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Melhores Ações para Maio de 2026: carteira recomendada do BTG Pactual

Por Thaís Marinho

Carteira Recomendada
Maio de 2026

Carteira Recomendada de Ações — Maio 2026: Menos bancos, mais tecnologia e a tese do Brasil para o investidor estrangeiro

Abril foi um mês de acomodação para a bolsa brasileira. Depois de liderar os mercados globais durante boa parte do primeiro trimestre, o Ibovespa encerrou o mês praticamente estável em reais, com leve queda de 0,1%, enquanto o S&P 500 avançou mais de 9% e os mercados emergentes subiram cerca de 10%. O descompasso veio, em grande medida, de um movimento pontual de realização de lucros por parte de investidores estrangeiros, que venderam cerca de R$ 4,6 bilhões em ações brasileiras na última semana do mês — ainda que tenham sido compradores líquidos no acumulado de abril.

É nesse contexto que o time de Research do BTG Pactual publicou a atualização mensal da Carteira Recomendada de Ações (10SIM) para maio de 2026. A estratégia geral foi mantida praticamente inalterada, com uma mudança tática relevante: a redução da exposição ao setor bancário tradicional e a entrada de uma empresa de tecnologia. A seguir, explicamos o cenário que motivou essa decisão e a lógica por trás de cada movimento.

Carteira Recomendada de Ações (10SIM) — BTG Pactual Research

10 ações para maio
Publicada em 04 de maio de 2026

Ações · Ibovespa · Fluxo Estrangeiro · Valuation

O cenário de abril: realização de lucros após um rali expressivo

Após superar os mercados globais durante a maior parte do primeiro trimestre, o Ibovespa perdeu fôlego em abril. Em dólar, a bolsa brasileira subiu 4%, mas em reais o desempenho foi marginalmente negativo. O principal motivo foi a decisão de investidores estrangeiros de realizar parte dos ganhos acumulados no ano — o Brasil registrava alta de 28% em dólar no acumulado de 2026 até o fim de abril, bem acima dos 5% do S&P 500 e dos 15% dos pares de mercados emergentes.

Além da realização de lucros, houve uma deterioração marginal no ambiente econômico e político. As expectativas de inflação subiram em função do conflito no Oriente Médio, do mercado de trabalho aquecido e da atividade econômica resiliente. O mercado passou a projetar um ciclo de cortes de juros menos intenso do que o inicialmente esperado: a estimativa do BTG Pactual caiu de 300 para 200 pontos-base de redução em 2026, com o risco inclinado para baixo. Para 2027, a expectativa ainda é de que a Selic alcance 10,5%.

Fluxo estrangeiro em destaque

Os fluxos para fundos de mercados emergentes somaram US$ 7,3 bilhões em abril, elevando o acumulado do ano para US$ 60 bilhões — o maior nível em mais de 25 anos. No Brasil, os estrangeiros foram compradores líquidos de R$ 6,9 bilhões no mês, mas a tendência de entrada desacelerou em relação aos meses anteriores. Na última semana de abril, houve venda líquida de R$ 4,6 bilhões, sinalizando uma possível pausa no fluxo de alocação.

Apesar desse movimento de curto prazo, o BTG Pactual avalia que a tendência de diversificação de portfólios para fora dos Estados Unidos deve continuar, beneficiando mercados emergentes em geral e o Brasil em particular. Os fundos de mercados emergentes elevaram a alocação no Brasil para 7,6% no final de março — nível visto apenas no fim de 2023. Já os fundos globais alcançaram 0,79% de exposição ao país, o maior patamar desde julho de 2015.

No plano doméstico, os fundos de ações locais também dão sinais de melhora. No primeiro trimestre, as saídas somaram R$ 6,4 bilhões — muito abaixo dos R$ 29 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. Em abril, houve entradas líquidas de cerca de R$ 300 milhões, sugerindo que a queda da Selic começa a reduzir a pressão de resgates.

Valuation: barato para quem?

As ações brasileiras estão sendo negociadas a 10,4x o lucro projetado para 12 meses (excluindo as duas maiores empresas do índice por valor de mercado), praticamente inalterado em relação ao mês anterior e com um desconto de 14% sobre a média histórica. Quando se incluem essas empresas, o múltiplo cai para 8,8x — um patamar objetivamente baixo.

A ressalva, contudo, é relevante: com juros reais de longo prazo em 7,5%, o prêmio para carregar ações no Brasil é de apenas 2,2%, contra uma média histórica de 3,1%. Para o investidor local, os títulos públicos de longo prazo continuam competitivos. Para o investidor estrangeiro, que opera com um custo de capital mais baixo e busca ações por definição, o Brasil segue atrativo — sendo um dos mercados mais baratos entre emergentes e desenvolvidos.

Por que o Brasil segue atrativo para o estrangeiro

Segundo os estrategistas do BTG Pactual, quatro fatores sustentam a tese: (i) o Brasil é exportador líquido de petróleo, o que oferece proteção em cenários de prolongamento do conflito no Oriente Médio; (ii) o país ainda tem um caminho claro de curto prazo para redução das taxas de juros; (iii) a tendência de diversificação para fora dos EUA deve persistir; e (iv) os múltiplos seguem relativamente descontados em relação a pares globais.

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Como a carteira está distribuída

A carteira de maio segue relativamente equilibrada e com viés de exposição ao ciclo de queda dos juros. A alocação setorial reflete convicções em geração de energia, fluxos de caixa de longo prazo e ativos que se beneficiam diretamente da redução da Selic. Confira a distribuição por segmento:

Transportes

25%

Duas empresas do segmento de mobilidade e locação, beneficiadas pela expansão de margens, renovação de frota e ciclo de queda de juros.

Energia / Serviços Básicos

20%

Duas geradoras de energia com perfis complementares: uma focada em dividendos e preços de energia mais altos, outra em contratos de longo prazo pós-leilão de capacidade.

Petróleo & Gás

15%

A maior empresa do setor no país, com portfólio pré-sal de baixo custo, dividend yield atrativo e potencial de catalisador eleitoral.

Bancos / Fintech

10%

Apenas uma fintech digital, sem presença de bancos tradicionais neste mês. Tese de crescimento acelerado no Brasil, México e potencial expansão nos EUA.

Tecnologia / Software

10%

Nova entrada na carteira. Desenvolvedora de sistemas de gestão empresarial que sofreu forte correção no ano e negocia perto do piso histórico de valuation.

Bens de Capital / Indústria

10%

A principal fabricante de aeronaves do país, com carteira de pedidos recorde, momento sólido de entregas e exposição cambial favorável.

Shoppings

5%

Operadora de shopping centers em transição de estratégia de crescimento para valor, com guidance de dividend yield de 12% para 2026.

Construção Civil

5%

Construtora focada em imóveis populares, impulsionada pelo programa habitacional do governo, com execução impecável e forte geração de caixa.

O que mudou de abril para maio

A carteira de maio teve apenas uma substituição. As demais nove posições foram mantidas com os mesmos pesos. A mudança, porém, carrega uma mensagem tática relevante sobre o posicionamento no setor financeiro.

Saída: o maior banco privado do Brasil (Financeiro, 10%)
A retirada do maior banco privado do país foi uma decisão tática. Segundo os estrategistas do BTG Pactual, a intenção foi reduzir a exposição aos grandes bancos tradicionais. A carteira passa a ter apenas uma instituição financeira — uma fintech digital — e nenhum banco de primeira linha. A decisão reflete uma leitura de que, no curto prazo, outras teses oferecem melhor relação risco-retorno no contexto de queda de juros e rotação de portfólios.

Entrada: uma desenvolvedora brasileira de software de gestão (Tecnologia, 10%)
A novata da carteira é uma empresa de tecnologia especializada em sistemas de gestão empresarial (ERP). A ação acumulava queda de cerca de 25% no ano, pressionada pelos temores globais de disrupção causada pela inteligência artificial — um movimento que atingiu o setor de software como um todo, no que ficou conhecido como o “SaaSpocalypse”. A empresa negocia perto do piso de sua faixa histórica de valuation, com desconto significativo em relação à principal referência global do setor. O BTG Pactual avalia que desenvolvedores de ERP estão mais protegidos contra a disrupção da IA, dada a relação profunda que mantêm com seus clientes, e espera que os resultados do primeiro trimestre e a retomada do programa de recompra de ações atuem como catalisadores de curto prazo.

Eleições 2026: empate nas pesquisas e incerteza no horizonte

O cenário eleitoral brasileiro permanece indefinido. As pesquisas de intenção de voto mostram os dois principais candidatos com algo entre 35% e 40% cada no primeiro turno, e um empate técnico nas simulações de segundo turno. Os demais candidatos somam percentuais baixos, na faixa de 3% a 5%, e dificilmente teriam espaço para disputar as vagas no segundo turno.

Desde meados de dezembro, o candidato de oposição teve uma escalada expressiva nas pesquisas, mas esse movimento perdeu intensidade nos últimos meses. Nas medições mais recentes, houve uma ligeira recuperação do atual presidente. O quadro é de disputa acirrada, com o resultado dependendo fortemente dos temas que ganharem destaque ao longo da campanha.

Eleições e mercado

Para o mercado de ações, a indefinição eleitoral é um fator de atenção, mas não de paralisia. O BTG Pactual avalia que uma eventual compressão do custo de capital associada ao resultado das eleições pode atuar como catalisador positivo para determinados ativos, especialmente empresas estatais. A carteira já está posicionada para capturar esse cenário.

A lógica por trás das posições mantidas

Além da troca no setor financeiro, vale entender o racional das posições que foram mantidas — elas revelam a visão estratégica do BTG Pactual para o atual momento do mercado.

No segmento de energia, a carteira combina duas teses complementares: uma geradora que se posiciona como principal beneficiária de preços mais elevados de energia e maior volatilidade, já sinalizando dividendos robustos nos próximos anos; e outra que teve sucesso expressivo no leilão de capacidade de março, melhorando a previsibilidade dos fluxos de caixa e migrando de um perfil de exposição ao preço spot para contratos de longo prazo.

Em transportes, as duas posições refletem a aposta em empresas com forte momento operacional e expansão de margens. A maior delas, líder em locação de veículos, segue colhendo ganhos de eficiência e se beneficia diretamente do ciclo de flexibilização monetária e do aumento do fluxo estrangeiro. A outra, uma operadora de concessões rodoviárias, passou por um processo de racionalização de portfólio em 2025 e agora apresenta uma agenda de reciclagem de capital e pipeline de leilões como catalisadores.

A posição em petróleo e gás combina valor de escassez, dividend yield significativamente acima dos pares globais e potencial de catalisador via eleições. No setor de bens de capital, a principal fabricante de aeronaves do país mantém uma carteira de pedidos recorde e entregas acima do esperado, apesar da volatilidade recente causada pela escalada do conflito no Oriente Médio.

Na fintech digital, a tese é de crescimento sustentado no Brasil e tração em novos mercados, com a ação negociando a múltiplos considerados atrativos após uma correção de mais de 13% no ano. No segmento imobiliário, a combinação de uma operadora de shoppings em transição para estratégia de dividendos e uma construtora popular com execução sólida oferece defensividade e exposição ao ambiente de juros em queda.

Leitura estratégica

A mensagem central da carteira de maio é de continuidade com ajuste tático. Ao retirar o maior banco privado do Brasil e incluir uma empresa de tecnologia que sofreu forte correção, o BTG Pactual sinaliza que, neste momento, prefere posicionar o portfólio em ativos com maior sensibilidade ao ciclo de queda de juros e com valuations esticados pela correção — em vez de manter exposição a papéis que já tiveram um desempenho superior no acumulado do ano.

A manutenção de 25% da carteira em empresas de transportes e 20% em geradoras de energia reforça a convicção em teses de fluxo de caixa de longo prazo, que tendem a se beneficiar conforme a curva de juros recua. A exposição a petróleo (15%) funciona como hedge geopolítico e como posição de valor, enquanto a diversificação entre shoppings, construção civil e indústria aeronáutica confere equilíbrio ao portfólio.

Para o investidor que acompanha o mercado brasileiro, a lição mais relevante desta carteira é a disciplina de rebalanceamento: saber quando reduzir posições que deram certo (bancos tradicionais tiveram desempenho superior no ano) para realocar em ativos que ficaram para trás mas mantêm fundamentos sólidos. É esse tipo de gestão ativa, baseada em análise fundamentalista e leitura de cenário, que diferencia uma carteira construída com método de uma simples lista de ações.

A carteira completa com os 10 ativos recomendados pelo BTG Pactual está disponível para clientes da Kaza Capital.

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Fonte: Carteira Recomendada de Ações (10SIM), BTG Pactual Equity Research, 04 de maio de 2026. Dados: Economática, Bloomberg, EPFR, B3, Anbima.

Este conteúdo foi elaborado pela Kaza Capital com base no relatório público do BTG Pactual e tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não constitui oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. As opiniões e projeções aqui mencionadas são do time de Research do BTG Pactual e podem mudar sem aviso prévio. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros. Investimentos envolvem riscos, incluindo possibilidade de perda do capital investido. Antes de tomar qualquer decisão de investimento, consulte um assessor credenciado.

A Kaza Capital atua como escritório de assessoria de investimentos vinculado ao BTG Pactual.

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