Maio 2026
Boletim Focus desta segunda-feira mostra IPCA projetado em 5,04% para o ano, acima do teto da meta. Estimativa de crescimento econômico também avançou, enquanto expectativas para juros ficaram inalteradas.
A pesquisa semanal do Banco Central com analistas de mercado voltou a registrar deterioração nas expectativas de inflação para 2026. De acordo com o Boletim Focus publicado nesta segunda-feira, 25 de maio, a mediana das projeções para o IPCA saltou de 4,92% para 5,04% — a décima primeira revisão consecutiva para cima.
O número coloca a expectativa do mercado acima do limite superior da meta de inflação perseguida pelo Banco Central, sinalizando que os agentes econômicos seguem cautelosos quanto à trajetória dos preços no país. Paralelamente, a estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto também foi ajustada para cima, passando de 1,85% para 1,89%.
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Pressão inflacionária segue no radar
O avanço nas projeções de inflação não se restringiu ao horizonte de 2026. Para o ano seguinte, a estimativa também registrou leve alta, saindo de 4,00% para 4,01%. Já para 2028 e 2029, as expectativas permaneceram em 3,65% e 3,50%, respectivamente.
A sequência ininterrupta de revisões altistas reforça uma percepção de que a convergência dos preços ao centro da meta pode levar mais tempo do que o inicialmente previsto pelo mercado. O movimento acontece em um contexto de política fiscal ainda sob escrutínio e atividade econômica que, embora moderada, continua mostrando resiliência.
PIB sobe em 2026, mas perde fôlego no ano seguinte
No campo da atividade econômica, o cenário apresentou sinais mistos. A projeção para o PIB de 2026 foi revisada para cima, alcançando 1,89%. No entanto, para 2027, os analistas cortaram a estimativa de 1,77% para 1,70%, sugerindo uma expectativa de desaceleração mais acentuada à frente. Para 2028 e 2029, as projeções foram mantidas em 2,00%.
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Juros estáveis e dólar em queda nas projeções
As expectativas para a taxa Selic permaneceram inalteradas em todos os horizontes consultados. Para o encerramento de 2026, o mercado segue projetando juros em 13,25%. Em 2027, a estimativa ficou em 11,25%, enquanto para 2028 e 2029 a projeção se manteve em 10,00%.
Já no câmbio, houve revisões de baixa. A cotação esperada para o dólar ao final de 2026 caiu de R$ 5,20 para R$ 5,17. Para 2027, o valor projetado recuou de R$ 5,27 para R$ 5,26, e para 2028, de R$ 5,34 para R$ 5,30. A estimativa para 2029 ficou estável em R$ 5,40.
O que os números indicam
O conjunto de dados do Focus desta semana desenha um cenário em que a inflação persistente convive com crescimento modesto e juros elevados por mais tempo. A manutenção da Selic nas projeções, mesmo diante de uma inflação acima da meta, sugere que o mercado não enxerga espaço para cortes adicionais no curto prazo. Por outro lado, o recuo do dólar nas estimativas pode refletir fluxos favoráveis e um ambiente externo relativamente mais estável para moedas emergentes.
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Fonte: Boletim Focus — Banco Central do Brasil; Exame.
Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.