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Naskar, Sumiu Com Quase R$ 1 bilhão de clientes: Caso Naskar Reacende o Alerta Sobre a Importância da Regulação e Custódia

Por Alexsander

Compliance & Risco

Maio 2026

O desaparecimento de quase R$ 1 bilhão em recursos de clientes revela as vulnerabilidades críticas de fintechs de pagamento que atuam como “bancos de aluguel” à margem das engrenagens do Banco Central.

O desaparecimento dos sócios da Naskar Gestão de Ativos, que atuavam à margem da supervisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ganhou novos contornos que exigem uma análise profunda de governança corporativa. As recentes apurações revelaram que a empresa realizou uma retirada silenciosa de sua sede original na Vila Olímpia (SP) no segundo semestre de 2025, transferindo suas operações de maneira discreta para Alphaville, em Barueri.

O agravante estrutural, contudo, não reside apenas na mudança de endereço, mas na engenharia societária por trás das operações. A Naskar passou a operar sob o manto de uma segunda empresa: a 7Trust Finance Instituição de Pagamento S/A. Composta pelos mesmos sócios, Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, a 7Trust funcionava no mercado como um “banco de aluguel”, expondo as fragilidades e as zonas cinzentas de modelos tecnológicos mal auditados por investidores.

O Cenário Operacional: A Ilusão do ‘Bank as a Service’

Para o mercado financeiro, a inovação tecnológica trouxe o modelo de Bank as a Service (BaaS), que permite a empresas de diversos setores oferecerem serviços financeiros utilizando a infraestrutura de uma instituição devidamente autorizada pelo Banco Central do Brasil (BCB). É uma terceirização de tecnologia bancária.

No entanto, a 7Trust, fundada em 2019 com um capital social declarado de pouco mais de R$ 5,5 milhões, vendia essa infraestrutura sem possuir as devidas credenciais primárias. Segundo certidão emitida pelo próprio Banco Central, a 7Trust nunca esteve na condição de instituição autorizada a funcionar pelo BCB. A empresa amparava sua legitimidade comercial unicamente no fato de estar credenciada como “participante do Pix”, utilizando esse selo para ofertar plataformas de pagamento, contas digitais e promessas de “Pix 15% acima do mercado”  um claro indício de assimetria de risco e retorno.

Impacto nos Mercados: Risco Sistêmico e Due Diligence

A simbiose entre a Naskar (não registrada na CVM para gestão de recursos) e a 7Trust (não autorizada pelo BCB como instituição financeira plena) cria o que os analistas institucionais chamam de Risco de Contraparte Absoluto. Esse caso reverbera no mercado financeiro gerando reações imediatas:

Reavaliação de Parcerias Tecnológicas

Fundos de investimento e grandes corporações passam a escrutinar rigorosamente as fintechs de pagamento. Não basta oferecer um serviço ágil de Pix; o mercado passa a exigir a identificação do real provedor de liquidez e a licença bancária primária que sustenta a operação estrutural.

O Perigo do Selo Pix

O caso evidencia que o credenciamento no sistema Pix não confere a uma empresa a chancela de “banco sólido” ou a autorização para gerir, custodiar e rentabilizar o patrimônio de terceiros. A linha entre processar pagamentos e atuar como gestora de fortunas foi borrada.

Voo para a Qualidade (Flight to Quality)

O capital busca o refúgio das instituições de primeira linha, onde a custódia, a administração e a gestão dos fundos são rigorosamente segregadas e auditadas por agentes independentes, eliminando o risco sistêmico.

A Maquiagem Societária e o Risco de Crédito

A intersecção de diretores entre a Naskar e a 7Trust ilustra a ausência de barreiras de governança (os chamados Chinese Walls). Quando a gestão de recursos e a infraestrutura de pagamentos se concentram nas mãos dos mesmos agentes, sem a fiscalização da CVM e do Banco Central, o dinheiro do investidor pode ser livremente transferido ou diluído no balanço das empresas coligadas.

Promessas de rentabilidade garantida ou juros substancialmente acima da taxa Selic em plataformas que não possuem licença bancária plena configuram uma distorção perigosa. No mercado regulado, as garantias e o capital mínimo exigido pelas autoridades monetárias blindam o investidor contra o risco de ruína da instituição.

O Que Investidores Qualificados Estão Observando

Para o alocador de patrimônio, o caso Naskar/7Trust atua como uma vacina contra a negligência investigativa (Due Diligence). O mercado agora reforça os procedimentos de KYC (Know Your Customer) e KYP (Know Your Partner). Antes de qualquer alocação, tornou-se mandatório verificar as certidões no site da CVM e os registros de autorização no sistema do Banco Central.

O capital institucional observa também a movimentação dos reguladores. É provável que o Banco Central endureça as regras para participantes indiretos e liquidantes do sistema Pix, exigindo maior comprovação de lastro financeiro e governança para empresas que operam sob o modelo de BaaS, a fim de evitar que o sistema de pagamentos seja utilizado como vitrine para operações fraudulentas.

Conclusão Analítica: A Insustentabilidade de Atalhos Regulatórios

O rastro de destruição patrimonial deixado pela Naskar e por sua “barriga de aluguel” financeira, a 7Trust, reforça o princípio mais elementar das finanças: a segurança institucional não é um custo, é o ativo mais valioso de uma carteira. A utilização de jargões tecnológicos e escritórios de alto padrão não substitui o rigor do Compliance e as licenças operacionais concedidas pelas autarquias brasileiras.

Para o investidor que busca proteger e rentabilizar seu patrimônio a longo prazo, o cenário é claro: o acesso ao mercado financeiro deve ocorrer exclusivamente através de bancos e corretoras com histórico ilibado, que possuam segregação patrimonial garantida e auditorias rigorosas. A estruturação de carteiras através de plataformas sólidas, como as vinculadas aos grandes bancos de investimento do país, é a única fronteira capaz de alinhar rentabilidade sofisticada à blindagem jurídica contra engenhosas arquiteturas financeiras não reguladas.

A segurança institucional do seu patrimônio é inegociável.

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DISCLAIMER LEGAL E DE COMPLIANCE: Este artigo possui finalidade estritamente informativa e educacional. Não constitui oferta, indicação ou recomendação de compra ou venda de produtos financeiros. O mercado de capitais exige a observância das regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Certifique-se sempre do registro das instituições. Toda alocação deve respeitar a Análise de Perfil do Investidor (Suitability).

Fonte: Portal Metrópoles / Análise de Risco Institucional Kaza Capital | Maio 2026

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