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Petrobras retorna à carteira recomendada do BTG em meio à volatilidade global

Por Thaís Marinho
Mercados • Ações
Abril 2026

O BTG Pactual reorganiza sua carteira recomendada para abril, reintroduzindo Petrobras e Embraer enquanto reduz exposição a outras posições, em resposta ao ambiente de volatilidade geopolítica e fluxo constante de capital estrangeiro.

Desde o início da guerra envolvendo o Irã há pouco mais de um mês, os mercados globais enfrentam pressão de incerteza. O cenário brasileiro, porém, mantém-se resiliente. O Ibovespa recuou apenas 0,7% em reais durante março, enquanto o fluxo de investidores estrangeiros não arrefeceu: foram injetados aproximadamente R$ 9 bilhões na bolsa brasileira ao longo do mês, levando o acumulado do ano a R$ 51 bilhões.

Neste contexto, o banco revisou sua estratégia de alocação de ativos para o mês que se inicia. A carteira 10SIM — recomendação de investimento em ações do Ibovespa — recebeu ajustes pontuais que refletem uma aposta renovada em setores defensivos e em empresas capazes de oferecer retorno mesmo diante de cenários macroeconômicos mais desafiadores.

Tendências de mercado influenciam decisões patrimoniais. Entender esses movimentos é essencial.

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Petrobras e Embraer retornam à carteira recomendada

Entre as principais mudanças do mês, destaca-se o retorno da Petrobras (PETR4) como componente de 15% da carteira, elevando a exposição do portfólio ao setor de petróleo e gás de 10% para 15%. O banco avalia que a estatal oferece um equilíbrio adequado entre risco e potencial de retorno, especialmente em cenários onde o preço do barril recue. Segundo o relatório, com o petróleo negociado em torno de US$ 80 por barril, a empresa apresentaria um rendimento de fluxo de caixa livre de 9% e dividend yield de 8%.

A Embraer (EMBJ3) também volta ao portfólio após desvalorização de 17% em março. O banco considerou essa queda exagerada diante de fundamentals sólidos — carteira de pedidos robusta e perspectivas positivas para o médio prazo. Negociada a 10 vezes o EBITDA projetado para 2026, a empresa apresenta uma relação risco-recompensa que o BTG classificou como assimétrica e atrativa.

Saídas e reposicionamento tático

Para abrir espaço a essas inclusões, o BTG removeu Prio (PRIO3), Aura Minerals (AURA33) e Stone (STOC34) da carteira. Além disso, reduziu a participação da Allos de 10% para 5%, embora mantenha a empresa no portfólio — um movimento que sinaliza confiança moderada mas cautelosa.

Uma entrada também notável foi a de Cury (CURY3), marcando o retorno da exposição a construtoras focadas no segmento de baixa renda. O movimento é sustentado pelo fortalecimento de programas habitacionais e expectativas de crescimento de lucros. Embora o banco reconheça que a avaliação — com P/E de 8 vezes para 2026 — não seja “barganha”, considera a empresa uma aposta de alta qualidade, combinando crescimento robusto de lucros com dividendos atrativos.

Reposicionamentos de carteira como este refletem a dinâmica de mercado. Alinhar sua alocação com esses movimentos exige planejamento estratégico.

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Bolsa brasileira segue com avaliações atrativas para estrangeiros

Apesar da volatilidade geopolítica, o mercado brasileiro permanece competitivo em termos de valuation. O Ibovespa é negociado a 10,5 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses — quando excluídas Petrobras e Vale — representando desconto em relação às médias históricas. Para investidores estrangeiros, cujo custo de capital é menor, essa estrutura de preços torna o Brasil particularmente interessante.

O relatório do BTG aponta que, mesmo com a cautela dos investidores locais — que continuam retirando recursos de fundos de ações — o fluxo estrangeiro deve permanecer como pilar de sustentação do mercado. A expectativa é que, caso a rotação global de capital para fora dos Estados Unidos persista, o Brasil se mantenha como um dos principais destinos desses recursos.

A estrutura da carteira 10SIM para abril reflete essa confiança moderada: permanece concentrada em três pilares — financeiras (Itaú e Nubank, 20%), energia (Axia e Eneva, 20%) e empresas com fluxo de caixa de longa duração (Localiza e Motiva, 25%) — oferecendo diversificação sem abandonar setores defensivos.

Carteira 10SIM — Composição de abril de 2026

Empresa Ticker Peso (%)
Petrobras PETR4 15%
Localiza RENT3 15%
Itaú Unibanco ITUB4 10%
Nubank ROXO34 10%
Axia Energia AXIA3 10%
Embraer EMBJ3 10%
Eneva ENEV3 10%
Motiva MOTV3 10%
Allos ALOS3 5%
Cury CURY3 5%

Movimentos de mercado exigem visão estratégica de longo prazo.

Carteiras bem construídas navegam volatilidade com clareza de objetivos.

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Fonte: BTG Pactual, relatório de recomendações para abril de 2026.

Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.

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