Maio 2026
Indicadores domésticos concentram as atenções nesta segunda-feira, enquanto o impasse entre Washington e Teerã segue como principal vetor de risco para os ativos globais.
A segunda-feira, 18, traz uma sequência relevante de divulgações econômicas no Brasil, em meio a um cenário externo que permanece pressionado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã. Após cinco semanas consecutivas de recuo do Ibovespa e a maior valorização semanal do dólar em mais de três anos, o mercado busca referências para recalibrar posições.
Entre os destaques da agenda doméstica, o IBC-Br de março — proxy do PIB calculada pelo Banco Central — deve ser o dado mais observado. O número sai às 9h e chega após um mês de fevereiro que registrou expansão de 0,60% na base mensal, porém retração de 0,27% na comparação anual. A leitura ganha peso adicional depois de sinais mistos vindos de outros indicadores: o varejo surpreendeu para cima, enquanto o setor de serviços ficou aquém das expectativas, embora ainda em patamar considerado robusto por economistas.
Movimentos de mercado exigem acompanhamento contínuo e visão estratégica de portfólio.
Inflação e juros: o que mostra o Boletim Focus
Antes do IBC-Br, o Banco Central publica às 8h25 o Boletim Focus, que reúne as projeções semanais dos analistas para os principais indicadores macroeconômicos. Na última edição, a mediana para o IPCA de 2026 avançou pela nona semana seguida, saindo de 4,89% para 4,91%.
No campo cambial, as estimativas para o dólar recuaram para 2026, 2028 e 2029, mantendo-se estáveis em 2027. Já a projeção da Selic ficou inalterada para 2026 e 2028, mas subiu para os horizontes de 2027 e 2029. O quadro reforça a percepção de que o ciclo de política monetária restritiva pode se estender mais do que o inicialmente previsto.
Ainda pela manhã, às 8h, a FGV divulga o IGP-10 de maio. Em abril, o índice havia registrado alta de 2,94% no mês e variação de 0,56% no acumulado de 12 meses. À tarde, às 15h, o MDIC apresenta a balança comercial semanal.
Radar externo: Fed, PIB japonês e balanços corporativos
Nos Estados Unidos, as atenções se voltam para o pronunciamento de Cheryl Venable, presidente interina do Fed de Atlanta, previsto para as 9h30. As declarações de dirigentes do banco central americano continuam sendo monitoradas de perto, em um momento no qual o mercado reavalia o caminho dos juros na maior economia do mundo.
No período noturno, o Japão publica às 20h50 a leitura preliminar do PIB do primeiro trimestre. No quarto trimestre do ano anterior, a economia japonesa havia crescido 0,3% na base trimestral e 1,3% na comparação anual.
No calendário de balanços, merecem atenção os resultados da Baidu e da Ryanair. No caso da companhia aérea europeia, os números podem trazer indicações sobre o impacto do conflito no Oriente Médio nos custos operacionais atrelados ao petróleo e na dinâmica do setor de aviação.
Entender o cenário é o primeiro passo para decisões mais seguras.
Durigan representa o Brasil em reunião do G7 na França
No campo institucional, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, participa em Paris do encontro de ministros das Finanças e presidentes de Bancos Centrais do G7. O Brasil integra a reunião na condição de país convidado. A programação inclui encontros bilaterais com representantes do setor privado francês, uma mesa redonda organizada pela publicação Le Grand Continent e uma visita à Mistral AI, startup francesa de inteligência artificial, onde Durigan terá reunião com o CEO da companhia.
Internamente, o presidente Lula participa às 14h30, em São Paulo, de um anúncio de investimentos da Petrobras.
Impasse entre Washington e Teerã mantém mercados em alerta
O fator que segue como pano de fundo para toda a dinâmica dos ativos é a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. No domingo, 17, o presidente Donald Trump endureceu o discurso ao afirmar que “o tempo está passando” para que Teerã aceite negociar um acordo.
As tratativas entre os dois países, mediadas pelo Paquistão, tentam encerrar o conflito iniciado no final de fevereiro, mas seguem paralisadas. Washington condiciona qualquer avanço ao encerramento do programa nuclear iraniano, enquanto o regime de Teerã trata a questão como prioridade estratégica inegociável. As restrições ao tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, impostas pela Guarda Revolucionária, adicionam uma camada extra de incerteza ao mercado global de energia.
O reflexo nos ativos brasileiros foi expressivo. O Ibovespa fechou a sexta-feira, 15, com recuo de 0,61%, aos 137.283 pontos, acumulando queda de 3,67% na semana — a quinta consecutiva no vermelho e a segunda maior desde o início da crise com o Irã. O dólar, por sua vez, encerrou cotado a R$ 5,067, com alta de 1,63% no dia e valorização semanal de 3,58%, impulsionado pela busca por ativos de proteção diante do cenário geopolítico e da perspectiva de juros elevados nos Estados Unidos por período prolongado.
Cenários complexos pedem estratégia clara.
Ter acompanhamento especializado faz diferença na tomada de decisão.
Fonte: Exame.
Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.