Abril 2026
Declarações de Donald Trump sobre possível escalada militar contra o Irã derrubaram bolsas ao redor do mundo, dispararam o petróleo e colocaram investidores em modo defensivo antes do feriado prolongado.
A última sessão antes da Sexta-feira Santa trouxe um banho de água fria para quem apostava numa resolução rápida do conflito entre Estados Unidos e Irã. O otimismo que havia sustentado os ativos de risco nos dias anteriores perdeu força de forma abrupta após um pronunciamento do presidente norte-americano, que sinalizou endurecimento — e não recuo — na postura militar.
Trump declarou que os EUA podem atacar o Irã “com extrema força” em um horizonte de duas a três semanas e que pretende “enviar o Irã de volta à Idade da Pedra”. O presidente, no entanto, não apresentou um plano concreto de encerramento do conflito nem detalhou como seria uma transição para a estabilidade na região. Sobre o Estreito de Ormuz, rota marítima crítica para o comércio global de petróleo, limitou-se a afirmar que a passagem “se abrirá naturalmente” após as operações.
Movimentos de mercado exigem acompanhamento contínuo e visão estratégica de portfólio.
Petróleo dispara e criptoativos recuam
A ameaça de escalada militar na região do Golfo Pérsico teve reflexo imediato nas commodities energéticas. O barril do Brent saltou 7,40%, negociado a US$ 108,64, enquanto o WTI avançou 7,81%, atingindo US$ 107,96. O receio de interrupções no fornecimento via Estreito de Ormuz — por onde passa parcela relevante do petróleo mundial — impulsionou as cotações.
Na contramão, ativos considerados de maior risco sofreram. O bitcoin (BTC) recuou 3,3%, cotado em torno de US$ 66 mil, e o ethereum (ETH) caiu 4,4%, negociado próximo de US$ 2 mil. O ouro, que normalmente se beneficia de cenários de incerteza, também foi pressionado, com queda de 3,62%, a US$ 4.640 por onça-troy.
Bolsas globais operam no vermelho
O clima negativo contaminou praças financeiras de todos os continentes. Na Ásia, Tóquio liderou as perdas com recuo de 2,40% no Nikkei, seguido por Xangai (-0,74%) e Hong Kong (-0,70%). Na Europa, Frankfurt registrou a queda mais expressiva, com o DAX perdendo 1,90%, enquanto Paris e Londres também operaram em baixa.
Os futuros de Wall Street apontavam para abertura negativa: Nasdaq recuava 1,44%, S&P 500 caía 1,10% e Dow Jones cedia 0,92% no pré-mercado.
Cenários de instabilidade global impactam diferentes classes de ativos. Entender o contexto é o primeiro passo.
Como ficou o mercado brasileiro
O Ibovespa encerrou o pregão anterior com leve alta de 0,26%, aos 131.147 pontos, mas o cenário externo já pesava sobre os ativos brasileiros no pré-mercado desta quinta-feira. O iShares MSCI Brazil (EWZ), principal ETF do país negociado em Nova York, recuava 1,22%, cotado a US$ 37,90.
O dólar comercial havia fechado a sessão anterior a R$ 5,1566, em queda de 0,42%. Na agenda doméstica, o destaque do dia ficava com a divulgação da produção industrial de fevereiro, com expectativa de mercado apontando para expansão de 0,7% no período.
Agenda do dia: indicadores e compromissos
Além da produção industrial brasileira (9h), investidores acompanham os pedidos semanais de auxílio-desemprego e a balança comercial dos Estados Unidos, ambos às 9h30. No período noturno, saem os dados de PMI composto do Japão (21h30) e da China (22h45).
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tem audiência marcada com José Berenguer, CEO do Banco XP, às 11h30. Já o secretário do Tesouro Nacional, Dario Durigan, participa de reunião com secretários às 14h. O presidente Lula não tem compromissos públicos agendados para o dia.
Cenários complexos pedem estratégia clara.
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Fonte: Money Times; Bloomberg.
Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.