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Carteira Recomendada de Ações Internacionais — Outubro 2026: mais inteligência artificial, mais qualidade

Por Thaís Marinho
Carteira Recomendada
Outubro de 2026

A economia americana chegou ao quarto trimestre em ritmo mais forte do que o mercado esperava. O consumo das famílias segue aquecido, os investimentos em inteligência artificial continuam em expansão e a inflação voltou a mostrar resistência. Em setembro, o Federal Reserve respondeu com uma alta de 0,25 ponto percentual na taxa básica, em decisão unânime, e sinalizou que o ciclo de aperto pode se estender. Nesse ambiente, o BDRX, índice de referência dos BDRs negociados na B3, avançou 1,0% no mês.

Com esse pano de fundo, o time de Research do BTG Pactual publicou, em 1º de outubro, a atualização mensal da sua carteira de ações internacionais. Os estrategistas adotaram uma postura marginalmente mais cautelosa: fizeram três trocas voltadas à qualidade e, ao mesmo tempo, ampliaram a concentração na cadeia de infraestrutura de inteligência artificial. Este artigo explica a lógica por trás de cada movimento.

Carteira de Ações Internacionais (BDRs) — BTG Pactual Research

15 ações para outubro
Publicada em 1º de outubro de 2026

IA · Qualidade · Juros nos EUA

Kaza Capital | BTG Pactual

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Cenário do mês: uma economia que não desacelera

Segundo o relatório do BTG Pactual para outubro, a atividade nos Estados Unidos acelerou na margem e contrariou a tese de moderação. A estimativa da casa é de que o consumo real tenha crescido 3,6% em termos anualizados no terceiro trimestre, puxado por bens (3,87%) e serviços (3,40%). Para o quarto trimestre, a projeção é de 2,9%, o que sustenta um acompanhamento interno do PIB de 2026 em 2,6%. Para 2027, o ponto de partida é 2,3%, com viés de alta.

O motor desse crescimento é a demanda doméstica privada: investimento corporativo em inteligência artificial, consumo e o efeito riqueza gerado pela valorização dos ativos. É uma boa notícia para os lucros das empresas, mas tem um custo. Uma economia que cresce acima do potencial pressiona a capacidade instalada e os serviços, e é aí que a inflação se mostra mais persistente. Na avaliação do Research, uma eventual normalização no Estreito de Ormuz aliviaria apenas o componente de energia, sem resolver essa pressão de fundo.

Os números de preços confirmam o diagnóstico. O núcleo do PCE, medida de inflação preferida do Fed, acumulou 3,01% em doze meses até agosto, e o índice cheio, 3,42%. O BTG Pactual projeta reaceleração até o fim do ano, com o PCE cheio encerrando 2026 em 3,51% e o núcleo em 3,07%, ainda distantes da meta de 2%.

A decisão do Fed

Em setembro, o comitê de política monetária elevou a taxa básica para o intervalo entre 4,00% e 4,25%, por unanimidade, e encerrou formalmente a postura acomodatícia. O BTG Pactual está revisando para cima suas projeções de juros e vê ganhar força o cenário em que as altas continuam ao longo do primeiro trimestre de 2027. Os contratos futuros já embutem cerca de 1,20 ponto percentual de alta acumulada, com juro terminal próximo de 4,80%.

Valuation e desempenho: crescimento precisa justificar o preço

Juros mais altos mudam a régua pela qual as ações são avaliadas. Quando o título público americano paga mais, o investidor exige mais das empresas para justificar o risco, e múltiplos elevados só se sustentam se o crescimento dos lucros os acompanhar.

Os dados agregados da carteira ajudam a entender como o BTG Pactual lida com essa equação. A mediana das 15 ações negocia a 21,4 vezes o lucro estimado para 2026 e a 20,4 vezes o de 2027. Em contrapartida, a mediana de crescimento projetado do lucro por ação é de 21,5% ao ano entre 2025 e 2027, com retorno sobre o patrimônio de 34,2% em 2026. O portfólio não é barato em termos absolutos, mas está ancorado em empresas que crescem rápido e são muito rentáveis.

Setembro também mostrou o quanto a seleção importa. A carteira ficou estável no mês, mas com forte dispersão interna: os retornos individuais foram de uma queda de 12% a uma alta de 12%, com bancos entre as maiores baixas e semicondutores entre as maiores altas.

Desempenho da carteira

Em setembro, a carteira de ações internacionais registrou variação de 0,0%, contra alta de 1,0% do BDRX. Em 2026, acumula 9,0%, ante 9,6% do índice. Desde o início, em julho de 2021, o retorno acumulado é de 123,2%, frente a 114,5% do BDRX, o que o relatório traduz em um alpha de 8,6% sobre o índice de referência. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.

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Distribuição por setor

A carteira de outubro reúne 15 ações distribuídas em nove setores. Tecnologia responde sozinha por 43% da alocação e, somada a comunicação e consumo discricionário, onde estão empresas com negócios relevantes de computação em nuvem, a exposição a temas ligados à inteligência artificial fica próxima de dois terços do portfólio.

Tecnologia

43%

Cinco posições em processadores para IA, memória, fundição de chips e software. É o núcleo da tese de infraestrutura de inteligência artificial e concentrou os aumentos de peso do mês.

Comunicação

12%

Uma holding líder global em buscas e publicidade digital, com frentes crescentes em nuvem e IA.

Consumo discricionário

10%

Uma gigante do comércio eletrônico cuja principal alavanca de crescimento é a computação em nuvem.

Financeiro

10%

Dois grandes bancos americanos. A exposição ao setor caiu de 14% para 10%, com ganho de qualidade.

Saúde

8%

Uma farmacêutica ligada ao mercado de obesidade e diabetes e uma tese defensiva em planos e serviços de saúde.

Energia

5%

Uma grande petroleira integrada, que passa a cumprir o papel de proteção contra inflação e risco geopolítico.

Consumo não discricionário

4%

Uma das maiores varejistas do mundo, em processo de transformação digital.

Indústria

4%

Uma fornecedora global de equipamentos para geração e transmissão de energia, beneficiada pela demanda dos data centers.

Materiais básicos

4%

Uma produtora de cobre exposta à eletrificação e à expansão das redes elétricas.

O que mudou de setembro para outubro

Os estrategistas do BTG Pactual fizeram três trocas neste mês. O relatório atribui o tom mais cauteloso a dois fatores: a proximidade das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos e o aumento dos juros globais. Em comum, as três substituições buscam mais qualidade sem abandonar as teses originais.

Memória: mesma tese, veículo mais exposto à IA. Saiu uma fabricante americana de chips de memória e entrou uma companhia sul-coreana, líder global em memória de alta largura de banda (HBM), componente essencial para os processadores usados em inteligência artificial. A exposição ao ciclo de memória foi mantida; o que mudou foi o nome escolhido para capturá-lo. Segundo o Research, o avanço dos investimentos das grandes empresas de nuvem deve fazer a demanda por memória para servidores crescer bem acima da oferta ao longo de 2026, e o preço atual da ação ainda reflete pouco o crescimento de lucro projetado.

Bancos: menos exposição, mais qualidade. Um grande banco americano de varejo deu lugar ao maior banco dos Estados Unidos, e a troca veio acompanhada de uma redução do peso do setor depois da queda recente das ações financeiras. A leitura do BTG Pactual é que, com o mercado reprecificando o ciclo de alta de juros, vale privilegiar balanço sólido, receitas distribuídas entre varejo, cartões, gestão de patrimônio e banco de investimento, e rentabilidade acima dos pares.

Do ouro para a saúde. A carteira zerou a posição em uma mineradora de ouro. Dois argumentos sustentam a saída: o metal já teve desempenho forte e capturou boa parte do prêmio de proteção, e, com os juros globais em alta, o custo de oportunidade de carregá-lo aumentou. No lugar, entrou uma das maiores empresas de planos e serviços de saúde do mundo, uma tese de valor com perfil defensivo. O relatório aponta inflexão nos resultados do segmento de planos vinculados ao programa federal para idosos, que responde por cerca de 40% do negócio e atravessou o pior momento de custos médicos no fim de 2025.

Ajustes de peso. Os aumentos se concentraram em tecnologia e inteligência artificial. A líder em processadores para data centers passou de 13% para 15% e se consolidou como a maior posição; a companhia de comércio eletrônico e nuvem foi de 8% para 10%; e a de software e nuvem, de 9% para 10%. Fora de tecnologia, apenas a petroleira ganhou espaço, de 4% para 5%. Em contrapartida, um banco de investimento recuou de 6% para 5% e a farmacêutica, de 5% para 4%. As demais posições ficaram inalteradas.

Inflação, juros e câmbio: o que acompanhar

A métrica que o Fed observa com mais atenção, o chamado supernúcleo (serviços essenciais sem habitação), deve reacelerar nos próximos meses, segundo as projeções do BTG Pactual, e encerrar o ano em 3,55% em doze meses. Como cerca de metade dos itens da cesta do PCE ainda sobe acima de 3% ao ano, o Research descarta uma convergência espontânea à meta.

Na comunicação após a reunião de setembro, o presidente do Fed, Kevin Warsh, rejeitou projeções que levem a inflação de volta a 2% apenas em 2029 e defendeu uma convergência mais rápida. O mercado de trabalho dá margem para isso: o desemprego está estável em 4,1% e nenhum dirigente apontou riscos de baixa para o crescimento.

Projeções do BTG Pactual para a inflação americana

2026: CPI em 3,69% (núcleo em 2,79%) e PCE em 3,51% (núcleo em 3,07%).
2027: CPI em 2,60% (núcleo em 2,53%) e PCE em 2,35% (núcleo em 2,45%).
O balanço de riscos segue inclinado para cima, por inércia dos salários, rigidez dos serviços e distorções nos custos de saúde.

Para o investidor brasileiro, há um ponto que vai além do relatório: BDRs são negociados em reais e carregam a variação do dólar. O retorno final combina o desempenho da ação no exterior com o câmbio, o que pode ampliar ou reduzir o resultado em cada período. Em um ciclo de juros americanos em alta, essa é uma variável que merece acompanhamento junto com a seleção das empresas.

Leitura estratégica

O conjunto das mudanças mostra uma forma de lidar com um cenário ambíguo. A economia forte favorece os lucros; os juros em alta pressionam os múltiplos. Em vez de escolher um lado, o BTG Pactual fez as duas coisas: aumentou a alocação onde a convicção é maior, a infraestrutura de inteligência artificial, e elevou o padrão de qualidade no restante da carteira.

Três princípios aparecem com clareza. O primeiro é que trocar de ativo não significa trocar de tese: em memória e em bancos, a exposição foi preservada ou ajustada, mas o veículo mudou para um nome considerado mais bem posicionado. O segundo é que proteção tem preço: o ouro cumpriu seu papel, ficou mais caro de carregar com os juros subindo, e a função defensiva migrou para saúde e petróleo. O terceiro é que concentração pede contrapeso: com 43% em tecnologia, as trocas nos demais setores buscaram um perfil mais equilibrado de risco.

Mais do que saber se a inteligência artificial continuará crescendo, a questão para o investidor é quanto do portfólio pode depender disso e o que equilibra o restante. A carteira completa, com as 15 ações e seus respectivos pesos, está disponível via Kaza Capital.

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Fonte: Carteira de Ações Internacionais, BTG Pactual Equity Research, 1º de outubro de 2026. Dados: BTG Pactual e Bloomberg.

Este conteúdo foi elaborado pela Kaza Capital com base no relatório público do BTG Pactual e tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não constitui oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. As opiniões e projeções aqui mencionadas são do time de Research do BTG Pactual e podem mudar sem aviso prévio. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros. Investimentos envolvem riscos, incluindo possibilidade de perda do capital investido. Antes de tomar qualquer decisão de investimento, consulte um assessor credenciado.

A Kaza Capital atua como escritório de assessoria de investimentos vinculado ao BTG Pactual.

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