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Medicamentos para emagrecimento ganham espaço na B3 e alteram dinâmica do varejo

Por Thaís Marinho

Mercados • Ações
Março 2026

Segmento de fármacos GLP-1 pode multiplicar faturamento por cinco até 2030, segundo projeções do Itaú BBA, com reflexos diretos nas ações do varejo farmacêutico

Uma nova categoria de medicamentos voltados ao controle de peso está redesenhando expectativas no mercado de capitais brasileiro. Os fármacos à base de GLP-1 — popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras” — deixaram de ser apenas um fenômeno de comportamento para entrar no radar de analistas como fator de precificação de ativos.

Em relatório recente, o Itaú BBA estima que o segmento deve sair de um faturamento próximo a R$ 10 bilhões em 2025 para cerca de R$ 50 bilhões ao final da década. A expansão projetada reflete tanto a ampliação da oferta quanto a mudança gradual no perfil de consumidores que buscam esse tipo de tratamento.

Setores em transformação exigem leitura estratégica de portfólio.

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Redes de farmácias surfam a onda

O varejo farmacêutico tem capturado a maior parte dos ganhos até o momento. De acordo com o levantamento, grandes redes como RD, Panvel e Pague Menos apresentam participação nesse nicho proporcionalmente maior do que sua fatia no mercado geral de medicamentos.

O reflexo já aparece nas cotações. No acumulado de doze meses, os papéis da Pague Menos registram valorização superior a 100%, enquanto Panvel e RD também apresentam desempenho acima da média do setor.

Para o banco, o movimento pode ter fôlego adicional. A restrição de oferta atual — com demanda superando a disponibilidade — sugere que ainda há espaço para expansão quando esse gargalo for endereçado.

Vencimento de patentes muda o jogo

A perda de exclusividade da semaglutida — substância presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy — abre espaço para a entrada de versões genéricas. Com isso, a tendência é de ampliação do acesso e potencial redução de preços, o que deve atrair uma base maior de consumidores.

Atualmente, o número de usuários no Brasil é estimado entre 1,5 milhão e 2 milhões de pessoas — ainda insuficiente para gerar impactos perceptíveis em outros segmentos do varejo.

Acompanhar tendências de mercado faz parte do planejamento patrimonial.

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Setor alimentício no horizonte de risco

Embora os efeitos sobre a indústria de alimentos ainda sejam marginais no Brasil, o tema já aparece como ponto de atenção em análises de médio prazo. A lógica é simples: usuários desses medicamentos tendem a reduzir a ingestão calórica, o que pode afetar categorias específicas de consumo.

Nos Estados Unidos, onde a adoção está mais avançada, pesquisas indicam que alguns usuários chegam a diminuir em até 40% o consumo de determinados tipos de alimentos. Se o padrão se repetir no Brasil conforme o acesso se ampliar, empresas do setor podem precisar recalibrar projeções.

Por ora, o cenário favorece quem está posicionado na ponta da distribuição farmacêutica. O desdobramento para outros elos da cadeia de consumo permanece como variável a ser acompanhada.

Movimentos de mercado exigem visão de longo prazo.

Estruture suas decisões com apoio de quem acompanha o cenário de perto.

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Fonte: Itaú BBA; Seu Dinheiro.

Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.

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