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Brasil tem o 2º maior juro real do mundo mesmo após Copom cortar Selic para 14,50%

Por Thaís Marinho

ECONOMIA • POLÍTICA MONETÁRIA
Maio 2026

Mesmo com a redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica, o país mantém juro real de 9,33% ao ano — atrás apenas da Rússia no ranking global.

O Comitê de Política Monetária (Copom) promoveu na última quarta-feira (29) um novo corte na taxa Selic, que passou de 14,75% para 14,50% ao ano. A redução de 0,25 ponto percentual, no entanto, não foi suficiente para alterar a posição do Brasil entre as economias com os juros mais altos do planeta: o país segue na segunda colocação do ranking mundial de juros reais, segundo levantamento da MoneYou e Lev Intelligence.

Com um juro real de 9,33% ao ano, a taxa brasileira só fica abaixo da praticada pela Rússia, que lidera a lista com 9,67%. Na sequência aparecem México (5,09%), África do Sul (4,62%) e Indonésia (3,31%).

Mudanças na Selic impactam diretamente diferentes classes de ativos.

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Onde o Brasil se posiciona no ranking global

Em termos nominais, a Selic de 14,50% coloca o Brasil na quarta posição entre as 40 maiores taxas de juros do mundo. A média global das economias analisadas é de 5,30%, o que evidencia a distância entre o patamar brasileiro e o praticado pela maioria dos países.

O estudo aponta ainda que as expectativas de inflação foram revisadas para cima na maior parte das economias do ranking, em meio a um cenário global ainda marcado pelo conflito no Oriente Médio e seus efeitos sobre os preços de energia e commodities. Esse movimento ampliou o número de países com juros reais negativos na lista.

Maioria dos bancos centrais optou por manter taxas

No universo mais amplo de 164 países monitorados, 84,15% mantiveram os juros inalterados no período recente, enquanto 4,88% promoveram elevações e 10,98% realizaram cortes. Entre os 40 países do ranking principal, o cenário foi semelhante: 85% mantiveram, 7,50% subiram e 7,50% reduziram suas taxas.

Os dados reforçam que a tendência global predominante ainda é de cautela, com a maioria dos bancos centrais em compasso de espera diante das incertezas inflacionárias.

Entender o cenário é o primeiro passo para decisões mais seguras.

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Copom sinaliza continuidade com cautela

No comunicado que acompanhou a decisão, o Copom afirmou que o corte é compatível com a estratégia de convergência da inflação para a vizinhança da meta no horizonte relevante — repetindo a linguagem adotada na reunião anterior.

O colegiado avaliou que o período prolongado de juros em patamar restritivo já começa a produzir efeitos visíveis sobre a atividade econômica. Segundo o comunicado, há sinais de transmissão da política monetária para a desaceleração da economia, o que abre margem para ajustes graduais no ritmo dos próximos movimentos — sempre condicionados à evolução dos dados.

Os 20 maiores juros reais do mundo

Posição País Juro real (ex ante)
Rússia 9,67%
Brasil 9,33%
México 5,09%
África do Sul 4,62%
Indonésia 3,31%
Hungria 3,02%
Colômbia 2,63%
Polônia 2,61%
República Tcheca 2,20%
10º Índia 2,19%
11º Israel 2,09%
12º Chile 2,03%
13º Austrália 1,62%
14º Coreia do Sul 1,35%
15º China 1,29%
16º Tailândia 1,21%
17º Malásia 1,18%
18º Reino Unido 1,16%
19º Bélgica 1,07%
20º Estados Unidos 0,97%

Fonte: MoneYou / Lev Intelligence

Informação é o primeiro passo. Estratégia é o próximo.

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Fonte: Money Times; MoneYou / Lev Intelligence; Banco Central do Brasil (Copom).

Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.

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