Agosto 2026
O BTG Pactual atualizou sua leitura sobre o rumo dos juros no Brasil e agora projeta uma Selic de 13,75% ao término de 2026, incorporando dois novos cortes de 0,25 ponto percentual ainda neste segundo semestre.
A instituição alterou o cenário desenhado no mês anterior, quando a expectativa era de que o Comitê de Política Monetária encerrasse o ciclo de flexibilização assim que a taxa básica atingisse 14,25%, permanecendo estável até o fechamento do ano.
De acordo com o relatório macroeconômico divulgado pelo banco em julho, dois fatores abriram espaço para essa nova rodada de cortes: um ambiente internacional com menor pressão vinda do petróleo e sinais de perda de fôlego da atividade econômica interna. Ainda assim, o ritmo projetado para a flexibilização segue gradual.
Em nota, os economistas da instituição afirmam que o balanço de riscos para a inflação apresentou uma melhora marginal, o que justificaria a retomada dos cortes sem, no entanto, indicar um ciclo mais agressivo.
Movimentos de mercado exigem acompanhamento contínuo.
O que sustenta a mudança de rota
Mesmo com a revisão, o banco reforça que o cenário ainda pede cautela. Entre os elementos que limitam um ciclo mais amplo de cortes estão as expectativas de inflação que permanecem desancoradas, um mercado de trabalho que segue resiliente, o impulso fiscal em curso e, sobretudo, a perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos.
A análise também leva em conta a recente queda dos preços do petróleo, resultado do arrefecimento das tensões no Oriente Médio. Esse movimento reduziu parte da pressão sobre a inflação global e brasileira, dando um respiro adicional ao Banco Central.
Câmbio e contas públicas ganham novos números
A revisão da Selic veio acompanhada de outros ajustes relevantes nas projeções do banco. A alteração mais expressiva ocorreu no câmbio. A estimativa para o dólar ao fim de 2026 subiu de R$ 4,90 para R$ 5,40, refletindo a expectativa de fortalecimento da moeda norte americana diante de um Federal Reserve mais rígido e da chance de novas altas de juros nos Estados Unidos.
O banco também revisou para pior sua visão sobre as contas públicas. A projeção para a dívida bruta passou a 81,6% do PIB em 2026 e a 85,8% do PIB em 2027, considerando um câmbio mais depreciado e um cenário fiscal menos favorável.
Para a atividade econômica, a projeção de crescimento do PIB em 2026 foi mantida em 2,0%. Já para 2027, a expectativa foi reduzida de 1,3% para 1,1%, diante dos efeitos dos juros ainda elevados e de um impulso fiscal menor.
Entender o cenário é o primeiro passo para decisões mais seguras.
Inflação e comércio exterior seguem na mesma trajetória
Apesar das mudanças na Selic e no câmbio, o BTG optou por preservar algumas de suas principais estimativas. A projeção para o IPCA permaneceu em 5,3% em 2026 e 4,5% em 2027, mesmo com o alívio trazido pela queda do petróleo. Para os economistas do banco, as expectativas de inflação continuam acima da meta e ainda pedem cautela por parte do Banco Central.
A previsão de superávit comercial também não foi alterada, permanecendo em US$ 85 bilhões tanto em 2026 quanto em 2027. O resultado segue sustentado, principalmente, pelo desempenho das exportações de petróleo, mesmo diante da expectativa de preços menores para algumas commodities.
Na leitura do banco, o cenário para o Brasil melhorou de forma marginal, o que permite um ciclo um pouco mais longo de cortes de juros. Ainda assim, a equipe econômica reforça que o espaço para novas flexibilizações segue limitado, em um contexto de inflação resistente e de política monetária mais restritiva nos Estados Unidos.
Cenários complexos pedem estratégia clara.
Acompanhar as revisões do mercado é parte do planejamento patrimonial de longo prazo.
Fonte: Money Times; Relatório macroeconômico BTG Pactual.
Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.