Thaís Marinho
A recente alta do petróleo no mercado internacional voltou a colocar a política de preços da Petrobras no centro das discussões econômicas. Nos últimos dias, o barril do Brent — referência global da commodity — voltou a se aproximar da marca de US$ 100, nível que não era observado desde 2022.
O movimento ocorre em meio à intensificação das tensões no Oriente Médio, especialmente após conflitos envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, que ampliaram as preocupações sobre o fornecimento global de petróleo.
Com a valorização da commodity, cresce também a diferença entre os preços internacionais dos combustíveis e os valores praticados no Brasil, o que levanta questionamentos sobre a possibilidade de reajustes nas refinarias da Petrobras.
Diferença entre preços internos e internacionais
Segundo cálculos da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a defasagem atual indicaria necessidade de aumento de aproximadamente R$ 1,22 por litro na gasolina e R$ 2,74 no diesel nas refinarias da Petrobras.
De acordo com a entidade, essa diferença representa cerca de 49% na gasolina e até 85% no diesel em relação aos preços praticados no mercado internacional.
A disparada do petróleo foi impulsionada pela escalada geopolítica nas últimas semanas. Desde o final de fevereiro, quando ataques envolvendo potências globais atingiram alvos ligados ao Irã, o preço do Brent passou de US$ 72,48 para cerca de US$ 91,98, o que representa uma valorização próxima de 27%.
Impacto direto na inflação
Para os consumidores, a decisão de não repassar imediatamente a alta do petróleo pode trazer efeitos positivos no curto prazo, evitando aumentos imediatos no preço dos combustíveis.
Os combustíveis possuem peso relevante no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador utilizado pelo Banco Central para medir a inflação oficial do país.
Como o custo do transporte influencia diversos setores da economia, aumentos expressivos na gasolina ou no diesel costumam pressionar os preços de produtos e serviços.
Em um momento em que o mercado acompanha as próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), mudanças relevantes nos combustíveis poderiam impactar as expectativas de inflação e influenciar o ritmo da política de juros.
O efeito financeiro para a Petrobras
Apesar da discussão sobre a política de preços, o impacto financeiro da alta do petróleo sobre a Petrobras não é necessariamente negativo.
Isso ocorre porque a companhia atua tanto na produção quanto na comercialização de petróleo e derivados.
Segundo Paulo Weickert, sócio da Apex Capital, a estrutura da empresa faz com que o aumento do petróleo tenha um efeito líquido positivo para a companhia.
“A dinâmica da Petrobras é assimétrica: aproximadamente 60% da produção está exposta à variação do Brent pelo lado positivo, enquanto cerca de 40% depende da necessidade de reajuste em diesel e gasolina.”
Na prática, isso significa que a empresa continua se beneficiando da valorização do petróleo, mesmo que não repasse imediatamente os preços ao mercado doméstico.
Impacto potencial nos resultados da companhia
Análises da XP Investimentos indicam que, caso os preços internacionais sejam repassados integralmente aos combustíveis, a Petrobras poderia registrar ganhos adicionais relevantes.
Segundo estimativas da instituição, cada US$ 10 de aumento no preço do Brent poderia gerar entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões em ganho líquido para a companhia.
Se o reajuste não ocorrer, o impacto positivo ainda existe, mas em menor magnitude, concentrado principalmente nas exportações de petróleo bruto e em vendas que seguem diretamente o preço internacional da commodity.
Possíveis impactos na oferta de combustíveis
Outro ponto observado pelo mercado envolve a dinâmica das importações de combustíveis.
Segundo a Abicom, as importações estão praticamente paralisadas desde o final de fevereiro, devido à diferença entre os preços internacionais e os valores praticados no mercado brasileiro.
Esse cenário pode ser especialmente sensível no caso do diesel. Atualmente, cerca de 20% do diesel consumido no Brasil é importado, e parte relevante desse volume é adquirido por empresas privadas.
Caso os preços domésticos permaneçam muito abaixo dos valores internacionais por um período prolongado, essas importações podem se tornar economicamente inviáveis, o que pode gerar pressões sobre a oferta.
Acompanhamento do cenário pela Petrobras
Durante recente apresentação de resultados a investidores, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a companhia acompanha de perto o cenário internacional antes de tomar qualquer decisão sobre reajustes.
Segundo a executiva, ainda não há uma posição definida sobre eventuais mudanças nos preços dos combustíveis no Brasil. A evolução do cenário geopolítico e o comportamento do petróleo nos próximos meses devem continuar influenciando as decisões da companhia.
Planejamento patrimonial exige atenção ao cenário econômico e aos mercados globais.
Movimentos no preço do petróleo, na inflação e na política monetária podem influenciar diferentes setores da economia e o comportamento dos investimentos.
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Fontes: Exame, Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), XP Investimentos e Apex Capital. Este conteúdo possui caráter exclusivamente informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Estratégias e ativos eventualmente mencionados refletem estudos produzidos pelo Research do BTG Pactual e não representam indicação individualizada. Decisões de investimento devem considerar perfil de risco, objetivos financeiros e horizonte de investimento de cada investidor.