demanda total. Essa mudança reflete uma transformação no papel que o ouro desempenha nas economias modernas: menos ornamento, mais instrumento de proteção patrimonial. Analistas apontam ainda que o metal segue subinvestido no contexto global — sua participação no total de ações e títulos mundiais permanece abaixo do piso da faixa considerada ótima para alocação.

Esse desequilíbrio, combinado com o crescimento do ouro como instrumento de investimento e o papel cada vez maior dos bancos centrais de economias emergentes, oferece fundação para manutenção de preços elevados por um período prolongado. A tese sugere que a desvalorização recente ofereceu uma oportunidade tática, não uma ruptura de tendência.

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Fonte: BTG Pactual; World Gold Council; Exame.

Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.

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