Abril 2026
Dados de IPCA no Brasil e CPI nos Estados Unidos dominam a pauta desta sexta-feira, enquanto o impasse entre Irã e Israel mantém os mercados em alerta.
A sexta-feira, 10 de abril, reserva aos investidores uma agenda densa de indicadores de preços, com potencial para recalibrar as projeções sobre política monetária tanto no cenário doméstico quanto no exterior. O dia também carrega o peso da instabilidade geopolítica no Oriente Médio, que segue como pano de fundo relevante para a precificação de ativos de risco.
Logo nas primeiras horas da manhã, a Alemanha divulga os dados finais do índice de preços ao consumidor de março. A leitura preliminar havia apontado variação de 0,2% no mês e de 1,9% na comparação anual com janeiro. Embora o dado europeu não concentre as maiores atenções, contribui para compor o mosaico inflacionário global.
Movimentos de mercado exigem acompanhamento contínuo e visão estratégica.
IPCA de março entra no centro do debate sobre juros
Às 9h, o IBGE publica o IPCA de março, referência central para a condução da política monetária pelo Banco Central. Na leitura de fevereiro, o indicador registrou alta de 0,70% no mês, com acúmulo de 3,81% em doze meses. No mesmo horário, sai também o INPC, que havia marcado variação de 0,56% em fevereiro e 3,36% no acumulado anual.
Os números são aguardados com atenção especial pelo mercado, que busca pistas sobre a trajetória da Selic nas próximas reuniões do Copom. Uma leitura acima do esperado pode reforçar a percepção de que o ciclo de aperto monetário ainda terá fôlego, enquanto um dado mais brando tende a alimentar apostas em cortes mais cedo.
CPI americano pode redefinir apostas sobre o Fed
Meia hora depois do dado brasileiro, às 9h30, os Estados Unidos publicam o CPI de março, acompanhado do núcleo do índice — métrica que retira itens voláteis como energia e alimentos. Na última divulgação, o indicador cheio havia avançado 0,3% na margem mensal e 2,4% em doze meses, enquanto o núcleo subiu 0,2% no mês e 2,5% no acumulado anual.
O peso desses números nas decisões do Federal Reserve é significativo. A autoridade monetária americana tem condicionado qualquer movimento de flexibilização a evidências mais sólidas de convergência inflacionária. Dados acima das expectativas tendem a postergar cortes de juros, com reflexos diretos sobre o dólar e os mercados emergentes.
Ainda pela manhã, às 11h, a Universidade de Michigan apresenta a prévia de abril do índice de confiança do consumidor e das expectativas inflacionárias. Em março, a confiança ficou em 53,3 pontos, com projeções de inflação em 3,8% para os próximos doze meses e 3,2% no horizonte de cinco anos.
Entender o cenário é o primeiro passo para decisões mais seguras.
Oriente Médio mantém volatilidade no radar global
No campo geopolítico, o foco permanece sobre as tensões envolvendo Israel, Líbano e Irã. Washington deve receber, na próxima semana, o início de negociações diretas entre israelenses e libaneses com o objetivo de alcançar um cessar-fogo, enquanto conversas paralelas entre Estados Unidos e Irã estão previstas para o fim de semana em Islamabad, no Paquistão.
O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmou ter autorizado o início das tratativas para desarmar o Hezbollah e construir uma relação pacífica com o Líbano. No entanto, operações militares israelenses em território libanês seguem em andamento, mesmo após a sinalização de uma trégua mediada de duas semanas. Teerã, por sua vez, condicionou o avanço das negociações à interrupção das ofensivas, o que adiciona uma camada de incerteza ao processo diplomático.
Ibovespa renovou máxima histórica na véspera
Na sessão anterior, o Ibovespa encerrou em alta de 1,52%, aos 195.129 pontos, renovando seu recorde de fechamento. O resultado retoma a trajetória de valorização vista no começo do ano, que havia sido interrompida em março pela escalada das tensões no Oriente Médio.
O desempenho foi sustentado por papéis de peso no índice, mesmo com a Petrobras limitada pela desaceleração do petróleo. O Brent fechou cotado a US$ 95,92 o barril, com leve alta no after market, próximo a US$ 97. Segundo analistas, o fluxo estrangeiro e o ambiente de carry trade — favorecido pelo dólar mais fraco e pelos juros elevados no Brasil — têm impulsionado o mercado doméstico. No acumulado do ano, o índice avança cerca de 21% e se aproxima de seu recorde histórico em termos reais.
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Fonte: Exame.
Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.