Setembro foi um mês de bolsa em alta e de cautela nas entrelinhas. O Ibovespa avançou 5,0% e o IDIV, índice que reúne as principais pagadoras de dividendos, subiu 4,5%, em boa parte embalados pelo maior otimismo do mercado com o cenário eleitoral. O pano de fundo, porém, pouco mudou: a disputa segue estatisticamente empatada, os juros devem permanecer altos por mais tempo e cresce a preocupação com um ciclo de crédito mais difícil em 2027.
É nesse ambiente que o time de Research do BTG Pactual publicou a atualização mensal da sua carteira de dividendos. A revisão de outubro foi uma das mais amplas do ano: quatro saídas, uma inclusão, quatro aumentos de peso e uma redução. O resultado é uma carteira mais enxuta, com posições maiores nas teses de maior convicção. A seguir, explicamos a lógica por trás desses movimentos.
Carteira de Dividendos — BTG Pactual Research
Concentração · Geração de caixa · Eleições
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Cenário do mês: alta da bolsa, mas com o mesmo pano de fundo
A leitura do relatório do BTG Pactual para outubro parte de uma distinção importante: o humor do mercado melhorou, mas os fundamentos macroeconômicos continuam exigentes. O entusiasmo com as perspectivas eleitorais sustentou os índices em setembro, sem que houvesse, até aqui, uma definição do quadro. Do lado da economia, a combinação de juros elevados por um período prolongado e de sinais de deterioração do crédito à frente mantém o ambiente operacional mais difícil para boa parte das empresas.
Para uma estratégia de dividendos, isso tem duas implicações práticas. A primeira é que o provento precisa ser sustentado por geração de caixa efetiva, e não por alavancagem. A segunda é que teses com retorno mais próximo no tempo ganham valor relativo: quando o custo de capital é alto, receber antes vale mais do que a promessa de receber depois. Esse raciocínio aparece de forma recorrente na análise dos estrategistas do banco.
Setembro em números
A carteira de dividendos do BTG Pactual subiu 2,8% no mês, abaixo dos 4,5% do IDIV e dos 5,0% do Ibovespa. No acumulado de 2026, o quadro se inverte: 15,3% da carteira contra 13,2% do IDIV. Um mês de desempenho relativo mais fraco, dentro de um ano ainda à frente do índice de referência.
Rendimento: o que os proventos mostram até aqui
Segundo o relatório, a carteira distribuiu 0,8% em proventos em setembro, o maior valor mensal de 2026, e acumula 3,9% no ano. O número está abaixo do ritmo dos dois anos anteriores, quando o rendimento em dividendos fechou em 10,6% (2024) e 10,5% (2025). Convém lembrar que a distribuição ao longo do calendário é irregular e que o último trimestre costuma concentrar pagamentos relevantes: em 2024 e 2025, dezembro respondeu sozinho por mais de dois pontos percentuais.
Olhando para frente, ao ponderar as projeções do BTG Pactual pelos pesos de cada posição, o dividend yield estimado do conjunto fica próximo de 7% para 2026 e de 8% para 2027. São estimativas dos analistas, sujeitas a revisão, mas indicam que a seleção atual busca um patamar de rendimento crescente, apoiado em empresas com caixa e balanço para sustentá-lo.
Histórico desde o início da carteira
Desde 8 de novembro de 2019, a carteira de dividendos do BTG Pactual acumula 161,3%, contra 112,4% do IDIV e 73,1% do Ibovespa. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.
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Distribuição por setor
A carteira de outubro reúne dez ações distribuídas em seis setores, seguindo a classificação adotada pelo BTG Pactual. Serviços básicos continuam sendo o núcleo da estratégia, enquanto bancos e petróleo passam a ter as duas maiores posições individuais.
Serviços Básicos
40%
Quatro posições de 10% em energia elétrica, saneamento e gás natural. Receitas reguladas, previsibilidade e agendas de eficiência pós-privatização.
Bancos
25%
O maior banco privado do país, com 15%, e a operadora da bolsa brasileira, com 10%. Qualidade de ativos e exposição à retomada do mercado de capitais.
Petróleo e Gás
15%
A maior produtora de petróleo do país. Fundamentos operacionais sólidos e retorno de caixa elevado ao acionista.
Mineração e Siderurgia
10%
Uma mineradora global com desconto frente aos pares, disciplina de capital e crescimento em metais básicos.
Shoppings
5%
Uma operadora de shoppings de perfil defensivo, com baixa vacância, inadimplência controlada e alavancagem moderada.
Construção Civil
5%
Uma incorporadora focada em habitação popular. Crescimento de resultados com distribuição robusta, agora com peso menor.
O que mudou de setembro para outubro
A carteira passou de treze para dez ações. Mais do que trocar nomes, os estrategistas do BTG Pactual redistribuíram o capital: a maior parte das posições de 5% foi eliminada ou dobrada, e as duas teses centrais passaram a 15% cada.
Bancos: de 20% para 25%. Um grande banco privado de varejo deixou a carteira. O espaço foi usado para elevar de 10% para 15% a posição no maior banco privado do país, que o relatório descreve como a tese de qualidade do setor, com gestão de risco proativa e balanço preparado para um ciclo de crédito mais adverso. Entrou também, com 10%, a operadora da bolsa brasileira, cujo modelo combina geração consistente de caixa, receitas recorrentes em expansão e alavancagem operacional à recuperação do mercado de capitais.
Petróleo e Gás: de 10% para 15%. A maior produtora de petróleo do país ganhou peso. Para o BTG Pactual, a companhia chega ao ciclo eleitoral em posição operacional e financeira mais forte do que em períodos anteriores, com produção acima das metas, custos de extração menores e balanço saudável. A discussão, segundo os analistas, tende a se concentrar em valuation, e não em mudança de fundamentos, com dividendos relevantes mesmo no cenário mais conservador projetado pelo banco.
Serviços Básicos: 40% mantidos, com menos nomes. O peso do setor não mudou, mas a composição sim. Saíram uma companhia estadual de saneamento e uma geradora de energia, cada uma com 5%. Em contrapartida, dobraram de 5% para 10% uma empresa de saneamento privatizada recentemente e uma distribuidora de gás natural. No primeiro caso, a ação passou por correção após pressões de custo que devem persistir ao longo de 2026, e o relatório a mantém entre as principais escolhas para os próximos 6 a 12 meses, apoiada em crescimento contratado de resultados e dividendos crescentes. No segundo, pesa a combinação de ativos regulados em regiões industrializadas com opções de crescimento ainda pouco reconhecidas pelo mercado.
Construção Civil: de 10% para 5%. A incorporadora de habitação popular teve desempenho bem inferior ao do índice em setembro, reflexo de crédito mais restrito no programa habitacional federal e de uma greve no banco público que concentra esses financiamentos, com impacto esperado nos resultados do terceiro trimestre. O BTG Pactual considera a queda exagerada diante do tamanho da revisão de resultados e optou por manter a posição, porém com metade do peso.
Telecom: de 5% para zero. A operadora de telefonia que representava o setor foi retirada, e a carteira deixa de ter exposição a telecomunicações.
Sem alterações. Mineração e Siderurgia (10%) e Shoppings (5%) mantiveram seus pesos, assim como as duas posições de energia elétrica dentro de Serviços Básicos.
A revisão em números
De 13 para 10 ações. Quatro saídas, uma inclusão, quatro aumentos de peso e uma redução. As duas maiores posições somam 30% da carteira e as oito posições de 10% ou mais respondem por 90% do total.
Eleições, crédito e commodities: as variáveis no radar
O cenário eleitoral atravessa o relatório de outubro, mas de uma forma específica. Em vez de apostar em um desfecho, a análise do Research do BTG Pactual privilegia empresas que, na visão do banco, estão bem posicionadas para qualquer resultado. É o caso das duas maiores posições: no banco, a qualidade do balanço funciona como proteção; na petroleira, o ponto de partida operacional limita o risco de queda dos dividendos. Há ainda posições cuja lógica se beneficia de cenários distintos, o que reduz a dependência da carteira em relação a um único resultado.
O segundo vetor é o crédito. A percepção de um ciclo mais difícil em 2027 explica tanto a preferência pelo banco de perfil mais conservador quanto a redução em construção civil, setor diretamente sensível à oferta de financiamento. O relatório reconhece que essa postura custa crescimento de receita no curto prazo e a trata como preparação prudente.
Por fim, as commodities. No minério de ferro, os preços recuaram para a faixa de US$ 95 a 98 por tonelada, com custos e frete marítimo em alta, o que reduz a visibilidade de curto prazo para a mineradora da carteira. Em energia, a visão é oposta: os analistas estão construtivos com os preços, o que favorece geradoras com volume disponível para venda, embora as restrições de geração em fontes renováveis sigam como ponto de atenção.
Leitura estratégica
O movimento de outubro ensina algo sobre como uma carteira de dividendos é construída. O critério não é o maior yield disponível, e sim a capacidade de a empresa continuar pagando quando o ambiente piora. Por isso a carteira convive com posições de rendimento corrente modesto, desde que o crescimento dos resultados e dos proventos esteja contratado, ao lado de pagadoras mais maduras.
A concentração também merece atenção. Reduzir o número de ações e aumentar o peso das principais teses é uma decisão que eleva a exigência sobre cada escolha: com dez nomes, não há posição decorativa. Em um mês no qual a carteira ficou atrás do índice, os estrategistas responderam com mais convicção, e não com mais dispersão.
Há, por fim, a questão do tempo. Com juros altos por mais tempo, o relatório valoriza empresas cujo retorno ao acionista chega mais cedo, seja pela desalavancagem que libera caixa, seja por políticas de distribuição já estabelecidas. Para o investidor de longo prazo, a pergunta útil não é quanto uma ação paga hoje, e sim de onde vem esse dinheiro e por quanto tempo ele pode continuar vindo. A carteira completa, com as dez ações e seus respectivos pesos, está disponível para clientes via Kaza Capital.
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Fonte: Carteira Recomendada de Dividendos — Outubro 2026, BTG Pactual Equity Research, 1º de outubro de 2026. Dados: BTG Pactual, Economática e companhias. O dividend yield estimado do conjunto é uma média ponderada calculada pela Kaza Capital a partir das projeções do relatório.
Este conteúdo foi elaborado pela Kaza Capital com base no relatório público do BTG Pactual e tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não constitui oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. As opiniões e projeções aqui mencionadas são do time de Research do BTG Pactual e podem mudar sem aviso prévio. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros. Investimentos envolvem riscos, incluindo possibilidade de perda do capital investido. Antes de tomar qualquer decisão de investimento, consulte um assessor credenciado.
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