Carteira Recomendada de Ações — Julho 2026: a carteira 10SIM fica mais defensiva
Junho foi um mês de acomodação para a bolsa brasileira. Depois de uma queda relevante em maio, o Ibovespa fechou o mês praticamente estável, andando de lado enquanto o mercado tentava decifrar os próximos passos da política monetária e o cenário eleitoral se aproximava de outubro. As taxas de juros de longo prazo, no entanto, não pararam de subir, refletindo o aumento dos gastos públicos às vésperas das eleições presidenciais — um movimento que voltou a pesar sobre o apetite dos investidores estrangeiros por ativos brasileiros.
Foi nesse contexto que o time de Research do BTG Pactual publicou a atualização mensal da sua carteira recomendada de ações para julho. O resultado foi uma carteira um pouco mais cautelosa, com menos exposição a ativos de longo prazo e mais peso em nomes considerados defensivos. Neste artigo, explicamos o raciocínio por trás de cada ajuste — sem entrar nos ativos específicos, que estão reservados para quem tiver acesso ao relatório completo.
Carteira 10SIM — BTG Pactual Research
Ações · Cenário Macro · Alocação Setorial
Cenário do mês: bolsa parada, juros subindo
O Ibovespa encerrou junho praticamente no zero a zero em reais, depois de uma queda de mais de 7% em maio. O desempenho ficou em linha com os principais pares latino-americanos, mas um pouco abaixo de mercados emergentes e da bolsa americana. O pano de fundo segue desafiador: a inflação segue acima da meta, o que reduz o espaço para o Banco Central cortar os juros, e o cenário de juros nos Estados Unidos também limita a margem de manobra da política monetária local.
O ponto mais sensível do mês, porém, foi o comportamento das taxas de juros de longo prazo. Com o governo aumentando gastos fiscais e parafiscais às vésperas das eleições presidenciais de outubro, as taxas reais de longo prazo voltaram a subir, encerrando junho em patamar elevado. Esse movimento tem um efeito direto sobre a bolsa: quanto mais alta a taxa de juros real, menos atrativo fica o prêmio de se investir em ações frente à renda fixa.
Fluxo estrangeiro em reversão
Depois de injetar cerca de R$ 69 bilhões na bolsa brasileira até meados de abril, o capital estrangeiro mudou de direção: foram R$ 36 bilhões em resgates entre abril e o fim de junho, reduzindo a alocação de fundos de mercados emergentes ao Brasil ao menor nível desde o final de 2024.
Valuation: bolsa barata, mas o prêmio encolheu
Olhando puramente para os múltiplos, a bolsa brasileira segue em patamar considerado atrativo pelo BTG Pactual, com o Ibovespa negociando abaixo da sua média histórica de preço sobre lucro projetado. A maioria dos setores está sendo negociada com desconto em relação às suas médias de longo prazo — com exceção do setor de serviços básicos, que aparece com prêmio.
O problema é que essa fotografia muda quando se compara o retorno esperado das ações com a taxa de juros real de longo prazo, que também subiu bastante no ano. O prêmio de se investir em ações frente aos títulos públicos fechou junho abaixo da sua média histórica, o que torna a decisão de alocação em bolsa menos óbvia — especialmente para o investidor local, que tem a alternativa de juros reais elevados como referência de comparação.
Eleições no radar
As pesquisas mais recentes mostram o atual presidente na liderança da corrida presidencial, tanto no primeiro quanto no segundo turno, com sua vantagem sobre o principal concorrente praticamente estável nas últimas semanas. O mercado tende a associar o cenário de reeleição a um compromisso fiscal mais frouxo, o que ajuda a explicar a pressão sobre as taxas de juros de longo prazo.
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Distribuição por setor
Diante desse cenário mais incerto, o BTG Pactual optou por deixar a carteira de julho um pouco mais defensiva, priorizando negócios com geração de caixa mais previsível e menos sensíveis à duration dos juros longos. A composição setorial ficou assim:
Serviços Básicos
20%
Duas geradoras de energia elétrica sustentam a maior fatia da carteira, favorecidas por um cenário de preços de energia mais elevados e maior necessidade de energia firme no sistema.
Imobiliário
15%
Uma operadora de shopping centers com modelo de receita previsível e proteção contra a inflação, combinada com uma construtora voltada à habitação popular, beneficiada pelo bom momento do crédito imobiliário subsidiado.
Bancos
15%
O maior banco privado do país segue como preferência do BTG Pactual entre as instituições financeiras, com qualidade de ativos sólida e postura conservadora diante de um ambiente operacional mais desafiador.
Petróleo e Gás
10%
Uma produtora estatal de petróleo e gás segue na carteira como proteção diante de eventuais instabilidades geopolíticas, além de oferecer dividendos elevados e resultados trimestrais consistentes.
Bens de Capital
10%
A principal fabricante de aeronaves do país segue na carteira, sustentada por um backlog robusto e uma demanda que se mostrou resiliente mesmo em meio a um cenário geopolítico mais tenso.
Transportes
10%
Uma operadora de rodovias pedagiadas segue como nome preferido do setor, sustentada por uma execução operacional consistente e catalisadores relevantes de expansão do portfólio de concessões.
Alimentos & Bebidas
10%
Uma fabricante de bebidas com portfólio de marcas difícil de igualar entra na carteira após um longo período de ausência, trazendo balanço sólido e retomada de poder de precificação.
TMT
10%
Uma desenvolvedora de software de gestão segue na carteira negociando perto de níveis historicamente associados a momentos de estresse extremo, apesar da operação sólida.
O que mudou de junho para julho
Redução de duration. O time do BTG Pactual retirou da carteira uma locadora de veículos e uma distribuidora de energia elétrica — dois ativos de fluxo de caixa mais longo, mais sensíveis à trajetória dos juros de longo prazo. A saída reforça a leitura de que, com as taxas reais em patamar elevado e sem catalisadores claros no curto prazo, faz sentido reduzir a exposição a negócios cujo valor depende mais fortemente de projeções distantes no tempo.
Entrada de uma posição defensiva no setor de bebidas. Em contrapartida, entrou na carteira uma fabricante de bebidas com histórico de geração de caixa resiliente, balanço patrimonial sólido e um dividend yield considerado atrativo. A tese aqui é de defensividade: um negócio historicamente estável, com portfólio de marcas difícil de replicar e sinais recentes de retomada de poder de precificação diante da concorrência.
Volta ao setor imobiliário, com maior peso em habitação popular. Uma operadora de shopping centers retornou à carteira, com participação de 5%, sustentada por um modelo de receita previsível, proteção natural contra a inflação e uma guidance de distribuição de dividendos considerada atrativa. Na mesma linha do setor imobiliário, o peso de uma construtora focada em habitação de baixa renda foi ampliado de 5% para 10%, beneficiada por mudanças recentes nas condições do principal programa habitacional do país, que ampliaram o público elegível ao crédito subsidiado.
Temporada de resultados e Copa do Mundo no radar
Dois fatores adicionais ajudam a explicar parte das escolhas do mês. Do lado corporativo, o segundo semestre tende a ser sazonalmente mais forte para diversos setores da carteira, com expectativa de resultados trimestrais consistentes à frente. Do lado do consumo, a proximidade da Copa do Mundo é vista pelo BTG Pactual como um catalisador de demanda relevante para o setor de bebidas, reforçando a tese por trás da nova posição defensiva incluída na carteira.
Desempenho de junho
A carteira 10SIM encerrou junho com valorização de 1,8%, superando tanto o Ibovespa (-1,0%) quanto o IBrX-50 (-1,3%) no período. No acumulado do ano, a carteira sobe 5,8%, ligeiramente abaixo dos dois índices de referência.
Leitura estratégica
O movimento da carteira 10SIM em julho ilustra um princípio importante de gestão de risco: quando o cenário fica mais incerto e os catalisadores de curto prazo desaparecem, reduzir a duration da carteira — isto é, diminuir a exposição a ativos cujo valor depende de projeções muito distantes no tempo — costuma ser uma resposta mais racional do que tentar prever o próximo movimento do mercado. Trocar exposição a negócios de fluxo de caixa longo por posições mais defensivas e previsíveis não é uma aposta pessimista sobre a bolsa; é uma forma de proteger o capital enquanto se espera por mais clareza, seja no cenário eleitoral, seja na trajetória dos juros.
Vale notar também como o peso de cada ativo dentro da carteira reflete diretamente o grau de convicção do analista sobre aquela tese — e como essas convicções mudam conforme os fundamentos e o cenário evoluem. Entender essa lógica de alocação, mais do que memorizar os nomes específicos que entram e saem a cada mês, é o que permite ao investidor acompanhar o raciocínio por trás de qualquer carteira recomendada, inclusive nas próprias decisões. A composição completa da Carteira 10SIM para julho, com todos os ativos e seus respectivos pesos, está disponível para quem tiver acesso ao relatório completo via Kaza Capital.
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Fonte: Carteira Recomendada de Ações (10SIM), BTG Pactual Equity Research, 01 de julho de 2026. Dados: Economatica, Bloomberg, EPFR, Anbima, B3, BTG/Nexus e Banco Central do Brasil.
Este conteúdo foi elaborado pela Kaza Capital com base no relatório público do BTG Pactual e tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não constitui oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. As opiniões e projeções aqui mencionadas são do time de Research do BTG Pactual e podem mudar sem aviso prévio. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros. Investimentos envolvem riscos, incluindo possibilidade de perda do capital investido. Antes de tomar qualquer decisão de investimento, consulte um assessor credenciado.
A Kaza Capital atua como escritório de assessoria de investimentos vinculado ao BTG Pactual.