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Cade libera aquisição de ativo de geração distribuída da Raízen pelo Grupo Gera

Por Thaís Marinho

Mercados • Empresas
Abril 2026

Órgão antitruste deu sinal verde para que o Grupo Gera assuma usina de biogás controlada pela Raízen (RAIZ4), em mais um capítulo do processo de enxugamento da companhia no segmento de geração distribuída.

A operação recebeu aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sem nenhuma imposição de condicionantes. Na prática, a Bio Gera Energia passará a deter a totalidade do capital da Bio Polaris Energia, subsidiária indireta da Raízen dedicada à minigeração de energia a partir de biogás.

Para a Raízen, a movimentação se insere em um plano mais amplo de saída do segmento de geração distribuída. A companhia tem buscado redirecionar capital e foco operacional para as atividades que considera centrais ao seu modelo de negócios.

Movimentos corporativos podem redesenhar setores inteiros. Acompanhar de perto faz parte da estratégia.

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Grupo Gera amplia presença no setor de energia

Do lado do comprador, o Grupo Gera enxerga a aquisição como uma oportunidade de reforçar sua posição tanto nos mercados onde já atua quanto em novas frentes de expansão. A Bio Polaris opera uma central de minigeração alimentada por biogás, ativo que se encaixa na estratégia de crescimento do grupo no segmento.

A transação não é um caso isolado. Em 2025, a Raízen já havia se desfeito de 55 usinas de geração distribuída — com capacidade instalada de até 142 megawatts-pico (MWp) — vendidas para a Thopen Energia e para o próprio Grupo Gera, em uma operação que movimentou cerca de R$ 600 milhões. Desde então, o Cade vem aprovando outras vendas menores de ativos remanescentes da companhia nesse segmento.

Reestruturação de dívida da Raízen entra no radar

Paralelamente ao processo de desinvestimento, a Raízen conduz uma recuperação extrajudicial e já apresentou aos credores as linhas gerais de seu plano de reestruturação. A dívida total envolvida na negociação soma US$ 12,6 bilhões, segundo informações da agência Bloomberg.

A proposta prevê um período de carência de ao menos cinco anos e inclui a possibilidade de conversão de parte do passivo em participação acionária. A companhia pretende que pelo menos 45% da dívida seja transformada em ações, o que daria aos credores até 70% das ações ordinárias, com base em um preço de R$ 0,40 por papel.

Entender o cenário é o primeiro passo para decisões mais seguras.

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Impacto na estrutura de capital

Caso os termos propostos sejam aceitos, o plano reduziria a alavancagem da Raízen de 5,3 para 3,5 vezes o Ebitda. Além disso, a reestruturação poderia abrir caminho para uma eventual cisão entre as operações de açúcar e etanol e o braço de distribuição de combustíveis, de acordo com a Bloomberg.

O conjunto de movimentos — desinvestimento em geração distribuída e renegociação com credores — sinaliza um momento de reconfiguração relevante para a Raízen, com reflexos potenciais sobre a estrutura societária e o perfil de endividamento da companhia nos próximos anos.

Cenários complexos pedem estratégia clara.

Conte com acompanhamento profissional para navegar as mudanças do mercado.

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Fonte: Money Times; Bloomberg; Broadcast.

Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.

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